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domingo, 4 de março de 2012

INSTITUTO NACIONAL DE FORMAÇÃO CAMPONÊS ADELINO RAMOS (INFCAR)


EM DEFESA DA JUSTIÇA, EM DEFESA DAS LUTAS SOCIAIS, E EM DEFESA DA REFORMA AGRÁRIA.


Baseado nos princípios de Adelino Ramos é que foi criado o INSTITUTO NACIONAL DE FORMAÇÃO CAMPONÊS ADELINO RAMOS (INFCAR), fundado em 27 de Julho de 2011 e constituído em 28 de Janeiro de 2012, é uma Organização de Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP, com personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, e duração por tempo indeterminado, tendo como sede inicial o município de Osasco.

Este Instituto tem como finalidade dar continuidade a luta pela causa, atribuída a Adelino Ramos, conforme estabelecido em seu Parágrafo Único, que indica:

Parágrafo Único: exercerá suas atividades com base no seu Estatuto, na declaração Universal dos Direitos do Homem, na Lei 9.790/99 e demais legislações pertinentes, tendo como missão: “defender a cultura e identidade amazônicas, promovendo a integração entre o homem e a natureza e contribuir para a promoção humana através do desenvolvimento justo, solidário, democrático e participativo”, aprovado em resolução da Assembleia Geral.

Apesar de consideramos que Reforma Agrária deve ser um compromisso do governo Brasileiro, sabemos que sem a união dos Movimentos Sociais ela não ocorrerá de acordo com anseios da Classe Trabalhadora, principalmente dos Trabalhadores Rurais, pois infelizmente uma parte deste governo esta de mãos atadas a este Sistema Capitalista.

Além da Reforma Agrária e preocupação com o meio ambiente, deveremos estar atentos e participar nas lutas que reivindicam uma verdadeira Reforma Social, que passa por:
-  Educação e um Sistema de Saúde, Público, de Qualidade e Gratuito;
-  Reforma Urbana, para que todos os trabalhadores(as), tenham direito a uma moradia digna, contra a exploração acerbada da especulação Imobiliária;
-  Distribuição de Renda mais justa para a Classe Trabalhadora;
-  Entre outras, de interesse social.

Por isto consideramos que só com a união de todos os envolvidos nestas lutas é que ocorrerá a verdadeira transformação social que o nosso país necessita, e por este mesmo motivo o Instituto deverá permanecer apartidário, e inspirado nos ideais de Adelino Ramos, atuaremos pelas causas deste povo que tanto é massacrado.



Blogs Colaboradores:


sábado, 3 de março de 2012

MST: mulheres ocupam fazenda da Suzano Papel e Celulose na Bahia - Portal Vermelho


Mais de 1.100 mulheres camponesas participaram da ocupação


01/03/2012 - Da Página do MST















Mais de 1.100 mulheres camponesas de acampamentos e assentamentos do MST no Sul da Bahia ocuparam a fazenda Esperança, localizada no município de Alcobaça, de propriedade da empresa paulista Suzano Papel Celulose, na manhã desta quinta-feira (1/3).


A ocupação, que faz parte da jornada de lutas das mulheres camponesas, organizada pela Via Campesina Brasil em torno do dia internacional de luta das mulheres, o 8 de março, cobra do Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (Incra) agilidade nos processos de desapropriação dos latifúndios das grandes áreas do monocultivo de eucalipto.


O Grupo Suzano, que atua em diversos segmentos econômicos, controla 771 mil hectares, dos quais 326 mil de monocultura de eucalipto, concentrados na Bahia, no Espírito Santo, em São Paulo, em Minas Gerais, no Maranhão, no Tocantins e no Piauí.


Esse modelo de produção amplia o desmatamento da Mata Atlântica, descumprindo as determinações do Código Florestal vigente, que obriga a preservação da Reserva Legal e das Áreas de Preservação Permanente, as APPs.


Dessa forma, as 23 mil famílias Sem Terra acampadas na Bahia poderiam ser assentadas, uma vez que as papeleiras não cumprem a função social da terra, como determina a Constituição.


Além disso, as mulheres camponesas denunciam que o Estado brasileiro prioriza o modelo do agronegócio, fazendo por meio de bancos públicos repasses para as empresas privadas do eucalipto e exigem investimentos do governo estadual e federal nos assentamentos da região.


Com essa ocupação, as mulheres denunciam com a ação o descaso social e ambiental que as empresas monocultoras de eucalipto praticam na região, aumentando a pobreza e desigualdade social com a expulsão das famílias do campo.


O êxodo rural provoca o inchaço dos grandes centros urbanos, onde a população não tem os direitos sociais garantidos e são vítimas do aumento da violência. A região Sul da Bahia é considerada uma das mais violentas do país.


Essa é a 2ª ocupação de mulheres trabalhadoras rurais em uma área de eucalipto na região Extremo Sul da Bahia. A primeira aconteceu no dia 28 de março de 2011, no município de Eunápolis, na fazenda Nova América, de propriedade da Veracel.


A Veracel é um oligopólio transnacional criado com a parceria de duas empresas líderes no setor de celulose e papel, a brasileira Fibria e a sueco-finlandesa Stora Enso.


A empresa controla 119.000 hectares de terra nos municípios de Eunápolis, Canavieiras, Belmonte, Guaratinga, Itabela, Itagimirim, Itapebi, Mascote, Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália.No ano passado, foram ocupadas diversas áreas dessa empresa e os trabalhadores rurais pressionam para transformá-las em assentamentos. (Fotos: MST-BA)


Fontes: 
MST: mulheres ocupam fazenda da Suzano Papel e Celulose na Bahia - Portal Vermelho


http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=176883&id_secao=8




Mulheres camponesas ocupam fazenda da Suzano Papel e Celulose no Sul da Bahia | Brasil de Fato 
http://www.brasildefato.com.br/node/8927


Do original em:
Mulheres camponesas ocupam fazenda da Suzano Papel e Celulose no Sul da Bahia | MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra
http://www.mst.org.br/Mulheres-camponesas-ocupam-fazenda-da-Suzano-Papel-e-Celulose-no-sul-da-Bahia


Postado por Claudio Roberto Angelotti Bastos


ICMBIO anuncia retirada de 28 famílias da Flona Bom Futuro



Floresta Nacional do Bom Futuro  (Foto: Sipam/Divulgação)
Ocupantes da Flona Bom Futuro. Foto SIPAM
Segundo diversas informações, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO)anuncia a retirada de 28 famílias da Floresta nacional Bom Futuro, em Porto Velho. Segundo Ana Rafaela D’Amico, coordenadora regional do ICMBIO de Porto Velho, explica que operação irá retirar pelo menos 28 famílias de novos invasores.  Segundo estas informações vários delas disseram que só vão sair presos. "A gente vai organizar a operação de forma a evitar que isso aconteça e resolver da forma mais pacífica possível, inclusive com a participação da Ouvidoria Agrária na operação de desocupação. Não será tolerada nenhuma reocupação na área. A gente vai manter a Flona sem ocupantes”, avisa. Ana Rafaela.
As famílias teriam invadido e desmatado a reserva federal na região de Jaci Paraná, depois do acordo que desmembrou da FLONA a localidade de Rio Pardo. Há três anos, um acordo entre os governos federal e estadual acabou separando da mata fechada o distrito de Rio Pardo, onde vivem cerca de 1, 6 mil famílias. A pequena cidade tinha sido criada clandestinamente dentro da Flona com anterioridade. Segundo o acordo Rondônia repassou para a União 200 mil hectares de áreas preservadas em troca do distrito e das áreas exploradas, num total de 183 mil hectares. A Floresta Nacional foi reduzida a 90 mil hectares.
Segundo o ICMBIO "Em 2009, o acordo previa o fim dos desmatamentos na região. Mas de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, nada disso aconteceu. Segundo dados do INPE, de todos os desmatamentos que aconteceram em Rondônia, só em 2011, 10% foram registrados justamente no município de Rio Pardo. O pior é que novas invasões voltaram a ser registradas na Flona. O Instituto Chico Mendes de Proteção da Bio Diversidade é o responsável pela manutenção da Floresta Nacional. Há invasores que abrem picadas, demarcando áreas, depois desaparecem durante meses. Mas retornam com ameaças à fiscais e policiais militares na Base do ICMbio. Nos últimos dias o policiamento teve que ser reforçado.

Outras fontes: G1e Rondoniadinámica.

Matam dois acampados em Machadinho d' Oeste, Rondônia



A direita o pecuarista Nilson Japonés, da fazenda Paredão, do PMDB do Vale do Anari.














Duas lideranças do Acampamento Canaá II, de Machadinho d' Oeste foram mortos os últimos dias nas proximidades do Vale do Anari, em Rondônia. Gilberto Tiago Brandão, foi atirado quinta feira dia 23/02/12 e morreu o sábado seguinte no Hospital João Paulo II de Porto Velho. Ele teria sido atirado com balas de calibre 12, disparadas pelas costas por desconhecido de capacete e jaqueta de cor escura. O fato aconteceu nas proximidades do Distrito do 5o BEC, quando voltava de moto do acampamento, situado em terras em conflito com a Fazenda Paredão. Já ontem, dia 01 de março, teria sido assassinado também a principal liderança do acampamento.

Conhecidos do falecido Gilberto desmentem que ele tivesse sido apenado ou foragido do sistema prisional, como tem publicado alguns meios de comunicação. Por outro lado existe muito temor de que outras mortes continuem e populares relacionam estes assassinatos com outros quatro na mesma região, de membros duma mesma família em julho de 2010. Estes fatos confirmam a espiral de violência agrária em Rondônia, que somente poderá reduzir a procura de maior justiça na distribuição da terra, com implementação de reforma agrária e o combate a impunidade dos crimes acontecidos. Segundo informações recebidas, um japonés que foi viceprefeito do Vale do Anari reivindica a propriedade das terras da Fazenda Paredão, que foi ocupada por um grupo de 20 famílias."O certo seria que todo o mundo tivesse terra", afirmavam revoltados conhecidos das vítimas. Os fatos foram denunciados ao Ministério Público em Porto Velho. Segundo um site da região, a primeira morte foi registrada na ocurrência de número 416/12, na primeira Delegacia da Polícia Civil de Machadinho d' Oeste.

Araucárias, peixes e chimarrão | ParanáBlogs Por Selvino Heck

Direto de Paranablogs:

Por Selvino Heck*

O local é o Assentamento Contestado, município de Lapa, Região Metropolitana de Curitiba, Paraná. São 108 famílias, assentadas em 7 de fevereiro 1999, portanto há 13 anos. No assentamento, funciona a Primeira Escola Latino-americana de Agroecologia, que começou em 2005 e agora em 2012 vai iniciar o terceiro curso superior de três anos e meio.

O assentamento surgiu depois de uma ocupação no governo Fernando Henrique, conforme contou o Luís, assentado. E logo começaram a lutar por luz elétrica, por construção de casas, poço artesiano, “uma coisa atrás da outra: casa, água, projetos”. E uma parte das famílias começa a produção agroecológica. “São alimentos mais saudáveis, plantados para vender e para consumo próprio”.

Dona Maria, assentada, disse que esta é uma terra de conquista, campo e cidade se unindo: “Povo de Deus em marcha, povo de Deus em luta”. Fazem trabalho comunitário de ervas medicinais e métodos naturais no assentamento.

Edson, coordenador da escola explica que o Projeto Político Pedagógico da Escola Latino-Americana de Agroecologia é baseada em Paulo Freire, na pedagogia da alternância e em outras pedagogias. E hoje já está sendo criada uma Rede de Escolas Agroecológicas: na Venezuela, Paraguai, Amazônia e uma no Equador em debate.

Foi quase um retiro no meio do mato. Celular só pegava numa elevação e curva da estrada, olhando para as araucárias e o verde ao redor, ‘depois da caixa dágua’, explicou o Edson, ‘e pega qualquer celular chinfrin’. Quartos coletivos, beliches, de vez em quando um banho frio, como convém numa escola de um assentamento do MST, um roncando ao lado do outro, comida caseira gostosa, produzida pelos próprios assentados.

É o 8º Encontro Macro Sul da Rede de Educação Cidadão (Recid), 60 educadoras e educadoras do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul: as araucárias, os peixes e o chimarrão. O objetivo é preparar as ações da Recid Sul – Articulação de educadores e educadoras de movimentos sociais e populares, pastorais, ONGs, surgida em tempos de Fome Zero, 2003, Frei Betto assessor especial do presidente Lula – e discutir o plano de formação da rede em nível nacional, em preparação ao 11º encontro nacional a realizar-se em março, em Luziânia (GO), na Chácara do Cimi.

O primeiro passo é atualizar a conjuntura mais recente dos três estados. O Rio Grande do Sul está com governo novo “com abertura maior para o diálogo e com um olhar diferenciado sobre as políticas públicas que venham de encontro às necessidades da população gaúcha”. O governo Tarso Genro segue a linha do governo federal. “Nesse sentido vivenciamos uma maior abertura para o diálogo, criação de grupos de trabalho nos mais variados temas, relação amistosa com os movimentos sociais, diminuindo a criminalização e com absorção de suas demandas”.

Paraná e Santa Catarina continuam com governos conservadores, mesmo com a mudança partidária do governador de Santa Catarina, que se aproximou do governo federal. No Paraná, o agronegócio é politicamente engajado e há fragilidades e fragmentação dos movimentos sociais, com muitos grupos pequenos, com dificuldade para falarem entre si. Mas ambos os estados têm experiências interessantes na área da agroecologia, da luta por moradia, com a juventude.

Cada Estado apresentou suas experiências. O Rio Grande do Sul faz as jornadas pedagógicas, “pensadas a partir de uma proposta de contribuição das lutas com os movimentos sociais, com temas como Mulheres e Relações Gênero, Trabalho e Economia Solidária, Juventude, Direito à Cidade e os Impactos da Copa do Mundo, a Consciência Negra e o papel do Negro, Justiça Social e ambiental na cidade”.

A Recid-PR divide as atividades a partir de quatro eixos centrais: educação popular, articulação campo-cidade, juventude e economia solidária, sendo a educação popular um eixo transversal. Fazem um encontro mensal na última quinta e sexta de cada mês para estudar a educação em Paulo Freire.

A Recid-SC está dividida em núcleos, com temas como direitos humanos – egressos, apenados, familiares contra a tortura; e educação – educação popular como política pública –; Educação de Jovens e Adultos; Teatro do Oprimido; segurança alimentar e nutricional; democracia participativa.

Conhecida a realidade, foram elencados desafios: articular as lutas dos movimentos com lutas pela democratização dos estados; contribuir para a organização de base; fortalecer a formação de subjetividades e valores; disputar as prioridades dos governos sob a perspectiva de um projeto popular; fortalecer as práticas de economia solidária e de construção de um modelo de produção agroecológico; aprofundar o estudo do descenso das lutas populares frente ao crescimento de uma nova classe trabalhadora; dar continuidade aos trabalhos de base; sistematizar experiências e ações; qualificar as políticas e programas sociais a partir de uma perspectiva emancipatória que garanta atividades de formação.

A mística final envolveu a lembrança da Guerra do Contestado, acontecida na região há um século: “Rememoramos o misticismo e os ideais de sociedade de ‘uma brava gente brasileira’, que carregou na alma símbolos de representação: nas mãos, escassas armas; e no coração a fé e o estigma de morrer por uma pátria que a renegou. Essa brava gente praticava a agricultura de subsistência, formava grupamentos e vivia como posseiros e sitiantes, resultantes de uma mistura de grupos humanos com diferentes origens, descendentes de tropeiros, refugiados farroupilhas, indígenas, em especial kaingangues. E resistiram ao poder de então. Esse Assentamento do Contestado “representa a memória viva de todos os caboclos e caboclas que tombaram. Memória viva e presente do monge José Maria, da Chica Pelega”. Ao final, educadores e educadoras das araucárias e do pinhão do Paraná, dos peixes de Santa Catarina e do chimarrão do Rio Grande do Sul cantaram: “Povo que ousa sonhar, constrói o poder popular”.


 * Selvino Heck é assessor especial da Secretaria Geral da Presidência da República

Araucárias, peixes e chimarrão | ParanáBlogs
http://paranablogs.wordpress.com/2012/03/02/araucarias-peixes-e-chimarrao/#more-4016
Poderá também conferir em:


sexta-feira, 2 de março de 2012

A Amazônia, segundo um morto e um fugitivo

Dois homens denunciaram a quatro órgãos federais e dois estaduais uma milionária operação criminosa que rouba ipê de dentro de áreas de preservação da floresta amazônica, no Pará. Depois da denúncia, um foi assassinado – e o outro foge pelo Brasil com a família, sem nenhuma proteção do governo. A partir do relato desses dois homens, é possível unir a Amazônia dos bárbaros à floresta dos nobres


Por ELIANE BRUM

João Chupel Primo é o morto. Junior José Guerra é o que luta para se manter vivo, depois de pedir e não receber proteção das autoridades. Eles denunciaram o que pode ser uma das maiores operações criminosas de roubo de madeira na Amazônia. Segundo testemunhas, as quadrilhas chegaram a transportar, em um único dia, cerca de 3.500 metros cúbicos – o equivalente a 140 caminhões carregados de toras e 3, 5 milhões de dólares brutos no destino final. A maior parte da produção é ipê, hoje a madeira mais valorizada pelo crime organizado pelo potencial de exportação para o mercado internacional. Toda a operação passa por uma única rua de terra de um projeto de assentamento do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra), controlado por madeireiros: o Areia, localizado entre os municípios de Trairão e Itaituba, no oeste do Pará. Pelo menos 15 assassinatos foram cometidos na região nos últimos dois anos por conflitos pela posse da terra e controle da madeira. Este é o começo da explicação de por que João Chupel Primo morreu – e Junior José Guerra precisa fugir para não ter o mesmo destino.

Os dois denunciaram a operação criminosa de extração de madeira no mosaico de unidades de conservação da região da BR-163 e da Terra do Meio para os seguintes órgãos federais: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Polícia Federal e Secretaria Geral da Presidência da República. Também fizeram denúncias ao Ministério Público Federal e também ao Estadual, além da Polícia Civil do Pará. Pouco aconteceu, além da execução de Chupel.

Na tarde de 20 de outubro de 2011, João Chupel Primo detalhou o esquema em uma reunião com o procurador Cláudio Terre do Amaral, que durou 1 hora e 20 minutos, na sede do Ministério Público Federal em Altamira. Participaram dessa reunião várias pessoas, entre elas uma representante da Secretaria Geral da Presidência da República. Na reunião, Chupel afirmou que decidiu procurar o Ministério Público Federal de Altamira porque já denunciara a outros órgãos e nada havia acontecido. Nos dias 6 e 8 de setembro, por exemplo, ele e Junior haviam dado um depoimento, em Itaituba, à Polícia Federal e ao ICMBio, autarquia do governo federal responsável por fiscalizar e proteger as unidades de conservação. Depois de fazer mais uma vez a mesma denúncia, Chupel afirmou: “Daqui, eu só tenho um caminho”. Fez uma pausa antes de continuar: “Pro céu”.

Menos de dois dias depois, em 22 de outubro, João Chupel Primo foi executado com um tiro na cabeça, dentro de sua oficina mecânica, em Itaituba, à beira da Transamazônica. Junior trancou-se com a mulher e os dois filhos, de 12 e 14 anos, dentro da sua casa, no município de Trairão, nas proximidades da BR-163, e postou-se com uma espingarda na mão. Às 6h da manhã seguinte, uma viatura da Polícia Rodoviária Federal finalmente alcançou a porta de sua casa. Ao ouvir as portas do carro batendo, Junior empunhou a espingarda. Sua mulher chorava: “Você acha que vai conseguir nos defender com uma espingarda? Você nunca deveria ter denunciado”. Ao perceber que quem estava ali era a PRF, Junior jogou a espingarda embaixo da cama. Ele e a família foram levados a Santarém e, de lá, Junior foi a Brasília, para, mais uma vez, fazer as mesmas denúncias.

Ao voltar da capital federal, Junior viajou a Itaituba para recolher provas e documentos na casa de João Chupel Primo. Lá, foi perseguido por um pistoleiro conhecido como “Catarino”. Conseguiu escapar. Mesmo assim, Junior não foi aceito no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos. Neste programa, pessoas ameaçadas de morte vivem sob escolta, mas continuam atuando em suas comunidades. Para Junior foi oferecido ingressar no Provita – um programa em que testemunhas com risco de morte trocam de identidade, rompem todos os laços e passam a viver em outra região do país, sem contato com a vida anterior. Junior recusou. “Eu quero proteção para voltar lá no Areia e ajudar a criar uma estrutura em que a comunidade tenha condições de trabalhar na legalidade e viver em paz”, afirma. “Por que eu tenho de me esconder e perder tudo o que eu construí na minha vida, e os bandidos continuam lá? O governo quer me esconder para continuar não fazendo nada.”

É difícil compreender por que Junior José Guerra foi entregue à própria sorte. Se não fosse por razões humanitárias, pelo menos deveria contar o serviço que prestou ao Brasil. Segundo Ubiratan Cazetta, procurador-chefe do Ministério Público do Pará: “As denúncias são as mais detalhadas e concretas já feitas sobre aquela região”. Segundo Rômulo Mello, presidente do ICMBio: “Essa foi uma denúncia qualificada, que nos permitiu chegar a dados importantes”. A partir das informações de Chupel e Junior, o ICMBio fez duas operações na região. Na segunda, apreendeu 5 mil metros cúbicos de madeira – 90% deles ipê – e seis tratores, além de aplicar multas no total de R$ 6,4 milhões. Segundo André Villas-Bôas, secretário-executivo do Instituto Socioambiental, organização não governamental com maior atuação na Terra do Meio: “O ISA trabalha diretamente com a Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio e acompanha a agonia dos moradores em ver os recursos naturais serem saqueados, ano após ano, sem ter informações que explicitem esses esquemas. As denúncias permitiram que isso acontecesse. Junior Guerra apresentou informações muito qualificadas e seria absurdo não proteger essa testemunha, sujeitando-a ao assassinato”.

Dias antes do Natal, fui procurada por Junior José Guerra por meio de uma pessoa em comum. Ele pegaria o primeiro dos muitos ônibus de uma nova rota de fuga quando conversamos pela primeira vez. Ponderei que seria perigoso ele expor sua identidade em uma reportagem. Junior manteve-se irredutível. “Quem quer me matar conhece muito bem a minha cara e tem fotos minhas. Já fiz denúncias em todos os lugares e, mesmo assim, ninguém está preso. Minha única chance de permanecer vivo é fazendo com que o Brasil conheça a minha história”.

Antes de empreender uma viagem da qual não sabia se desembarcaria vivo, Junior me repassou os documentos que entregara a órgãos do governo e ao Ministério Público Federal, gravações feitas por João Chupel Primo e também suas fotos para publicar na reportagem. Tudo o que está dito aqui é de conhecimento das autoridades, há meses, desde o tempo em que Chupel ainda respirava. Neste exato momento, o que está em jogo é a vida de Junior José Guerra. E o que está em suspenso é a capacidade do governo de proteger a floresta e os brasileiros que vivem nela.

O começo da história

A trajetória de João Chupel Primo, 55 anos, e de Junior José Guerra, 38, evoca duas perguntas intrigantes. Como o ipê é tirado, em grande volume, de dentro de unidades de conservação protegidas por decreto federal? Como Chupel e Junior denunciam uma operação criminosa a autoridades de diversas instâncias, e, mesmo assim, um é assassinado e o outro é obrigado a fugir?

No início de 2004, a situação no oeste do Pará era crítica. Grileiros dominavam a região pela força, ameaçando a sobrevivência da floresta e dos povos da floresta. Naquele momento, o interesse era botar a mata abaixo e transformá-la em pasto para boi como forma de garantir a posse da terra. Na área conhecida como Riozinho do Anfrísio, cerca de 200 pessoas, descendentes de soldados da borracha abandonados na selva depois que o preço do látex desandou, defendiam a floresta e o seu direito de permanecer nela à custa da própria vida. Viviam da extração da castanha, do óleo da copaíba e da pesca – e à margem do Estado, que ignorava sua existência. Para expulsá-los, pistoleiros começaram a incendiar suas casas e a ameaçá-los de morte. A resistência da população extrativista levou a então ministra do Meio Ambiente Marina Silva a intervir. E em 8 de novembro de 2004, o governo Lula criou a Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio. Essa história foi contada em duas reportagens: “O Povo do Meio” e “Nasce o País dos Raimundos”.

A partir de 2004, o governo federal criou um mosaico de unidades de conservação na Terra do Meio. Parecia uma grande vitória da sociedade contra o crime. Teria sido, se o Estado tivesse continuado a fazer a sua parte. Antes da criação da reserva, o líder extrativista Raimundo Belmiro estava jurado de morte. Hoje, voltou a estar jurado de morte, como foi denunciado nesta coluna, em “Cabeça a prêmio: R$ 80 mil”. Desde então, Raimundo vive sob escolta da guarda nacional.

Por quê?

A resposta pode ser encontrada nas denúncias de João Chupel Primo e Junior José Guerra. O conjunto de áreas de preservação foi criado, mas a ocupação pelo Estado ainda está muito aquém do necessário. Em vez de abandonar a região, os grileiros apenas mudaram de atividade. Em lugar de abater a floresta para fazer pasto, passaram a extrair árvores nobres de dentro das áreas de proteção. Saiu a pecuária, entrou a madeira. Na prática, como o governo federal, seja pelo motivo que for, não fiscaliza como deveria, a mudança do modelo de negócio tornou o crime mais eficaz.

Há lógica na mudança de atividade. O gado exige uma estrutura maior e mais permanente do que a madeira. Os bois têm marcas, as toras não. A floresta abatida aparece facilmente nas medições de desmatamento. A extração de madeiras escolhidas, como o ipê, exige trabalho de campo e tecnologias elaboradas para que se possa enxergar. A grosso modo, é a diferença entre implodir um edifício – algo que todo mundo vê – ou apenas saqueá-lo por dentro. Você olha por fora e acha que está tudo bem com ele. Mas, se entrar, percebe que é uma carcaça.

Na prática, os grileiros continuaram agindo como se fossem os legítimos donos da terra, com territórios delimitados e assegurados pela força. A estrutura das quadrilhas é semelhante: em geral, há um “dono da terra”, que recebe entre 25% e 30% para permitir a retirada da madeira de sua “propriedade”. É dele a obrigação de garantir a segurança, eliminando as resistências de ribeirinhos, indígenas e assentados para que o “trabalho” se desenvolva sem percalços. Para isso, o “dono da terra” mantém uma espécie de milícia e um comandante. Quem paga a comissão para o “dono da terra” e se responsabiliza pela extração da madeira é o “extrator” – ou “gato”. Para isso, ele comanda várias equipes de pessoas para o abate da madeira. Quem se opõe à operação e a denuncia, como o líder extrativista Raimundo Belmiro, passa a ser jurado de morte. Se nem assim a pessoa se cala, só há dois caminhos: ou será protegido pela guarda nacional, como Raimundo; ou passa de marcado para morrer a morto, como Chupel.

Junior José Guerra está numa espécie de limbo. Por um lado, botou todos os documentos e gravações nas mãos das autoridades, mas isso não lhe garantiu a proteção do Estado. Agora, ele não tem nenhum trunfo para trocar pela vida. E está sendo caçado.

A trajetória de João Chupel Primo – o morto

Conhecido na região de Itaituba como “João da Gaita”, João Chupel Primo era um gaúcho que migrou por vários estados até chegar à Amazônia e ao Pará. Nas festas, sempre dava um jeito de arrancar algumas músicas gauchescas da sua gaita. Até transformar-se em denunciante, costumava ser visto com desconfiança pelas lideranças que combatiam a grilagem. Dono de uma oficina mecânica em Itaituba, Chupel havia “comprado” uma área de terra no Riozinho do Anfrísio. Para fazer o negócio, fez sociedade com um grupo de pessoas da cidade de Sorriso, no Mato Grosso. O chamado Grupo Sorriso é um dos quatro que loteiam as unidades de conservação, traçando um mapa próprio de registro de imóveis em área pública.

Duas fortes razões – e como ele está morto não é possível saber qual delas pesou mais – levaram Chupel a denunciar um esquema do qual chegou a participar:

1) Em 2011, começou a rarear o ipê no território do grupo de Carlos Augusto da Silva, o Augustinho, que chegou a ser preso pela morte de Chupel, durante a operação do ICMBio e PF, e foi libertado logo depois. Não apenas conhecido, mas temido em toda a região como o mais violento chefe do crime organizado, Augustinho passou a invadir a área do Grupo Sorriso para roubar madeira. Chupel foi tomar satisfações. Acabou espancado. Mais tarde, ele apresentaria às autoridades uma caderneta com manchas do sangue deste dia. No papel, anotações dos pontos de GPS onde a madeira fora abatida em sua “propriedade”. Acuado, Chupel já sabia que não poderia contar com a polícia local. Então, em agosto, procurou o Ministério Público Estadual, em Itaituba. E, em setembro, deu um depoimento à Polícia Federal e ao ICMBio, também em Itaituba. Em uma gravação, que entregou às autoridades, há o seguinte diálogo:

Augustinho - A polícia tem me ajudado muito!

Chupel - É, se eles não viessem ontem aqui, ficava difícil... Foi bom eles terem vindo, né?

Augustinho – (...) O comandante tá junto com a gente direto!

Chupel - Pois é...

Augustinho - Eu tenho que dar um dinheiro pra eles, uns mil, dois mil real.


2) No início de 2011, Chupel perdeu seu único filho, eletrocutado em um torno da oficina mecânica. Em seguida, a mulher o abandonou. Segundo amigos, Chupel concluiu, por um lado, que não tinha mais para quem deixar seu patrimônio; por outro, começou a pensar em sua situação com Deus. Chupel é descrito como um católico fervoroso, com “conhecimento profundo da Bíblia”. Depois da perda do filho, passou a enxergar estrelas nas fotos que costumava tirar do entardecer. Numa viagem de carro, achou que uma delas o acompanhava. Acreditava ser um sinal do filho morto. Nas gravações, ele intercala as denúncias com frases sobre Deus. Chupel estava em busca de sentido, como acontece com tanta gente depois de uma perda. E isso o fragilizou diante de homens como Augustinho. Não há tempo para luto em terras de pistolagem.

É assim que João Chupel Primo começa a gravar conversas comprometedoras e a juntar documentação. É assim que ele começa a denunciar a operação criminosa às autoridades. E é assim que ele morre com um tiro na cabeça, a quatro metros de onde o filho perdeu a vida.

A trajetória de Junior José Guerra – o fugitivo

Junior José Guerra comunga da história de tantos migrantes que ouviram a promessa de um pedaço de terra na Amazônia. Nascido no interior do Paraná, ele viveu uma vida de roça, trabalhando como empregado de fazenda e cultivando um pequeno lote próprio. No início dos anos 2000, teve a terceira intoxicação por agrotóxicos na lavoura de soja. O médico alertou que ele não sobreviveria a uma quarta. Junior migrou sozinho para a região do Trairão, na beira da BR-163. Meses depois, levou a mulher e os três filhos. Mais tarde, comprou um lote no PA (projeto de assentamento) Areia. E, por alguns anos, também foi extrator de madeira da Floresta Nacional do Trairão.

Quando ele e Chupel começaram a fazer as denúncias, foram recebidos com cautela pelas autoridades, por já terem cometido infrações. Quem vive na Amazônia – como em qualquer lugar de conflito, onde tudo ainda está sendo escrito – sabe que a realidade tem vários tons de cinza entre o preto e o branco. Junior e Chupel exemplificam bem a importância de compreender a complexidade da vida naquela geografia. Sem a presença do Estado, parte dos assentados do PA Areia e da comunidade do Trairão vivem à margem da lei. “Enquanto o governo não implantar um plano de manejo florestal, tudo vai continuar igual”, afirma Junior. “As pessoas precisam comer. E a única maneira de fazer isso lá, hoje, é derrubando madeira. É isso que precisa mudar.”

Junior logo se confrontou com a lógica local. Descobriu que, apesar de viver em um projeto do governo federal, seus passos eram controlados pelos chefes do crime. Para entrar e sair do assentamento, ele pagava “pedágio”. O sentimento de posse dos grileiros era tão grande, que chegavam ao requinte de dar recibo.

Em 2007, Junior começou a se confrontar com alguns expoentes do setor madeireiro da região. Naquele ano, a Associação da Comunidade do PA Areia fez uma parceria com a Amexport Indústria e Comércio de Madeiras Ltda., madeireira instalada em Itaituba, para um plano de manejo florestal comunitário – a única forma legal de extração de madeira dentro de um assentamento. Segundo Junior, que participou do acordo como um dos representantes da associação, a proposta foi apresentada por Luiz Carlos Tremonte, da Amexport, e por Marcos Sato, da Amazônia Florestal. O contrato foi lavrado no cartório do 2º ofício de Itaituba em 28 de julho de 2007. Mas, em dezembro, a relação entre as partes era crítica.

Conforme documento enviado a esta coluna pelo próprio Tremonte, Junior teria recebido uma notificação extrajudicial pelo “recebimento de um adiantamento de R$ 10 mil da Amexport” e “por não ter entregado a madeira à empresa”. Junior afirma ter se recusado a assinar a intimação, por ser “uma “armação dos madeireiros”, na tentativa de desacreditá-lo. “Nunca recebi dinheiro nenhum”, diz. Dois dias depois, numa reunião registrada em ata, a associação decidiu, por sugestão de Junior, contratar um advogado para esclarecer os meandros do contrato.

Luiz Carlos Tremonte afirma que Junior é “maluco, um débil mental, que fez uma confusão danada”. E o Chupel, depois que o filho morreu, “começou a ver o filho na lua”. “Outras empresas também participaram, fizeram contrato com o assentamento. A Amazônia Florestal, do Marcos Sato, foi uma delas. Anota aí, fala com ele”, sugeriu. Marcos Sato, por sua vez, disse que desistiu de comprar madeira da associação porque era “muito enrolado”. Também usou a mesma expressão que Tremonte para se referir a Junior: “um maluco”. E afirmou: “Esse camarada denunciou todo mundo aqui. Você imagina a maluquice desse cara, ele denunciou inclusive o Jader Barbalho, um senador!”.

No plano de manejo comunitário, a associação tinha obtido licença para tirar 11.546 metros cúbicos de madeira de dentro do assentamento. Para que se possa entender melhor, isso significa que a associação tinha 11.546 metros cúbicos de crédito. Quando a extração é feita, é necessário dar baixa nesses créditos pela internet, para que a madeira esteja legalizada e possa ser comercializada. O fato comprovado é que, em 2008, quase todos esses créditos tinham sido usados. O problema: segundo Junior, nenhum pé de árvore havia sido tirado de dentro do assentamento. A análise de imagens de satélite comprova a sua afirmação. O laboratório de geoprocessamento do Instituto Socioambiental verificou que, um ano depois, quase não havia alteração da densidade da floresta nos lotes previstos no plano de manejo comunitário.

Junior denunciou que os créditos foram usados para “esquentar” a madeira retirada de dentro das unidades de conservação. E, assim, legalizá-la, num processo conhecido como “tráfico de créditos”. Mas quem teria feito isso? Junior acusa Tremonte e Sato. Eles negam. “Eu sou o sonho de consumo do Ibama”, diz Tremonte. “Eu fui um grande produtor de mogno, antes de ele ser proibido. Hoje só uso madeira branca (a menos valorizada), que está em todo lugar.” Sato afirma: “Eu exporto madeiras duras (as mais nobres, como jatobá e ipê), mas jamais fiz nada ilegal. Cadê as provas? Não há nenhuma prova do que esse maluco afirma.”

Junior afirma que começou a sofrer ameaças ao reclamar da fraude. Sua filha, então com 12 anos, apareceu em casa chorando. A família achou que, “por já ser uma mocinha, poderiam ter mexido com ela”. Mas a menina se recusava a dizer o que havia acontecido. Depois de algum tempo, a menina contou a um amigo da família que Augustinho teria dito a ela que, se o pai dela não se calasse, mataria a ele e a toda a família. Junior então se mudou do assentamento para Trairão. Sua filha morreu algum tempo depois. Nas porções esquecidas da Amazônia, ou se morre de tiro ou de falta de assistência. No caso da filha de Junior, a menina estava com dengue, e o farmacêutico, em vez de ministrar paracetamol, aplicou uma injeção de penicilina. A menina morreu de choque anafilático.

Nos anos seguintes, a tensão só aumentou. E com ela, a violência. Assentados descontentes começaram a ser executados. Em 2011, dois assassinatos aumentaram a certeza de Junior de que poderia ser o próximo. João Carlos Baú (o Cuca), dois filhos, foi morto quando dançava em uma festa no assentamento. O primeiro tiro atravessou das costas para o peito. Ele ainda cambaleou até cair metros adiante. Quando virou a cabeça para enxergar quem tinha atirado, foi atingido por dois tiros na orelha. Segundo testemunhas, o acusado é um pistoleiro conhecido por “Paulista”, do grupo de Netão, o chefe da pistolagem de Augustinho. Teria recebido R$ 25 mil pela morte.

Depois de Cuca, foi a vez de Edivaldo da Silva, o Divaldinho. No dia da inauguração da energia elétrica no assentamento, bateram na porta da sua casa por volta de três horas da madrugada. Divaldinho atendeu enrolado em uma toalha. Quatro homens o esfaquearam dezenas de vezes. O suspeito de ser o mandante é de novo “Netão”, ligado a Augustinho. Cada um dos assassinos teria recebido R$ 3 mil. Divaldinho ainda ficou vivo por muitas horas, com as tripas expostas. Primeiro, não encontravam carro para levá-lo ao hospital de Trairão. Depois, quando conseguiram chegar lá, não havia sangue para a transfusão. Ele morreu no hospital de Itaituba, depois de ter a barriga costurada. Tinha seis filhos.

Junior começou a registrar boletins de ocorrência e a protocolar denúncias. “A situação é muito parecida com o que a gente assiste nas favelas do Rio. É um crime financiando o outro. A madeira financiando os assassinatos. Em dois anos, foram 15 mortes”, afirma. “Quando comecei a denunciar, Augustinho mandou me avisar que eu já podia cavar um buraco porque ia morrer.”

Fugindo há três meses, Junior – ainda – não morreu.

Os homens da Amazônia – dos servos aos suseranos

A estrutura da grilagem lembra muito a do feudalismo. Entre o suserano e o servo mais humilde há uma teia intrincada de relações de vassalagem. Até hoje, poucas vezes – ou nenhuma – se alcançou os suseranos graúdos, aqueles que fazem política na corte, com mãos macias e palavras escolhidas. Tampouco os homens do comando, que atuam em campo. Em geral, quem é preso nas operações do governo – quando alguém é preso – são os servos ou vassalos de menor importância. João Chupel Primo denunciou a estrutura e a operação de alguns feudos que ocupam a região. E foi assassinado.

O mais violento grileiro do oeste do Pará é Augusto Carlos da Silva, o Augustinho. Ele chegou à região nos anos 90, como empregado de Osmar Ferreira, que ficou internacionalmente conhecido como o “Rei do Mogno”, e ocupou um vasto território na área do Tapajós e do Xingu. Desde 2004, essas terras federais viraram unidades de conservação, o que não o impediu de continuar mandando nelas como se dono fosse. Augustinho já foi acusado de ser o mandante de mais de um assassinato e chegou a passar dois anos foragido. Agora é suspeito de ser o mandante da morte de João Chupel Primo.

No grupo de Augustinho, as principais figuras seriam Ruberto Siqueira da Cunha, o “Nego Ruberto”, e o “Netão”. Ruberto chefia os “gatos” que extraem a madeira. Mantém uma central de rádio para monitorar e divulgar as operações de fiscalização e policiamento da região. Netão seria a outra figura estratégica da quadrilha, ao comandar a pistolagem. Ele alcançou a região no início dos anos 2000, vindo do Paraná. Trabalha com o filho, Alex, na liderança dos pistoleiros. É suspeito de ser o mandante imediato dos assassinatos de Cuca e Divaldinho. Augustinho, Ruberto e Netão não foram encontrados para dar sua versão.

Luiz Carlos Tremonte afirma que sente “grande admiração” por Augustinho. “Um homem que ficou 20 anos dentro dessa floresta e formou dois filhos médicos, eu tenho que admirar. Acho que, se um sujeito fosse mesmo acusado de tanta coisa, não andaria solto como ele anda por aqui. Por conta dessa confusão que aconteceu agora (foi preso pela morte de Chupel e depois solto), andou dizendo até que vai embora.”

O paulistano Luiz Carlos Tremonte, dono da Amexport, tornou-se uma figura quase antológica no Pará. Nas últimas eleições, chegou ser candidato a governador do estado por alguns dias – e depois desistiu. Em 2005, ao depor na CPI da Biopirataria, em Brasília, criada para investigar o tráfico de animais e plantas silvestres e o comércio de madeira, Tremonte dificultou a vida dos deputados. Eles demoraram a entender que ele não era mais dono nem da Amex – que estava no nome da esposa dele. Nem tampouco da Lamex, embora ambas, segundo os deputados, seguissem com dívidas com o Ibama. Muitas idas e vindas mais tarde, os deputados conseguiram arrancar de Tremonte que sua empresa atual era a Amexport. “E esta está em seu nome?”, perguntou um deputado. “Não.”

Ao depor na CPI da Biopirataria, Tremonte teve momentos “iluminados”. Sobre sua defesa da legalidade na Amazônia: “Eu costumo dizer que a Irmã Dorothy (Stang) morreu, mas seu ideal não”. Ao ser confrontado com a suspeita de extração de madeira no Parque Nacional da Amazônia (primeira unidade de conservação criada na Amazônia, em 1974): “Nem conheço. Fiquei conhecendo ontem, no mapa!”. Ao ser questionado sobre um processo em São Paulo, no qual respondia por estelionato: “Não, eu tinha uma pessoa que tinha uma dívida comigo, do Rio Grande do Sul. E essa pessoa, para me pagar a dívida, me trouxe um apartamento... — um terreno, minto, um terreno em São Paulo. E a gente, quando tem dívida para receber, recebe qualquer coisa: cachorro, gato, o que der. E essa pessoa me deu um terreno em São Paulo. Eu fui ver o terreno. Me deu o documento, a gente assinou a escritura. E eu peguei essa escritura e, de forma legal, mandei que ela fosse lavrada num registro de imóveis. Lá chegando, nós descobrimos que a escritura era falsa”.

Durante a entrevista a esta coluna, Luiz Carlos Tremonte insistiu: “Puxa meu nome lá no Google, vai ver meus filminhos no YouTube. Você vai descobrir que eu sou a pessoa que mais defende a floresta em pé. As pessoas não compreendem, mas madeireiro é um benefício para a floresta. Quando tira a árvore frondosa, a gente faz um bem, porque dá espaço para uma mais jovem”. Depois, me enviou uma matéria da revista The Economist, publicada em 2006, em que o jornalista abre com uma frase apocalíptica de Tremonte: “Monstruous misery and hunger” (“Miséria monstruosa e fome”) – referindo-se à situação dos madeireiros por causa de limitações impostas pelo governo.

Outro exemplo de homem amazônico é Sílvio Torquato Junqueira, apesar de, segundo ele, não botar os sapatos em sua fazenda, dentro da Floresta Nacional do Trairão, desde 2006. Homem de fala mansa da região de Ribeirão Preto, criador de gado e admirador de gatos, também já viveu em Brasília, quando foi diretor de Operações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), nos anos 90. Tudo indica que não gostava muito dos finais de semana na capital federal, já que teve problemas com o Tribunal de Contas da União porque a maioria de suas viagens de trabalho coincidia com os finais de semana e tinham como destino sua querida Ribeirão Preto.

A Fazenda Santa Cecília é – e não é – de Sílvio Torquato Junqueira. Essa versão quase hamletiana é muito comum na Amazônia. São milhares de hectares em nome de mais de duas dezenas de “familiares e amigos” de Junqueira – mas nem mesmo um único hectare em seu próprio nome. Toda a área fica inteiramente dentro da Floresta Nacional do Trairão. Apesar de ter se tornado uma unidade de conservação, a Fazenda Santa Cecília continua lá, sem ser incomodada.

É complicado. O próprio Junqueira explica melhor: “Eu não sou proprietário, eu simplesmente estava tomando conta de lotes de pessoas que tinham se instalado por lá, em 1999, 2000. Fomos por causa da pecuária, aí descobrimos que a madeira podia ser algo bom. Tentamos fazer plano de manejo, mas o Ibama engavetou o projeto. Depois, disse que precisava do título da terra. Eu fui ao Incra pedir para me dar o título ou a certidão de posse, mas o Incra disse que não ia dar. Então não consegui licença e ficou tudo parado. Fiquei num limbo e, de repente, em 2006, veio o decreto do presidente declarando a área como Floresta Nacional do Trairão. Imediatamente paramos tudo e ficou lá uma pessoa, o seu Jordão, tomando conta destes lotes. Estamos aguardando os acontecimentos. Como eu tinha feito lá uma casa, alojamentos, nós recebemos as ONGs, o pessoal do Instituto Chico Mendes... Quem precisa fazer levantamentos de flora e fauna, fica lá. Damos apoio ao pessoal do Chico Mendes, tá certo? Tá tudo à vontade. Se forem fazer uma licitação na Floresta Nacional do Trairão para exploração de madeira, nossa ideia é nos associarmos a alguém para nos dar apoio, porque eu entendo de pecuária, não de madeira. Mas hoje tem umas empresas internacionais muito boas nessa área. Estamos lá, aguardando os acontecimentos. Se o governo mandar sair de lá, eu saio”..

O funcionário de Sílvio Junqueira é Jordão Ferreira da Silva Sobrinho, mais conhecido como “Ticão”. Se o mundo da grilagem tem um diplomata, segundo todos que o conhecem, de ongueiros a extrativistas, este homem é o Ticão. Ele mantém excelentes relações com a quadrilha de Augustinho. E também mantém excelentes relações com os ribeirinhos da Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, inclusive fornecendo-lhes transporte, quando necessário. É descrito como um homem educadíssimo. Não há conhecimento de qualquer relato de violência na Fazenda Santa Cecília.

O problema, além de a fazenda grilada estar em uma área de conservação, é o intenso roubo de madeira em seu interior. Um madeireiro conhecido como “Django” é apontado como o “extrator” da Fazenda Santa Cecília. Ele venderia o ipê para a UTC Madeiras Ltda, exportadora localizada em Itaituba. Essa madeireira ficou conhecida quando o Ibama interceptou, em 2008, no porto de Santarém, a carga de um navio com bandeira do Chipre que levava para a Europa madeira serrada com documentação falsificada de várias empresas. Entre elas, a UTC. Procurada para dar sua versão, a UTC Madeiras não deu resposta.

A estrada usada para o transporte das toras corta a Fazenda Santa Cecília e passa a poucos metros da porta da sede. "Em relação à região da Fazenda Santa Cecília, no interior da Floresta Nacional do Trairão, as imagens de satélite identificaram uma intrincada rede de ramais, alguns deles verificados em campo, confirmando a existência de intensa atividade madeireira realizada nos últimos anos dentro e ao redor da fazenda", afirma André Villas-Bôas, secretário-executivo do Instituto Socioambiental. A fazenda é citada no relatório “Via de Direito, Via de Favor”, resultado de uma investigação conjunta do ISA e ICMBio.

Sílvio Junqueira declarou-se “totalmente surpreso” com a informação de que há roubo de madeira na área grilada que administra. Afirmou: “Não tenho conhecimento e não deve ser verdade. Tenho porteira, tenho controle, o Jordão sempre me telefona dizendo que está tudo preservado. Não é possível, duvido muito, deve ter algum engano nessa imagem. Se tem alguma coisa, eu não tenho nada a ver com isso. Nem os meus filhos, nem nenhuma das pessoas que estão lá tem qualquer coisa a ver com isso. Se estão fazendo coisa errada lá, meu Deus do céu”.

O fato é que a Fazenda Santa Cecília tem status especial na grilagem da região. É a “citricultura” humana mais chique entre as bacias do Xingu e Tapajós – devido ao pedigree de seus “laranjas”. A maioria, senão todos, do estado de São Paulo, com ampla circulação em colunas sociais. Marcos de Oliveira Germano, por exemplo, é campeão pré-sênior scratch de golfe, do Ipê Golf Club, de Ribeirão Preto – nome que não deixa de ser irônico. “Desde que mataram a Dorothy Stang, eu não tenho mais nada a ver com isso”, diz. “A ideia era fazer uma posse. Desde Pedro Álvares Cabral, você demarcava, fazia uma casinha, plantava uma roça e cumpria as normas do Incra para regulamentar. Mas decretaram floresta e não fui mais lá.” No Incra, o processo em que Germano reivindica a posse da terra continua em tramitação.

Outra que chama atenção como laranja é Anna Cecília Junqueira. Filha de Sílvio Junqueira, ela é atriz e organizadora de uma festa “hypada” de São Paulo chamada “Gambiarra”. “Meu pai formou esse condomínio há um tempo e deu pra gente (ela e dois irmãos) de presente”, conta. “Ele disse que iria colocar em nosso nome para o caso de um dia falecer, porque seria nosso de qualquer jeito. Mas tá tudo certinho, dentro da lei.”

No laranjal dos Junqueira há gente com MBA pela London Business School, aficionados de Billie Holiday, Norah Jones e Melody Gardot. Há quem toque bateria e pratique windsurf. Outros fazem equitação. Parece difícil unir a fina flor da elite paulista com a fina flor da pistolagem, representada por Augustinho, Netão e Nego Ruberto. Gente que chama grilagem de “condomínio” e gente que semeia cadáveres no meio da rua. É quase irresistível imaginar um encontro. Mas, de fato, se encontram. E é só ligando os pontos que é possível compreender a Amazônia – e o Brasil.

E quem deu o estopim para unir os pontos foi um homem que está morto – e outro que foge.

E agora, Junior?

Nos primeiros dias de fuga, Junior paralisou. “Eu tinha de pensar para botar o pé no chão e me obrigar a andar”, conta. “Era muito estranho.” Depois, a revolta suplantou o medo. Na véspera de Natal, ele empreendeu uma nova rota dentro do Brasil. Passou o 25 de Dezembro sacolejando em um ônibus de linha, com sua pasta de documentos na mão – seu patrimônio e sua maldição. Alguns dias depois, a família o alcançou no esconderijo. Na sua casa, em Trairão, a gata de estimação partiu, as galinhas morreram, a plantação se perdeu. Longe, em algum lugar, a mulher se revolta, os filhos brigam, ninguém sabe o que fazer agora que a escola vai começar. Junior José Guerra está encurralado. Se voltar, morre. Ele denunciou – e está sozinho.

*colaborou Anna Carolina Lementy

(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)

ELIANE BRUM Jornalista, escritora e
documentarista. Ganhou mais
de 40 prêmios nacionais e
internacionais de reportagem.
É autora de um romance -
Uma Duas (LeYa) - e de três
livros de reportagem: Coluna
Prestes – O Avesso da Lenda
(Artes e Ofícios), A Vida Que
Ninguém Vê (Arquipélago
Editorial, Prêmio Jabuti 2007)
e O Olho da Rua (Globo).
E codiretora de dois
documentários: Uma História
Severina e Gretchen Filme
Estrada.

elianebrum@uol.com.br


http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/01/amazonia-segundo-um-morto-e-um-fugitivo.html

SINDICALISTMO Sindsaúde e Singeperon passam a integrar Executiva da CTB Rondônia

A CTB Rondônia tirou também como meta filiar 30 novos sindicatos até dezembro de 2012. Hoje a CTB é a central que mais cresce em Rondônia, a exemplo do que acontece no País.


Os sindicalistas Caio Marin (Sindsaúde) e Anderson Pereira (Singeperon) foram eleitos na Plenária Estadual da CTB realizada no último final de semana, em Porto Velho como integrantes da Executiva estadual da Central em Rondônia. Caio assumiu a vice-presidência da CTB e Anderson a Secretaria do Jovem Trabalhador. 
A indicação para os membros da Executiva se deu durante encontro realizado no último domingo, no Centro de Convenções do Sindsaúde, no final do Curso de Formação Sindical, que contou com a presença de 103 sindicalistas de vários municípios, e representantes de mais de 30 ramos de atividades de trabalhadores do Estado.
As alterações foram acompanhadas por dirigentes da xecutiva Nacional que vieram coordenar o curso de formação da CTB/RO. Entre outras deliberações, o encontro definiu a realização do Congresso Extraordinário da Central, que será realizado em Ji-Paraná, dias 26 e27 de maio, quando será realizada a reforma estatutária e a eleição da nova diretoria que vai atuar até o Congresso Ordinário, em junho de 2013. 
A CTB Rondônia tirou também como meta filiar 30 novos sindicatos até dezembro de 2012. Hoje a CTB é a central que mais cresce em Rondônia, a exemplo do que acontece no País. Atualmente, somente no estado, os sindicatos filiados representam mais de 40 mil trabalhadores.

quinta-feira, 1 de março de 2012

DINHO HERÓI DA AMAZÔNIA

“Adelino Ramos, o Dinho, foi um forte, um guerreiro, um herói...” Com estas palavras iniciais, o escritor “Da Terra” conta a saga desse homem, que migrou do Paraná rumo à Amazônia, a terra prometida! Como o Dinho, mais de 10 milhões de brasileiros, principalmente sulistas, migraram para a Amazônia, em busca de terra para trabalhar e viver! Em 1995, Dinho e seus camaradas enfrentariam um terrível embate: o Massacre de Corumbiara, com 16 mortos e centenas de feridos! Fazendeiros, capangas e policiais militares não pouparam nem as crianças! Atiraram pelas costas até na pequena Vanessa... E mais tarde, a Justiça de Rondônia condenou duas vítimas do Massacre, dois inocentes: Claudemir Gilberto Ramos e Cícero. Em 2000 novo embate com o Incra e a Polícia Federal, em Boca do Acre, Amazonas. Nos anos seguintes os famosos “Encontros de Corumbiara”, com centenas de denúncias e mais denúncias contra as grilagens, os conflitos agrários e os desmatamentos ilegais e o abandono dos projetos de assentamentos do Estado. Em 2006 o bloqueio das rodovias federais BR-364 e BR-425, com mais de 2 mil sem terras participando do movimento paredista. Em 2008, o Acampamento dos Sem Terra na Gleba Curuquetê, ao lado do Parque Mapinguary, em Lábrea, Sul do Amazonas, onde membros da família Machado tinham assassinado Eugênio, um dos seus próprios familiares! Em 27 de maio de 2011, o assassinato do gigante Adelino Ramos, o Dinho, em Vista Alegre do Abunã, vizinho ao Assentamento Florestal Curuquetê. Certamente que os latifundiários, madeireiros e seus apaniguados encastelados na máquina estatal, comemoraram a queda do maior líder camponês da Amazônia nas churrascarias de Manaus, Porto Velho, Rio Branco, Cuiabá, Belém, São Luís, Boa Vista, Macapá e Palmas, capitais da Amazônia Legal – e também Altamira, São Paulo e Brasília, principais praças do agronegócio. Contudo, eles se enganaram! As lutas travadas pelo Dinho em defesa do Meio Ambiente, acesso à terra, pela Reforma Agrária, tornaram-se valiosas, necessárias, urgentes! Para que haja o progresso, o desenvolvimento nacional, tornou-se imperativo a Reforma Agrária e o Desenvolvimento Sustentável. Os tempos da escravidão, das sesmarias, da depredação ambiental já se foram! O Brasil não pode mais continuar com o latifúndio, questão resolvida há séculos pelos países desenvolvidos! E tem que inserir no mercado de trabalho e consumo mais de 12 milhões de sem terras, dando-lhes a oportunidade do acesso a um pedaço de chão. Avante Corumbiara, viva o gigante Adelino Ramos, o Dinho!
ESCRITOR José Barbosa de Carvalho

Ouvidoria Agrária Nacional estará em Vilhena


Plantio de soja nas proximidades de Vilhena RO
Para o próximo dia 15 de março está confirmada a realização de uma Reunião da Comissão Nacional de Combate a Violência Agrária  em Vilhena (RO), com a presença do Ouvidor Agrário Nacional, Desembargador Gercino Filho. Palco do avanço do agronegócio na Amazônia,  as terras de região do Cone Sul de Rondônia tornaram-se de novo alamente cobiçadas e hoje muitas áreas abandonadas e ocupadas por posseiros estão sendo discutidas. Numerosos conflitos são registrados na região, onde tem se detetado numerosos pistoleiros enviados por grupos poderosos do Moto Grosso. A maioria das Associações de Pequenos Agricultores enfrentam problemas de ameaças de despejo e muitos deles também de pistolagem.