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quarta-feira, 15 de julho de 2015

A Repórter Brasil divulgou hoje um dos pedaços picantes de Corumbiara, caso enterrado

O jornalista João Peres passou 4 anos investigando uma das mais violentas ações de reintegração de posse do Brasil que deixou 12 mortos em Rondônia, o resultado é o livro “Corumbiara, caso enterrado”, estreia da Editora Elefante.
A Repórter Brasil adianta um dos capítulos mais quentes do livro. "Bem-vindo à Antenorlândia" investiga Antenor Duarte, suspeito de haver sido o mandante do massacre e, por três anos, um dos destaques das listas sujas do trabalho escravo.
O autor reconstrói o clima de medo e exploração em que viviam os trabalhadores da fazenda de Antenor, as investigações sobre violências contra índios isolados que viviam na região e o surpreendente crescimento econômico do fazendeiro. Segundo os cálculos do livro, Antenor tem hoje 93 mil hectares de terras – área maior do que 14 capitais brasileiras, como Belo Horizonte, São Luís, Salvador, e Porto Alegre.

Leia aqui o capítulo "Bem-vindo à Antenorlândia é só clicar no link": http://goo.gl/uUi2T8

Temos vídeo DVD com preço Simbólico de R$ 20,00 Reais contribua com nossa causa







CORUMBIARA: JORNALISTA RELATA EM LIVRO UM DOS MAIORES CONFLITOS DE TERRA NA AMAZÔNIA



O jornalista João Peres (camisa branca) entrevista camponeses do assentamento Santa Elina. (Foto: fotógrafo Gerardo Lazzari)
O jornalista João Peres (camisa branca) entrevista camponês do assentamento Santa Elina. (Foto: Gerardo Lazzari)

Leia abaixo a entrevista de João Peres:
Amazônia Real – O que levou você a aprofundar o tema do caso de Corumbiara?
João Peres – No começo de 2011, como repórter na Rede Brasil Atual, fui escalado para entrevistar um rapaz condenado pelo caso conhecido como ‘massacre de Corumbiara’. Claudemir Gilberto Ramos era um dos líderes do acampamento organizado entre julho e agosto de 1995 por famílias sem-terra do sul de Rondônia. Ele se recusava (ainda se recusa) a cumprir a pena de oito anos e seis meses de prisão por considerá-la injusta.
Claudemir e Cícero Pereira Leite Neto foram apontados pelo Ministério Público como responsáveis pela morte de dois policiais durante a tentativa de reintegração de posse, entre a madrugada e a manhã de 9 de agosto de 1995. No total, são doze mortos, segundo os números oficiais, com nove sem-terra, os dois PMs e um rapaz não identificado, possivelmente um pistoleiro.
Aquela primeira entrevista me deixou uma série de questões. Eu não conhecia muito sobre o caso do massacre de Corumbiara, o que foi um primeiro ponto: por que aquele episódio tão importante era tão pouco falado? Dois anos depois, Claudemir me avisou que pensava em se entregar, ideia da qual foi demovido por pessoas próximas. De todo modo, senti que precisava ir a Rondônia entender melhor essa história. É aí que tudo começa.
Amazônia Real – Você já tinha conhecimento anterior sobre os problemas de conflitos de terra nesta parte da Amazônia?
João Peres - Muito pouco. Havia ido a Porto Velho uma vez, a trabalho, em 2010. Este é um dos pré-conceitos que tive de deixar para trás: daqui de São Paulo, quem não conhece a Amazônia tende a desconsiderar a enorme heterogeneidade existente nessa região. É como se tudo fosse uma grande floresta, estática, sem pessoas. Durante as andanças por Rondônia, de norte a sul, pude entender as diferenças climáticas, políticas, sociais e econômicas.
Dos conflitos, sempre tinha contato pela lista elaborada todos os anos pela Comissão Pastoral da Terra. Mas, no fim, eram apenas números, que cresciam ou se reduziam de acordo com questões conjunturais. Não conhecia a complexidade envolvida em cada espaço em que há algum tipo de conflito agrário.
Amazônia Real – Quais foram os fatos novos, diferentes nuances e abordagens, por exemplo, que sua pesquisa acrescenta e que são encontrados no livro?
João Peres - Tenho dito que o principal papel do livro é sistematizar as informações e apresentá-las de uma maneira que busca respeitar a inteligência do leitor. Há poucos trabalhos sobre o caso de Corumbiara, e o motivo para essa escassez é uma das questões que tento explicar ao longo do trabalho. O que fiz, basicamente, foi buscar representar os vários pontos de vista possíveis em torno do assunto. Isso resultou na escolha de não tratar o caso como “massacre”. Pode parecer algo tolo, mas foi importante para mostrar às pessoas envolvidas que estava disposto a preservar a verdade delas sobre essa questão, sem adotar uma postura previamente favorável a qualquer dos lados. Entre os sem-terra, mesmo, há grupos que divergem: o que ocorreu foi um massacre ou uma batalha? E, claro, os policiais não aceitam a ideia de massacre. O Ministério Público fala em chacina, algo que é inegável.
Ter tomado essa postura mais respeitosa com a diversidade de opiniões não significa fazer um livro sem tempero, sem lado. Por exemplo, há um personagem central dessa narrativa que é um fazendeiro que ganhou 43 mil hectares da ditadura. Não é possível considerar normal que este senhor, chamado Antenor Duarte do Valle, que não era o dono da área ocupada, tenha o direito de pressionar o comandante da operação na fazenda Santa Elina, o comandante da Polícia Militar e o governador, assim como não se pode banalizar o fato de que ele contratou pistoleiros para atuar na reintegração de posse.
Amazônia Real – O que mais lhe chamou atenção do caso Corumbiara em relação a conflitos fundiários ocorridos em outras regiões do país?
João Peres - Há um certo esquecimento sobre o caso de Corumbiara. A questão agrária no Brasil como um todo perdeu muita força nestas duas primeiras décadas do século 21. Ainda assim, o grau de ignorância sobre os fatos ocorridos na Santa Elina parece mais profundo, se considerarmos o tamanho da questão em número de mortos e de perguntas não respondidas.
O que pude concluir é que há alguns motivos para que isso ocorra. Um problema central reside no fato de os sem-terra que ocuparam a fazenda não pertencerem a nenhum movimento organizado. Depois do caso, eles receberam vários convites, é claro, mas à época estavam desconectados de qualquer instituição com mais peso. É diferente de Eldorado do Carajás, em que o MST teve alguma força para construir sua narrativa por meio de trabalhos acadêmicos e jornalísticos.
Outro ponto é a distância em relação a grandes centros, e nisso o caso se parece com outros. Temos de considerar que Corumbiara é bastante distante de Porto Velho e muito distante de centros mais bem abastecidos em termos de veículos jornalísticos. Ainda que Rondônia seja servida por rodovias, e essa é uma particularidade que faz toda a diferença, para o bem e para o mal, é preciso viajar durante um dia inteiro para sair da capital e ir até a cidade. Considerando a situação do jornalismo brasileiro nas últimas duas décadas, em especial na era da internet, este é um fator limitador. Custa caro, muito caro se deslocar por essas áreas. E leva tempo.
Amazônia Real – Descreva como foi seu trabalho em Rondônia para a pesquisa do livro? O que chamou atenção, sentiu algum temor, alguma ameaça?
João Peres – Um dos aprendizados envolvidos nessa história foi aquela questão da heterogeneidade de Rondônia, que contei acima. Ter compreendido que cada lugar guarda uma história de formação população, um clima diferente, uma terra, uma trajetória de violência foi um aprendizado e tanto.
Na questão cultural, foi muito importante o processo de entender que há uma diferença enorme na relação com o tempo. Todo mundo, em qualquer lugar do Brasil, sabe que a sociedade de São Paulo é pilhada, estressada, neurótica, está sempre correndo, na maior parte das vezes sem um por quê. Logo nas primeiras entrevistas em Rondônia notei que esse conceito, típico de uma sociedade industrial, tinha de ficar para trás. Foi preciso me adaptar, ver que não podia cumprir com um número grande de entrevistas por dia, que tinha de aceitar que alguns dias eram “perdidos” do ponto de vista de apuração porque era preciso respeitar o tempo daquelas pessoas, esperar que estivessem prontas para falar.
Em termos de tensão, destacaria o contrário disso na relação com os policiais. Na primeira das duas vezes que fui a Vilhena, onde atua a maior parte dos agentes envolvidos no caso da Santa Elina, estava muito apreensivo. Não sabia o que esperar. No fim, foi frustrante me deparar com a indiferença de muitos deles. Não que eu estivesse com vontade de celebrar a tensão, longe disso, mas não contava com a ideia de que prefeririam manter tudo enterrado, receosos de levantar a poeira em torno dessa questão. Imaginava que teriam mais disposição em defender seus pontos de vista e, no entanto, acabei me deparando com uma grande indiferença. Fiz todos os esforços para tentar convencê-los de que seria fundamental que falassem a respeito, mas foi inviável.
Amazônia Real – Você conheceu o Adelino Ramos?  Planejava alguma entrevista com ele?
João Peres - Conversei com Dinho uma vez, mais ou menos um mês antes da morte. Foi uma conversa por telefone, muito rápida, porque ele morava numa região em que era raro conseguir sinal de celular. Aquela entrevista foi insuficiente para me dar conta de que ele estava correndo um risco tão grande. Pudemos falar muito brevemente sobre umas poucas questões. Não planejava nenhuma matéria sobre o assunto.
No dia em que ele foi morto, me ligaram. Pediram que eu tentasse confirmar a informação. Liguei para o hospital e recebi a notícia, que tive de repassar para a família. Foi muito marcante. Depois, pude visitar o local em que ele foi morto, mas, em termos de informações, resultou frustrante: a maior parte das pessoas tinha muito medo de falar qualquer coisa.
Amazônia Real – Apesar de ter saído da mídia, os conflitos fundiários naquela parte de Rondônia e no sul do Amazonas permanecem.  O PAF Curuquetê, por exemplo, está esvaziado. Você continua acompanhando a situação dali?
João Peres - Não acompanhei mais a situação. Soube por algumas pessoas a respeito desse esvaziamento do Curuquetê. Nunca fui ao local, mas, pelas informações vindas de várias frentes, era um local ermo, de difícil acesso, num calor terrível, um solo pobre.
Na atualidade, não tenho uma opinião sobre isso. O que mais me chamou atenção foi a rapidez com que o caso foi arquivado depois da morte do rapaz apontado como responsável pelo assassinato de Dinho. Quando Osias Vicente foi liberado, era de se esperar que se cumprisse o roteiro clássico. Se eu, a essa distância geográfica da história, podia prever o desfecho, é evidente que os operadores do Direito envolvido também tinham condições de saber o que ocorreria.
Amazônia Real – Em relação ao livro, como será o lançamento? Planeja lançar, futuramente, também em Rondônia?
João Peres – A gente tem intenção de lançar em Rondônia. Mas precisamos viabilizar duas questões. Uma, os recursos, porque a editora é independente e trabalha para, com sorte, reduzir a margem de prejuízo. Ou seja, uma viagem a Porto Velho representaria um aumento nesta margem. De outro lado, a gente pretende viabilizar esta ida à capital e a Vilhena, na região de Corumbiara, com o apoio de alguma organização da sociedade civil.
Porteira da Fazenda Santa Elina, na atualidade. (Foto: fotógrafo Gerardo Lazzari)
Porteira da Fazenda Santa Elina, na atualidade. (Foto: Gerardo Lazzari)


Escola Santa Elina, da Liga dos Camponeses. (Foto: Gerardo Lazzari)Escola Santa Elina, da Liga dos Camponeses. (Foto: Gerardo Lazzari)
No dia 9 de agosto de 1995, a reintegração de posse de famílias sem- terra da fazenda Santa Elina, no município de Corumbiara, região leste de Rondônia, resultou em um dos conflitos agrários mais violentos  e de maior repercussão do país. 
O episódio ficou conhecido como “Massacre de Corumbiara”, pois no confronto morreram vários camponeses. Esta história volta a ser contada sob diferentes olhares de quem acompanhou os desdobramentos do conflito no livro de “Corumbiara, caso enterrado”, do jornalista João Peres e do fotógrafo Gerardo Lazzari. O livro será lançado no próximo dia 20, pela Editora Elefante.
Em seu  livro, o jornalista refaz os principais momentos do conflito, ouvindo sobreviventes e identificando diversidades de opiniões sobre o assunto. Apesar da repercussão na época, há um grande esquecimento sobre Corumbiara, na avaliação do jornalista João Peres, de São Paulo, que desde 2011 vem realizando uma pesquisa aprofundada sobre este caso.
“Há um certo esquecimento sobre o caso de Corumbiara. A questão agrária no Brasil como um todo perdeu muita força nestas duas primeiras décadas do século 21. Ainda assim, o grau de ignorância sobre os fatos ocorridos na Santa Elina parece mais profundo, se considerarmos o tamanho da questão em número de mortos e de perguntas não respondidas”, disse João Peres, em entrevista à agência Amazônia Real.
Na violenta operação de reintegração da fazenda Santa Elina, morreram nove camponeses e dois PMs, segundo a pesquisa feita pelo jornalista.
Em maio de 2011, o assassinato de Adelino Ramos, um dos sobreviventes de Corumbiara, recuperou a sombra daquele triste capítulo da história da luta agrária no país. Adelino havia sido uma das principais lideranças da ocupação da fazenda Santa Elina. Anos depois, ele conseguiu junto com outros agricultores um pedaço de terra no sul do Amazonas: o Projeto de Assentamento Florestal Curuquetê, no município de Lábrea. Dinho, como era chamado, continuou incomodando fazendeiros e grileiros, denunciando desmatamento e invasão de unidades de conservação e de terras indígenas. Recebia muitas ameaças. Ele foi assassinado em dia 27 de maio de 2011.
O jornalista João Peres cobriu eleições, consultas populares e momentos de crise no Brasil, na Argentina, na Venezuela, na Colômbia e na Bolívia. No interior do país, fez reportagens sobre direitos humanos, agricultura, agrotóxicos e relações de trabalho. Em 2010, recebeu menção honrosa no Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo, promovido pela OAB-RS, pelas reportagens sobre o trabalho de dom Paulo Evaristo Arns contra a ditadura. 
O argentino Gerardo Lazzari trabalhou como repórter-fotográfico para diferentes veículos de imprensa da Argentina e do Brasil.  Registrou inúmeros eventos de relevância jornalística, como eleições presidenciais (Argentina, Uruguai, Bolívia, Brasil), eventos esportivos e reportagens sobre os cocaleiros da Bolívia, a cultura gaúcha, a vida dos produtores de tabaco e, recentemente, o conflito de Corumbiara, entre outros. 
O livro “Corumbiara, caso enterrado” está disponível para compra pela internet, no site da editora. O valor é de R$ 30, mais frete de R$ 7 para qualquer lugar do país
http://amazoniareal.com.br/corumbiara-jornalista-relata-em-livro-um-dos-maiores-conflitos-de-terra-na-amazonia/http://amazoniareal.com.br/corumbiara-jornalista-relata-em-livro-um-dos-maiores-conflitos-de-terra-na-amazonia/

Nada fica por debaixo do tapete por muito Tempo

"O que é o coração de uma mãe, sabendo que o filho está morto, sem saber onde está"

Saiu o segundo mini-doc sobre o livro-reportagemCorumbiara, caso enterrado

Compartilhe e convide seus amigos a conhecer mais sobre o lançamento da Editora Elefante, que passa a limpo o chamado 'massacre de Corumbiara'.

O trabalho tem roteiro e edição de Pedro Watanabe, edição de som e som adicional por Rafael Veríssimo, imagens e fotos de Gerardo Lazzari e locução de Paulo Noviello.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Negativa de Raupp em prestar informações a 'Corumbiara, caso enterrado' é tema de entrevista Em conversa na Caiari AM, autor do livro diz também que ideia principal foi respeitar as diferentes versões da história, permitindo ao leitor formar sua própria opinião

9725281290_d91ed9ae44_kO autor do livro Corumbiara, caso enterrado comentou em entrevista à Rádio Caiari AM, de Porto Velho, a recusa do ex-governador de Rondônia Valdir Raupp (PMDB) em prestar informações. Em conversa com o radialista Edson Santos, o jornalista João Peres reiterou que o hoje senador se negou a comentar as questões relacionadas ao episódio conhecido como “massacre de Corumbiara”.
No decorrer da apuração, Raupp foi procurado diversas vezes para que esclarecesse pontos em aberto, mas seu assessor informou que o cliente se reserva o direito de comentar apenas questões que lhe sejam positivas para a imagem. Com isso, resta uma dúvida sobre qual o nível de informação com que o político contava quando do cumprimento do mandado de reintegração de posse da fazenda Santa Elina, em Corumbiara, no sul do estado.
Na noite de 8 de agosto de 1995, o comandante da operação, o então major José Ventura Pereira, disse a jornalistas que buscaria mais duas negociações com os líderes da ocupação antes entrar à força no acampamento dos posseiros. Mas, na madrugada do dia 9, decidiu iniciar a operação da Polícia Militar, que chegou ao fim com um saldo oficial de nove mortes de sem-terra, duas de policiais e uma de um rapaz não identificado.
Na entrevista à Rádio Caiari AM, o autor do lançamento da Editora Elefante foi perguntado também sobre outras questões que estão em aberto neste caso. Ele contou que a ideia do livro é trazer à tona as diferentes versões sobre o episódio, respeitando divergências e semelhanças, de modo a permitir que o leitor tire suas próprias conclusões sobre o caso.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

20 ANOS DO MASSACRE DE CORUMBIARA-RO 09 de AGOSTO 1995


Editora Elefante abre pré-venda de "Corumbiara, caso enterrado" Livro-reportagem sobre vinte anos de conflito agrário em Rondônia será lançado no dia 20 de julho, em São Paulo. Mas já é possível reservar um exemplar em qualquer parte do país

 BY Editora Elefante abriu pré-venda de seu terceiro título. Corumbiara, caso enterrado será lançado no dia 20 de julho, em São Paulo. Mas, devido à procura, decidimos oferecer a reserva do livro diretamente em nosso saite. Os exemplares serão enviados aos leitores de todo o país nas vésperas do lançamento. É possível realizar a compra por dois sistemas, PayPal e PagSeguro, e optar por pagar com boleto ou cartão de crédito.
Como nos demais lançamentos da Editora Elefante, reduzimos nossa margem de retorno ao mínimo necessário para arcar com os custos. Isso garante ao leitor um preço camarada, de R$ 30, mais R$ 7 de frete. É importante salientar que temos um acordo comercial com os escritores na contramão do tradicionalmente firmado por editoras: o autor sempre fica com a maior parte das vendas.
Leia também:
Corumbiara, caso enterrado, do jornalista João Peres, busca lançar luzes sobre um capítulo obscuro da história brasileira pós-ditadura. O livro-reportagem propõe-se a passar a limpo a narrativa sobre o chamado “massacre de Corumbiara”, episódio prestes a completar vinte anos, ainda com muitas dúvidas e questões em aberto.
Em julho de 1995, famílias do sul de Rondônia em busca de terras ocuparam a fazenda Santa Elina, em Corumbiara, um gigante de 18 mil hectares. No cumprimento do mandado de reintegração de posse, ocorreu um conflito que deixou doze mortos. Cinco anos mais tarde, três policiais e dois sem-terra foram condenados. Esse resumo pode ser encontrado em qualquer reportagem sobre os fatos.
O essencial de Corumbiara, caso enterrado é cavocar além das aparências, dos números, da superfície. O jornalista João Peres, autor do livro, entrevista sem-terra, policiais, políticos, advogados, integrantes de movimentos sociais, promotores e juiz. Revisa processos e documentos. Promove o cruzamento de dados para tentar oferecer ao leitor um conjunto que permita formar a própria opinião. Busca romper a dicotomia empobrecedora que tenta a tudo enquadrar: bons e maus, amigos e inimigos.
Se ficou com vontade de saber mais antes de comprar, há várias maneiras. Confira o vídeo abaixo, com roteiro e edição por Pedro Watanabe, som a cargo de Rafael Veríssimo e locução por Paulo Noviello. Ou baixe, gratuitamente, o primeiro capítulo. Por fim, você pode ler reportagens sobre Corumbiara, caso enterrado.
Se estiver em São Paulo, não perca o lançamento. É dia 20 de julho, às 19h, no Ateliê do Gervásio, um simpático casarão e espaço cultural localizado na Rua Conselheiro Ramalho, 945, no Bixiga

Assista ao trailer de "

http://editoraelefante.com.br/?p=250

4/jul/2015, 16h13min Confronto entre sem-terra e policiais esquecido pela mídia é tema de livro-reportagem


Livro sobre o "massacre de Corumbiara" será lançado no dia 20 de julho, em São Paulo | Foto: Divulgação
Livro sobre o “massacre de Corumbiara” será lançado no dia 20 de julho, em São Paulo | Foto: Divulgação
Luís Eduardo Gomes
Um dos mais violentos conflitos entre sem-terra e latifundiários. Doze mortes, mas quase ou nenhuma informação. Para sanar esta lacuna e ir além do superficial, o jornalista João Peres lança, no próximo dia 20 de julho, o livro-reportagem “Corumbiara, caso enterrado” (304 pg), pela Editora Elefante, e com fotos de Gerardo Lazzari.
As mortes resultaram de confronto entre famílias sem-terra que ocupavam a fazenda Santa Elina, no sul de Rondônia, e policiais militares que cumpriam uma reintegração de posse. Passados 20 anos, ainda discute-se se o que ocorreu foi um massacre ou a reação a uma postura violenta e intransigente por parte dos agricultores.
João Peres conta que começou a investigar o caso há quatro anos, quando trabalhava no site Rede Brasil Atuale recebeu uma sugestão de pauta sobre o tema. “Tinha surgido uma pauta para conversar com um rapaz que tinha sido condenado por esse caso e estava foragido porque considerava a pena injusta”, diz Peres. “Eram 12 mortes, mas um caso pouco conhecido”.
O foragido em questão era Claudemir Gilberto Ramos, condenado a oito anos e meio de prisão por ser considerado o líder dos sem-terra envolvidos em um conflito com policiais militares que resultou na morte de 12 pessoas – nove sem-terra, dois policiais e um jovem não identificado. Ele não tinha sido um personagem central para a primeira matéria que Peres publicou sobre o massacre, mas eles voltariam a se falar.
“No começo de 2013, Claudemir pediu que o procurassem porque ele queria se entregar”, conta Peres, explicando que, após estas conversas, decidiu ir para Rondônia buscar a opinião de outras pessoas envolvidas e tentar preencher as lacunas sobre a história.
cicero pereira leite neto
Cícero Pereira Leite Neto foi um dos condenados pelo massacre | Foto: Gerardo Lazzari
Foram três viagens a Rondônia: no início de 2013, na metade do mesmo ano e no início de 2014. Ele conversou com sem-terra, policiais, políticos, advogados, integrantes de movimentos sociais, promotores e juiz. Revisou processos, documentos e cruzou dados. “Não havia muito material sobre Corumbiara. Eldorado de Carajás (massacre de 19 sem-terra nesta cidade paraense em 1997) tem livros, documentários, e esse caso não”, afirma Peres.
Ele acredita que a falta de um trabalho que sistematizasse o que ocorreu naquele julho de 1995 passa pelo fato de os sem-terra mortos ali não pertencerem a um movimento de projeção nacional. “O pessoal que ocupou a fazenda Santa Elina não estava ligado a nenhum movimento da reforma agrária, como o MST”, afirma.
Além de Claudemir, outro líder local, Cícero Pereira Leite Neto, foi condenado a oito anos e dois meses de prisão. Três policiais militares também foram condenados.
Peres, contudo, explica que o seu livro não traz uma conclusão definitiva sobre quem é o culpado pelo massacre. “O livro deixa para o leitor chegar a algumas conclusões. Se você procurar de um lado ou de outro, vai achar elementos para a condenção e absolvição”, diz. “Existe também, dentro de movimentos sociais, uma debate sobre se o que ocorreu foi um massacre ou uma batalha e em torno da condeção”, completa.
Ligação com a ditadura
Peres afirma que um dos aspectos que lhe chamaram a atenção na investigação sobre o massacre de Corumbiara foi o contexto de conflito social criado no norte do país devido a uma política do regime militar brasileiro.
“Durante a ditadura, houve uma política dupla: concederam muita terra para muita gente – um dos casos é a gleba Corumbiara, de 1,1 milhão de hectares – e, ao mesmo tempo, se fez uma política de atração de nordestinos em situação de pobreza para a região amazônica, para evitar que essas pessoas fossem para São Paulo e Rio de Janeiro”, afirma Peres. “Então, você encontra uma situação de pessoas muito pobres, desguarnecidas pelo estado, com fazendeiros com histórico de violência”.
| Foto: Gerardo Lazzari
Corumbiara abriga fazendas de milhares de hectares demarcadas no período da ditadura | Foto: Gerardo Lazzari
SERVIÇO:
O quê? Lançamento do Livro “Corumbiara, caso enterrado”
Onde? Ateliê do Gervásio – Rua Conselheiro Ramalho, 945, Bixiga, São Paulo – SP
Quando? 20 de julho, 19h
Entrada gratuita
http://www.sul21.com.br/jornal/confronto-entre-sem-terra-e-policiais-esquecido-pela-midia-e-tema-de-livro-reportagem/

Um comentário para “Confronto entre sem-terra e policiais esquecido pela mídia é tema de livro-reportagem”


  1. Adão disse:
    No confronto entre a polícia e o MST, ambos são vítimas. Demonizar os policiais, trabalhadores da área da segurança (que não gostam de cumprirem reintegração de posse, pergunte a qualquer policial). É o confronto de trabalhador contra trabalhador. Quem se mija (desculpem a expressão, mas é literalmente o que ocorre) com isso são os graúdos, latifundiários, que pagam ITR (imposto territorial rural) mais baixo do planeta e se dizem cumpridores das leis, mas quando outros trabalhadores (fiscais do Ministério do Trabalho e do INCRA) fiscalizam suas propriedades, são impedidos, agredidos e até mortos. A inexistência de reforma agrária no país não é culpa da polícia, mas dos governos e dos latifundiários.