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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

LÍDER CAMPONÊS ADELINO RAMOS Madeireiro que assassinou líder camponês em Rondônia vai a julgamento na próxima semana Osias Vicente chegou a negar o assassinato, mas foi reconhecido por testemunhas. O acusado praticou o crime à luz do dia


29/11/2011 - 13:35:00 - RONDONIADINAMICA/OOBSERVADOR/FOTOS: NEY CUNHA - Matéria Visualizada Vezes
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Osias Vicente chegou a negar o assassinato, mas foi reconhecido por testemunhas. O acusado praticou o crime à luz do dia e “de cara limpa”, inclusive pela viúva de Adelino, facilitando sua identificação

O juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Porto Velho marcou para o próximo dia 8 de dezembro o julgamento do madeireiro Osias Vicente, autor do assassinato do líder do Movimento Camponês de Corumbiara (MCC), Adelino Ramos, o Dinho do MCC. Osias foi indiciado dia 7 de junho pelo assassinato, dias após o crime ocorrido no distrito de Vista Alegre do Abunã.

Dinho foi morto com cinco tiros porque denunciou a extração ilegal de madeiras na região da Ponta do Abunã, onde ocorreu o crime. O líder camponês também era presidente da Associação Camponesa do Amazonas, onde também denunciava crimes ambientais por grupos e posseiros.

Osias Vicente chegou a negar o assassinato, mas foi reconhecido por testemunhas. O acusado praticou o crime à luz do dia e “de cara limpa”, inclusive pela viúva de Adelino, facilitando sua identificação. Pesa ainda contra Vicente várias denúncias de ameaça feita contra a vítima ante do assassinato.

O crime teve repercussão nacional, pois Adelino além de ser um líder que denunciava crimes ambientais e era um dos sobreviventes do massacre de Corumbiara, na Fazenda Santa Elina, quando vários sem-terras foram mortos durante um confronto, há mais de 15 anos.

Veja o edital publicado hoje no Diário da Justiça de ROndônia: 

Madeireiro que assassinou líder camponês em Rondônia vai a julgamento na próxima semana


Osias Vicente chegou a negar o assassinato, mas foi reconhecido por testemunhas. O acusado praticou o crime à luz do dia e “de cara limpa”, inclusive pela viúva de Adelino, facilitando sua identificação
 
Rondônia: O juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Porto Velho marcou para o próximo dia 8 de dezembro o julgamento do madeireiro Osias Vicente, autor do assassinato do líder do Movimento Camponês de Corumbiara (MCC), Adelino Ramos, o Dinho do MCC. Osias foi indiciado dia 7 de junho pelo assassinato, dias após o crime ocorrido no distrito de Vista Alegre do Abunã.


Dinho foi morto com cinco tiros porque denunciou a extração ilegal de madeiras na região da Ponta do Abunã, onde ocorreu o crime. O líder camponês também era presidente da Associação Camponesa do Amazonas, onde também denunciava crimes ambientais por grupos e posseiros.


Osias Vicente chegou a negar o assassinato, mas foi reconhecido por testemunhas. O acusado praticou o crime à luz do dia e “de cara limpa”, inclusive pela viúva de Adelino, facilitando sua identificação. Pesa ainda contra Vicente várias denúncias de ameaça feita contra a vítima ante do assassinato.


O crime teve repercussão nacional, pois Adelino além de ser um líder que denunciava crimes ambientais e era um dos sobreviventes do massacre de Corumbiara, na Fazenda Santa Elina, quando vários sem-terras foram mortos durante um confronto, há mais de 15 anos.
Veja o edital publicado hoje no Diário da Justiça de ROndônia: 

sábado, 26 de novembro de 2011

Anistia aos trabalhadores punidos no Massacre de Corumbiara está pronta para ser votada (03')


Anistia aos trabalhadores punidos no Massacre de Corumbiara está pronta para ser votada (03')

Copiar Arquivos: Arquivo de áudio WMA estéreo Arquivo de áudio MP3 estéreo
Está pronto para votação na Comissão de Agricultura projeto do deputado João Paulo Cunha, do PT de São Paulo, que concede anistia aos trabalhadores rurais punidos no chamado Massacre de Corumbiara, ocorrido em Rondônia em 9 de agosto de 1995.

No episódio, foram mortas 19 pessoas, entre elas uma criança e dois policiais.

Para João Paulo Cunha, o Massacre de Corumbiara foi uma violação dos direitos humanos que deixou uma nódoa na história de luta pelo acesso à terra no Brasil, que ainda hoje vitima inocentes.

Ele citou a revista eletrônica de Geografia e Ciências Sociais, da Universidade de Barcelona, na Espanha, como documento que faz a síntese da tragédia ocorrida em Corumbiara.

De acordo com a publicação, centenas de famílias chegaram à fazenda Santa Elina em 14 de julho de 1995. A coordenação dos posseiros teria escolhido o local em função de notícias de que a área não estava regularizada e era em grande parte improdutiva.

O episódio ocorreu no governo do agora senador Valdir Raupp, do PMDB de Rondônia. Uma liminar de manutenção de posse concedida pela Justiça teria provocado a invasão pela PM, no dia 9 de Agosto.

O relator do projeto, deputado Beto Faro, do PT do Pará, afirmou que só os posseiros até agora foram punidos por participarem do episódio de Corumbiara:

"Hoje você não tem nenhum processo de punição efetiva para os policiais. Então as famílias todas que ficaram daquele massacre, daquele confronto,... nós não podíamos de forma nenhuma penalizar".

De acordo com Beto Faro, até organismos internacionais estão cobrando do Brasil a anistia aos posseiros envolvidos no massacre de Corumbiara.

Já o deputado Moreira Mendes, do PSD de Rondônia, discorda da anistia aos posseiros envolvidos no episódio de Corumbiará, que ele considera bandidos:

"Quero repetir claramente: bandido. Esse povo acha que está acima da lei. Quem vive aqui em Rondônia sabe da história real, da verdade, o que aconteceu. Então não são pessoas que são sem terra, não é gente que precisa realmente da terra, é um bando de bandidos que ficam aí, tumultuando a vida de quem trabalha e de quem produz, e usando infelizmente pessoas que precisam da terra, nesses movimentos que não levam a lugar nenhum...".

Segundo Moreira Mendes, os que promoveram a invasão de terras não têm interesse em promover a reforma agrária, mas querem a desestabilização das liberdades individuais e da tranquilidade no Brasil.

Se for aprovado na Comissão de Agricultura, o projeto que concede anistia aos trabalhadores rurais envolvidos no Massacre de Corumbiara, ainda será apreciado pela Comissão de Constituição e Justiça e pelo Plenário.

De Brasília, Paulo Roberto Miranda.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011


História de líder camponês assassinado é relatada em livro "Dinho, Herói da Amazônia", sobre Adelino Ramos, será lançado no próximo dia 27, pelo autor José Barbosa de Carvalho Manaus, 24 de Novembro de 2011


    Adelino Ramos (Dinho)
    Adelino Ramos foi assassinado no final de maio, em Rondônia (Divulgação)
    Seis meses após o assassinato de Adelino Ramos, o Dinho, um dos amigos mais próximos do líder camponês, José Barbosa de Carvalho, lança um livro que resgata o início da luta do fundador do Movimento Camponês.
    Especialista em reforma agrária e assentamentos urbanos, o engenheiro agrônono José Barbosa de Carvalho reuniu dados sobre a trajetória de Adelino Ramos nos movimentos de reforma agrária e, ao mesmo tempo, procurou expor um relato sobre a luta dos pequenos produtores rurais, posseiros e colonos.
    "Dinho, Herói da Amazônia", publicado pela BK Editora, será lançado no próximo dia 27, às 9h, auditório do Parque da Expoagro, avenida do Turismo.
    "Dinho era um dos maiores líderes camponeses da Amazônia. Além de ser um verdadeiro líder, carismático, ele era respeitado por todos os seguidores, mas também era constantemente ameaçado. Dez meses antes do assassinato ele já vinha denunciando que estava sendo ameaçado de morte. Muitos diziam que ele teria apenas 30 dias vida", conta Barbosa.
    Relatório 
    Atuando há quase 30 anos em capacitação de agricultores, Barbosa começou a se envolver nas questões agrárias em 2002, quando conheceu Adelino Ramos. Ele lembra que participou junto com outros profissionais de quatro encontros do MCC de Rondônia, quando integrava a comissão de assuntos amazônicos e meio ambiente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM).
    Para produzir seu livro, Barbosa contou como principais subsídios os relatórios dos encontros de Corumbiara ocorrido nos anos 2000 e das jornadas camponesas.
    "Foi ali o nosso primeiro contato. Fomos apresentados a mais de 300 agricultores. Quando o conheci ele já tinha uma longa jornada no movimento agrário", lembra.
    A partir de então, Barbosa nunca deixou de manter contato com Adelino Ramos e com outras lideranças e com os coordenadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Já no período em que Ramos começou a articular a regularização fundiária do Projeto de Assentamento Curuquetê, onde o líder camponês vivia, Barbosa conta que visitou inúmeras vezes o local.
    "A última vez em que estive lá foi em janeiro deste ano. Mas a gente tinha bastante contato com o Dinho porque ele vinha muito a Manaus, onde estava sendo tocado um projeto junto à Sepror. Ele também vinha muito aqui porque precisava acompanhar o processo de regularização no assentamento no Ipaam e no Incra", diz Barbosa.
    Assassinato
    Adelino Ramos foi assassinato no dia 28 de maio, no município de Vista Alegre de Abunã, em Rondônia. Ele morava no Projeto de Assentamento Florestal (PAF) Curuquetê, localizado na região do município de Lábrea, no Amazonas. No local, ele vivia com a esposa Eliana Ramos, com quem tinha dois filhos - ele também era pai de quatro filhos de casamento anterior.
    Adelino Ramos era natural do Paraná, onde já lutava contra os latifundiários. Ao migrar para Rondônia, sua trajetória no movimento agrário começou a ter visibilidade.
    "Com este livro queremos mostrar que as lutas do Dinho era justas. Ele não lutava apenas por terra, mas denunciava o desmatamento e a depredação ilegal. O Dinho estava no caminho certo. Ele defendia a reforma agrária para que fosse possível conseguir o desenvolvimento nacional", comenta o autor.
    Barbosa lamenta apenas que, passado o período de maior repercussão da morte do líder camponês, foram apenas os executores de Dinho. Os mandantes continuam livres. "Os mais fortes, os que estão por trás do assassinato, estão soltos, impunes. Como a maioria dos mandantes. E o clima de medo ainda continua por lá", destaca.
    Dinho se notabilizou não apenas por ser uma das principais lideranças do movimento agrário, mas ter sido um dos sobreviventes do “Massacre de Corumbiara”, no qual 16 pessoas morreram, em 1995, durante confronto com a Polícia. O nome refere-se ao município de Corumbiara, em Rondônia.

    quinta-feira, 24 de novembro de 2011

    Encerrada operação no Km 180


    Fiscais do Ibama em atividade durante a operação na região do distrito do MatupiConfirmando que o desmtamento e grilagem legal de terras já está saindo de Rondônia, adentrando no Amazonas, a operação de fiscalização desenvolvida no km 180, em Santo Antônio do Matupi, (município de Manicoré, Diocese de Humaitá) onde a maior parte dos moradores e de madeireiras já passaram por Rondônia, encerrou com saldo de 9,2 milhões de reais em multas, segundo matéria do jornal A Crítica, de Manaus. Apreensão de madeira, caminhões, serarias, fechamento de serrarias e embargo de terras completa a descrição da intervenção das autoridades.

    Deputado preso estava envolvido em conflito agrário


    Armas apreendidas na fazenda de Valter Araújo.
    Foto Rondoniagora
    Deputado Valter Araújo, presidente da Assembléia Legislativa de Rondônia preso a passada sexta feira, 18 de novembro de 2011, estava envolvido no violento conflito agrário do Acampamento Morro Vermelho, em Jaci Paraná (Porto Velho). Na operação a PF apreendeu $R 219.000,00  e sete armas de grosso calibre. Valter Araújo estaria atrás de seus irmãos, que agiam em Jaci Paraná. Isto é o que afirmam os posseiros que se viram ameaçados de morte, as famílias despejadas por jagunços armados, queimadas as casas e uma das lideranças morta.  Leonel dos Santos Feitosa morreu o dia 12 de Novembro em acidente de moto muito suspeito, envolvendo uma Toyota Hilux preta, da qual foi achado apenas um retrovisor no lugar do acidente. A operação da Polícia Federal ta vez chegou tarde para ele.

    Ministro diz que solução de problemas indígenas em Mato Grosso do Sul é "questão de honra"


    Ministro diz que solução de problemas indígenas em Mato Grosso do Sul é "questão de honra" 
    O governo federal considera “uma questão de honra” a solução dos problemas enfrentados pelas comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul, segundo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Além da questão do território, a saúde e a educação são as principais preocupações do Estado.

    “Para nós, a questão indígena mais importante é Mato Grosso do Sul, onde a incidência de violência e morte é acentuada e a situação de perdas de criança nos ofende profundamente. Estamos fazendo todo o esforço [para reverter essa situação]”, disse o ministro à Agência Brasil.

    No dia 20 de outubro, representantes do governo visitaram a comunidade indígena Y’Poi, da etnia Guarani-Kaiowá, no município de Paranhos. Segundo Carvalho, um grupo de trabalho dedicado especificamente à questão indígena foi constituído. A Fundação Nacional do Índio (Funai) e o governo estadual participam do grupo.

    Um vídeo produzido pelo projeto Rede de Saberes, divulgado ontem (23), mostra como foi a visita de representantes do governo ao acampamento. Além de denunciar as ameaças de morte sofridas, os  indígenas pediram a conclusão do processo de demarcação de terras, escola para as crianças, liberdade para passar pela estrada entre o acampamento e uma fazenda, a oportunidade de plantar na área e condições de segurança.

    O secretário nacional de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, Paulo Maldos, aparece no vídeo comprometendo-se a atender a todos os pedidos da comunidade, principalmente os referentes à segurança. “Se um pistoleiro chegar, quero que a informação seja passada no mesmo dia para o meu telefone".

    Menos de um mês após a visita, houve um ataque de pistoleiros ao Acampamento Tekoha Guaiviry, no município de Amambai. Os índios disseram que o cacique Nísio Gomes foi morto e três moradores do acampamento sequestrados na última sexta-feira (18). O corpo do cacique desapareceu e ainda não há pistas sobre os desaparecimentos. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal abriram inquérito para investigar o caso.

    No próximo dia 28, um comitê gestor será instalado na cidade de Dourados. De acordo com o ministro Gilberto Carvalho, o governo federal vai divulgar uma série de políticas públicas para os cerca de 44 mil índios da região. “Está próximo [o fechamento de] um acordo com o governo do estado para que a gente consiga ter uma área delimitada para os Guarani-Kaiowá. É uma preocupação, um compromisso”, garantiu Carvalho.

    De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), nos últimos oito anos cerca de 200 índios foram mortos em conflitos de terra.
    (Por Daniella Jinkings, com edição de Graça Adjuto, Agência Brasil, 23/11/2011)

    1 Dossiê PM: A Era das Chacinas

     



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    Dossiê PM: A Era das Chacinas
    Apresentação
    A fim de contribuir para um melhorentendimentoacercados recentes acontecimentosenvolvendo a Polícia Militar e estudantes da USP, elaboramoso presentematerial, a partir derelatórios, notícias e textos coletadosda internet,para esclarecer alguns pontos da questão.Diferentemente do que diz a grande mídia, conhecidamente parcial e tendenciosa, os estudantesda USP, que protestam contra a presença da PM no campus, nãoreivindicamsimplesmentepeloprivilégio de poder fumar maconha impunemente na universidade, tal afirmação soa até absurda.Oincidente envolvendo estudantes portando maconhae aPMfoi apenas o estopim de umainsatisfação muito maior arespeitoda atuação da Polícia Militar, a questão é muito mais profunda:
    os estudantes questionam a própria corporação e a sua função na sociedade
    .No Brasil, a Constituição Federal de 1.988 proíbe a pena de morte (artigo 5º, inciso XLVII).Entretanto, podemos dizer que ela temsido “aplicada ilegalmente”. São chacinas e execuçõessumárias praticada por forças policiais, em serviço e fora de serviço, e mortes de pessoas que seencontram sob custódia e responsabilidade do Estado. Falamos de mortes que estão diretamenterelacionadas com torturas, maus tratos e condições degradantes a que são submetidos(as) os(as)detentos(as). São também as mortes de adolescentes nas unidades da FEBEM/Fundação CASA.Além das mortes de pessoas internadas em manicômios e casas de internação.A políciae o Estadoutilizama violência letal como uma forma de controle social(intimidando esilenciandoquem ousa questionar uma vidamiserávelesubmissa),direcionando-a, na maioria doscasos, contra pessoas não identificadas, em geral pobres, que são rotuladas como “suspeitas” deterem cometido algum crime ou mesmo de apresentarem uma “atitude suspeita”. As vítimas dessa“pena de morte” são, em sua grande maioria: jovens entre 15e24 anos de idade, moradores dasperiferias das grandes cidades, afro-descendentes em sua grande maioria e pobres no geral.A impunidade em relação aos casos de homicídios nas periferias é enorme. Não existe estímulo porparte dos organismos investigadores do Estado em revelar a autoria de tais mortes, muitas vezesporque existe oenvolvimento de policiais. Casos envolvendo policiais nas resistências seguidas demorte rarasàsvezes são investigados e chegam à justiça. Na sua maioria são arquivados e ospoliciais continuam a agir, sem qualquer responsabilização.A impunidade impera sobre cada um desses casos, o que passa a mensagem de que essas mortessão toleradas, “aceitas” e, em muitos casos, desejadas. Aceitar a morte de qualquer pessoa pelaação ou omissão dos agentes do Estado significa aceitar uma sociedade violenta, cruel,autoritáriae sem respeito aos direitos humanos. Qualquer pessoa pode se tornar vítima dessa “pena demorte”. Certamente que as classes populares são os principais alvos desse horror, já que além deterem seus direitos surrupiados cotidianamente, sevêemfurtados do acesso aos direitos maisbásicos e fundamentais.Por isso, precisamos nos perguntar:
    EXISTE PENA DE MORTE NO BRASIL? 
    (fonte: Dossiê: Mapas do extermínio: execuções extrajudiciais e morte pela omissão do Estado deSão Paulo)

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    Metodologia da Morte
    É notório o grau de letalidade das polícias brasileiras, sob qualquer ponto de vista que se analise aquestão. Nunca é demais começar lembrando o relatório de Philip Alston, relator da ONU paraExecuções Extrajudiciais que visitou o Brasil em novembrode 2007. Ele especifica explicitamenteque os policiais matam em serviço e fora de serviço.No primeiro caso a justificativa é o "confronto" e a execução é classificada como "resistênciaseguida de morte", porém nenhuma investigação é feita e nenhum policial é punido. Só seinvestiga sobre a vida pregressa do morto, para demonstrar que ele tinha antecedentes penais,portanto com a pretensão de assim justificar a execução. Aponta tambémque os policiais matamquando estão fora de serviço, através de "milícias", "grupos de extermínio" e "esquadrões damorte."No Estado de São Paulo as forças policiais e de segurança que operam nas ruas, composta poragentes do Estado, utilizam diversas métodos para matar:1) O mais praticado é aquele que é descrito como
    morte "em confronto" ou em "tiroteio"
    entrepessoas que estariam cometendo um delito, ou meramente praticando uma fuga, e agentes doEstado em serviço. Essa morte é registrada no Boletim de Ocorrência como "Resistência Seguida deMorte". O resultado é a totalimpunidade desses crimes através do seguinte mecanismo: ao invésde registrar-se o homicídio do agente do Estado, cabendo a ele e seus superiores provarem que ocrime foi cometido em legítima defesa, o inquérito é desviado para a "resistência" do morto. Comoo morto morreu o inquérito não vai adiante. Porém, no afã de justificar
    a posteriori 
    o crime, élevantada a vida pregressa do morto, na qual frequentemente irá se encontrar passagens pelosistema carcerário ou pela Febem.As ações–por mais distintasque possam ser–seguem um mesmo padrão: “desconhecido éavistado em atitude suspeita e, ao ser abordado, reagiu a tiros. No revide, veio a falecer”. Quandohá mais de um envolvido, o enredo muda um pouco: “abordados em atitude suspeita, enquantodirigiamum carro em alta velocidade, empreenderam fuga, atirando contra os policiais. Aobaterem o carro, um dos ocupantes saiu atirando contra a polícia, sendo atingido, enquanto ooutro conseguiu escapar”.Em todo caso, nessa categoria, tampouco seria possívelinvestigar o homicídio cometido peloagente do Estado porque esta modalidade é acompanhada de outras providências: esteja a vítima já morta ou semimorta, seu corpo é retirado do local do crime e levado para hospitais que passama constar como o local do óbito. A cena do homicídio é desfeita, as cápsulas deflagradas retiradas edesaparecem as evidências eventuais de que não houve confronto. Vários juristas já têm alertadopara o fato de que não existe a figura jurídica da "Resistência Seguida de Morte" e osdefensoresde direitos humanos defendem que essa figura seja banida dos Boletins de Ocorrência.2) Outra forma de matar, ultimamente amplamente disseminada, é
    o homicídio praticado poragentes do Estado fora de serviço,
    seja trabalhando em "bicos" ilegais, seja em sua vida privada.Também aí a descrição é semelhante à da "Resistência Seguida de Morte". Na narrativa dohomicida, ele, embora esteja à paisana, se identifica e dá "voz de prisão". A pessoa que estácometendo um delito ou que aparenta estar pretendendo cometer atira antes, o que obriga oagente a revidar, resultando, na quase totalidade dos casos, na morte daquele suspeito. A justificativa é a legítima defesa, mas também no caso não há nunca a análise do local do crime, asforças policiais, às vezes o próprio homicida, carregamo corpo (semi-vivo ou morto) para umhospital onde, invariavelmente,o suspeito "não resiste aos ferimentos"

    3) A terceira forma de matar, menos frequente mas que começa a generalizar-se, é o que seclassifica em geral de
    "bala perdida".
    Resulta de uma perseguição tresloucada, às vezes em buscade pessoas que estão cometendo pequenos delitos contra o patrimônio, (delitos de "bagatela"),que investemem locais públicos, sempre em bairros periféricos pobres ou favelas, contra operseguidor, terminando o agente por atirar a esmo. Dessa forma de comportamento dos agentesdo Estado resultam às vezes feridos, às vezes mortos. Quando um agente do Estado mata porengano, depois de criar situações que colocam em perigo a vida de várias pessoas, não podendoargumentar que o morto era um "bandido" ou um "suspeito", a explicação é mística: "foi umafatalidade".4) Além disso, uma forma mais rara, porém existente no Estado de São Paulo e que lembra osprocedimentos da ditadura militar,é
    o desaparecimento.
    A pessoa é presa por forças policiais,conforme testemunham pessoas da comunidade, e simplesmente desaparece. O maio sangrentode 2006 conta com quatro desaparecidos que foram vistos em mãos de forças policiais e nuncamais apareceram.5) Por fim é preciso registrar os mortos em
    chacinas
    , cometidas por homens na maior parte dasvezes encapuzados, com toucas ninja ou apenas vestidos de negro–também chamados de "gruposde extermínio"-mas que todos da comunidade sabem serem policiais.Consideramos, pelascaracterísticas das chacinas já desvendadas, que no Estado de São Paulo a maior parte delas écometida por agentes do Estado. A chacina que tem presente a marca de execução policial secaracteriza por: a) muitas vezes é precedida por uma ameaça ou exigência (extorsão) feita porforças policiais oficiais; b) é sempre cometida em locais públicos–praças, bares onde as pessoas sereúnem–como um aviso ao resto da comunidade que "os donos do pedaço" exigem respeito; c)havendo uma ou maispessoas que são o "alvo", todos os presentes são alvejados e em geralmortos; d) em geral os homicidas afastam-se calmamente; e) em geral, logo depois, aparecem–àsvezes sem que tenham sido alertadas–as forças policiais oficiais e praticam o mesmoprocedimento já descrito: desarranjam a cena do crime, recolhem os corpos (semi-vivos oumortos) e encaminham para os hospitais e recolhem as cápsulas deflagradas.A investigação policial raramente consegue desvendar a autoria dessas chacinas, resta saber seseesforça, talvez sabendo que a investigação levaria a seus colegas de trabalho, tendo importância ocorporativismo prevalecente. No entanto, algumas acabam sendo reveladas por outrosacontecimentos. Foi o que aconteceu quando do assassinato do coronel José Hermínio Rodrigues(início 2008): a investigação necessária foi obrigada a reconhecer a autoria de diversas chacinas deencapuzados e diversas execuções sumárias na Zona Norte de São Paulo como sendo cometidaspelos "Matadores do 18", isto é, do 18º Batalhão da Polícia Militar. É também o caso do grupo deextermínio chamado "Highlanders", formado por policiais militares do 37º Batalhão, que na ZonaSul de São Paulo cortava a cabeça de suas vítimas, e que veio à tona em 2009 a partir doassassinato de uma pessoa com deficiência mental.O Observatório das Violências Policiais-SP (http://www.ovp-sp.org/), utilizando-se de fontes daimprensa, cataloga e armazena os dados de todos os crimes praticados por agentes do Estado quese valem da sua posição de autoridade para matar, bem como o nome das vítimas e a data e localdo crime. Cataloga e armazena também os mortos em chacinas com as características acimarelatadas.(fonte: Dossiê: Mapas do extermínio: execuções extrajudiciais e morte pela omissão do EstadodeSão Paulo)

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    Dossiê Polícia Militar de São Paulo
    A História da PM-SP
    A polícia no Brasil(e no mundo)foi criada para ter a função derealizar ocontrole social dosexcluídos e defesa das classes dominantes.A Polícia Militarno Brasilsurge depois dogolpe civil-militar de 64,o decreto nº 1.072 de 30 de dezembro de 1.969 extingui as Guardas Civis do Brasil,anexando-as às Forças Militares Estaduais.O papeldas Polícias Militares(em todo oterritóriobrasileiro)eraode atuar no campo civil com o intuito deinvestigare silenciar possíveis adversáriospolíticos contrários à ditadura militar, de forma azelar pelo regime militar instaurado, sob aalegação de defendera abstrata “segurança pública”.Aorigemda PM-SPnosremeteàcriação da Milícia Bandeirante(MB) em 15 de dezembro de 1.831(anterior a abolição da escravatura, 13 de maio de 1.888).Éda história dessacorporação,orgulhosamente reivindicada pela PM-SP,perseguirnegros ereprimirmanifestações popularesemovimentos sociais,ou seja,coibirqualquer forma deinsubordinação ouquestionamentoàumaordem socialinjustaque explora e oprime a maior parcela da população.No site da PM de SP (http://www.polmil.sp.gov.br/inicial.asp
    A corporação
    Brasão de Armas)podemos verclaramenteno Brasão de Armas da PM-SPa exaltação que a corporação fazà MB.Obrasãoda PM-SPpossui:afigura de um Bandeirante, personagemvergonhoso da históriabrasileira, que adentrava as florestas brasileiras para perseguir escravos foragidos e capturar novos;um Soldado da época da criação da Milícia, que segue a tradição repressora aos excluídos dosbandeirantes; 18 estrelas de cinco pontas, exaltando momentos lamentáveis da história brasileira;entre outros elementos.
    BRASÃO DE ARMAS DA PM-SP

    sábado, 19 de novembro de 2011

    Governo Federal é o responsável por mais uma chacina de indígenas no Mato Grosso do Sul









    Inserido por: Administrador em 18/11/2011.
    Fonte da notícia:
     Conselho Indigenista Missionário (Cimi)

    Nota Pública

    Governo Federal é o responsável por mais uma chacina de indígenas no Mato Grosso do Sul

    O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) vem a público responsabilizar a presidenta da República, Dilma Rousseff, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o presidente da Funai, Márcio Meira e o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli pela chacina praticada contra a comunidade Kaiowá Guarani do acampamento Tekoha Guaiviry, na manhã desta sexta-feira (18).

    A comunidade foi atacada por pistoleiros fortemente armados. Segundo informações apuradas junto a indígenas que sobreviveram ao ataque, os pistoleiros executaram o cacique Nisio Gomes e levaram seu corpo. Os relatos ainda dão conta de indígenas feridos por balas de borracha e de três jovens baleados: dois estão desaparecidos e outro se encontra hospitalizado.

    O governo da presidenta Dilma, perverso e aliado aos latifundiários criminosos de Mato Grosso do Sul, insiste em caminhar para o massacre e se encontra banhado em sangue indígena, camponês e quilombola. Tais acontecimentos colocam em dúvida a capacidade do Ministério da Justiça em coibir as violências, bem como de sua isenção quanto aos fatos, uma vez que as violências naquele Estado são sistemáticas e o ministro da Justiça não cumpre com suas responsabilidades em demarcar e proteger as terras indígenas.

    Por outro lado, a Polícia Federal – submetida ao Ministério da Justiça - tampouco investiga os assassinatos dos indígenas. A impunidade recarrega periodicamente as armas de grosso calibre e joga sobre as ações dos pistoleiros e seus mandantes o manto de um Estado cada vez mais esfacelado, ausente, inoperante e inútil aos mais necessitados. A Polícia Federal precisa, conforme é de sua incumbência, investigar exaustivamente o crime, proteger a comunidade e apresentar os criminosos.

    Já Dilma Rousseff precisa responder por mais esse ataque. Basta! É hora de alguém ser responsabilizado por esta barbárie e completo ataque aos direitos constitucionais e humanos no Mato Grosso do Sul. O Poder Executivo tem sido omisso, negligente e subserviente. Com isso, promove e legitima as práticas de violências. O ministro da Justiça recebe latifundiários, mas não cobra Márcio Meira, presidente da Funai, sobre o andamento do processo de identificação e demarcação das terras indígenas que desde 2008 caminha de forma lenta – enquanto a morte chega cada vez mais rápida aos acampamentos indígenas.   

    Por fim, ressalta-se que as comunidades acampadas no Mato Grosso do Sul estão unidas contra mais este massacre, numa demonstração de profundo compromisso e firme decisão de chegar aos territórios tradicionais. Indígenas de todo o Estado se dirigiram ao acampamento tão logo souberam do covarde ataque. Na última quarta-feira, inclusive, estiveram lá para prestar solidariedade aos Kaiowá Guarani que retomaram um pequeno pedaço de terra mesmo sob risco de ataque – o que aconteceu, mas sem maiores repercussões.

    O Cimi, mais do que nunca, acredita que a força, beleza e espiritualidade desses povos os manterão firmes e resistentes na luta, apesar de invisíveis aos olhos de um governo que escolheu como aliados os assassinos dos índios brasileiros.

    Brasília, 18 de novembro de 2011.

    Conselho Indigenista Missionário (Cimi)