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sábado, 4 de julho de 2015

Celebração e ato Em memoria aos 20 Anos Do Massacre Corumbiara e 4 Anos Do Assassinato De Adelino Ramos E a vera também Lançamento do Livro-Corumbiara Caso Enterrado

https://www.facebook.com/events/118211368516476/


Parte do texto extraído da Tese de Doutorado de Helena Angélica de Mesquita intitulado de: Corumbiara: o Massacre dos Camponeses. Rondônia, 1995. 2001. Tese (Doutorado em Geografia Humana) FFCLH/USP. São Paulo.

 

O Conflito da Fazenda Santa Elina

 

No dia 14 de julho de 1995, centenas de famílias de trabalhadores rurais sem terra ocuparam uma pequena parte dos 20.000 hectares da Fazenda Santa Elina, no município de Corumbiara. Ao amanhecer do dia 15 de julho o acampamento era uma realidade. Nascia rapidamente um espaço de esperança. Como era uma área de mata, os camponeses construíram os barracos sob as árvores mais altas para proteger a pequena cidade de lona dos constantes voos de intimidação praticados por fazendeiros e policiais. O acampamento ficava separado do Assentamento Adriana por um riacho de águas límpidas. Neste assentamento os camponeses encontraram apoio e solidariedade, e lá pretendiam se refugiar em caso de cerco ao acampamento. Cuidados vãos, pois não tiveram a mínima chance; o cerco aconteceu de madrugada, quando todos estavam desmobilizados. A ocupação da Fazenda Santa Elina foi mais um dos 440 conflitos por terra que ocorreram no Brasil em 1995 e um dos 15 que aconteceram só em Rondônia naquele ano (dados da Comissão Pastoral da Terra).

No processo de reintegração de posse e no “despejo” dos posseiros, no dia 9 de agosto de 1995, os posseiros foram sistematicamente torturados. Sabe-se que o crime de tortura é inafiançável e imprescritível, no entanto tal crime não foi tema considerado no processo, assim como não o foi também no júri. Os policiais só foram a júri responsabilizados por três mortes, pois o juiz de Colorado do Oeste, na sentença de pronúncia, achou que não poderia imputar a ninguém a responsabilidade pelas mortes que ocorreram em “fogo cruzado”. Entretanto, este mesmo juiz mandou a júri os dois sem terra acusados da morte dos dois policiais que também morreram no fogo cruzado. Para fazer cumprir a liminar de manutenção de posse, a polícia teve o financiamento dos fazendeiros Antenor Duarte do Vale e Hélio Pereira de Morais, o último, proprietário da fazenda Santa Elina. Eles forneceram homens, veículos, alimentação, transporte de tropas e armas. Foi uma empreitada privada, feita de forma intempestiva, inconsequente e criminosa e que, no final, quem acabou sofrendo as piores consequências foram os próprios camponeses sendo, inclusive, condenados pelo júri.

 

A sociedade brasileira não encontrará a paz enquanto a violência continuar impune. Mas os camponeses não se calarão enquanto as elites continuarem intransigentes com relação à terra. Por isso mesmo, nem um ano depois, outra Corumbiara aconteceu no governo social democrata (na verdade neoliberal) de FHC: Eldorado dos Carajás.
  • às 18:00 - 22:00
  • Rua Genaral Labatute 19 JD-piratininga Osasco SP,Paroquia NS,Aaparecida


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Livro sobre Massacre de Corumbiara repercute na mídia nacional

Livro Corumbiara
Previsto para ser lançado no próximo dia 20, em São Paulo, o livro “Corumbiara, caso enterrado” (capa do livro na imagem principal desta matéria) deve promover o resgate de um dos episódios mais trágicos da história do Cone Sul de Rondônia. O conflito entre sem-terra e policiais militares na zona rural de Corumbiara resultando na morte de 12 pessoas aconteceu em agosto de 1994, e até hoje seu desfecho ainda é motivo de questionamentos, os quais são potencializados por uma espécie de “lei do silêncio” que paira sobre o caso.


Mas graças ao trabalho do jornalista paulistano João Peres (de óculos no centro da imagem em preto e branco) o episódio deve voltar a ser debatido. Fruto de um intenso trabalho de pesquisas feitas pelo repórter, que entre 2.013 e 2.014 esteve várias vezes em Rondônia para ouvir pessoas que tiveram relação com o caso, o livro já começa a causar repercussão antes mesmo do lançamento. A obra está sendo lançada pela Editora Elefante.
No último dia 29 o próprio autor do livro-documentário produziu matéria relatando os bastidores de sua empreitada no site Agência Pública (referência de reportagens e jornalismo investigativo), a qual foi reproduzida ontem (quinta-feira 02) na página eletrônica da Carta Capital, uma das mais respeitáveis revistas de notícias do país.
No texto, Peres descreve a dificuldade que enfrentou para quebrar o silêncio de vários implicados no ocorrido, e o clima de tensão que paira sobre a comunidade em geral quando o assunto diz respeito a questão fundiária. Além da matéria, ilustrada com várias fotos, o autor também disponibilizou aos interessados o primeiro capítulo de seu livro na íntegra.
Confira nos links abaixo as duas reportagens:
Leia o primeiro capítulo de “Corumbiara, caso enterrado”:
http://www.extraderondonia.com.br/2015/07/03/livro-sobre-massacre-de-corumbiara-repercute-na-midia-nacional/

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Corumbiara Massacre Nunca Mais.



Breve Doc Em Vídeo Corumbiara Caso Enterrado Link do Vídeo Abaixo

Saiu o primeiro mini-doc sobre Corumbiara, caso enterrado, livro que a Editora Elefante lança em 20 de julho!
O trabalho tem roteiro e edição de Pedro Watanabe, edição de som e som adicional por Rafael Veríssimo, imagens e fotos de Gerardo Lazzari e locução de Paulo Noviello.
A parte do vídeo sobre Adelino Ramos foi extraída do documentário "Corumbiara, nunca mais".


 https://www.facebook.com/EditoraElefante/videos/716714855099093/

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Lançamento do livro "Corumbiara, caso enterrado"

                                             Segunda, 20 de julho
às 19:00 - 22:00 

    Rua Conselheiro Ramalho, 945. Bixiga. São Paulo - SP
Massacre ou batalha? A história mal contada de um dos piores conflitos agrários do Brasil pós-ditadura ganha uma nova chance de se conciliar com a realidade em "Corumbiara, caso enterrado". O livro-reportagem, lançamento da Editora Elefante, propõe-se a passar a limpo a narrativa sobre o chamado “massacre de Corumbiara”, episódio prestes a completar vinte anos, ainda com muitas dúvidas e questões em aberto.

Em boca fechada não entra bala,Silêncio, chá de sumiço, amnésia seletiva e ameaças veladas no caminho de ‘Corumbiara, caso enterrado’, livro sobre um dos piores conflitos agrários pós-ditadura por João Peres | 29 de junho de 2015


Acima, queimadas à beira da BR 364 em agosto de 2013, durante a apuração do livro-reportagem. Foto: Gerardo Lazzari/Editora Elefante.
Todos lançam olhares inquisidores sobre o carro. As cabeças descrevem o movimento exato do automóvel ao passar pelas ruas, ansiosas por saber quem são os forasteiros. Um repórter barbudo, um fotógrafo argentino, um padre irlandês de rosto vermelho e um missionário inglês enorme formariam um grupo exótico em quase todos os lugares do mundo. Em Vista Alegre do Abunã, um distrito minúsculo de Porto Velho, em Rondônia, são uma aberração.
A tensão que acompanha jornalistas em apurações sobre questões agrárias na Amazônia é grande. No geral, vai-se a locais com baixa presença institucional do Estado e com uma cultura de violência e ajustiçamento. O Brasil é um dos países com piores índices de assassinato de profissionais de imprensa, segundo ranking elaborado anualmente pela organização Repórteres Sem Fronteiras. Ter escolhido um caso ocorrido numa frente nova de desmatamento para começar a apuração que resultaria no livro Corumbiara, caso enterrado (Editora Elefante, 2015) não foi uma decisão prudente.
O distrito de Vista Alegre do Abunã, onde foi morto Adelino Ramos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Corumbiara na época do massacre. Foto: Gerardo Lazzari/Editora Elefante
O distrito de Vista Alegre do Abunã, onde foi morto Adelino Ramos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Corumbiara na época do massacre. Foto: Gerardo Lazzari/Editora Elefante
Na realidade, qualquer um que chegasse de fora chamaria atenção. Qualquer um que viesse querendo saber desse assunto. Faz quase dois anos que tudo ocorreu. A cerca por onde escorreu o sangue de Adelino Ramos é a única testemunha dos fatos. Ninguém quer abrir a boca. Ao longo do dia, jogam-nos de um lado para o outro, sem fornecer informações sobre quem pode ter encomendado a morte de Dinho. Líder do Projeto de Assentamento Florestal (PAF) Curuquetê, a poucos e pedregosos quilômetros daqui, no sul do Amazonas, ele foi assassinado num domingo do final de maio de 2011.
Cerca de um mês antes, havíamos conversado por telefone, num intervalo de poucos minutos em que havia sinal de celular. “A gente defendeu um projeto inovador no país, que é o assentamento florestal comunitário, e é esse em que a gente está. Então, onde há matança de gente, onde há roubo de barreiras, no estado do Amazonas… tudo que sai do Amazonas sai para Rondônia”, contou. Adelino já estava encrencado.
Agora, em fevereiro de 2013, sob o calor abrasador do noroeste rondoniense, espreitávamos sabendo que éramos espreitados. Vista Alegre é um dos muitos distritos de Porto Velho, uma das maiores capitais do país. Como vários dos povoados de Rondônia, tem um só caminho para entrar, sair ou fugir, especialmente se não se está a bordo de uma picape. Dali a dez quilômetros, em linha reta para o Norte, está o Amazonas, e dali a quinze, para o Sul, fica a divisa com a Bolívia. Entre um lado e outro, madeira nobre sendo transportada à luz do dia, em cinco mil viagens de enormes caminhões em direção ao Sudeste, segundo contabilidade apreendida em poder dos “donos” da área.
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigavam havia quase três anos um esquema de loteamento ilegal de terras da União convertidas em área de desmatamento. “É terra sobre terra. Ninguém é dono. Com a instalação do assentamento Curuquetê, isso começou a criar um impasse entre o pessoal que já estava lá. Como ninguém tem título, o assentamento era um risco para eles”, contou um agente federal envolvido na investigação. “A gente percebia que aquela situação estava insustentável e poderia desaguar em alguma outra coisa. Não achava que podia desaguar em crimes contra a vida.” Só depois da morte de Adelino a Justiça Federal autorizou que se realizasse uma operação contra o corte ilegal da floresta.
Logo após o crime, a Polícia Civil anunciou a prisão de Osias Vicente, envolvido com madeireiros locais, acusado de matar Adelino. Mas, até o fim do ano, o Ministério Público Estadual não havia oferecido denúncia. Uma história sem um pingo de originalidade: o Judiciário libertou o suposto matador, que um mês depois acabou assassinado, o que levou ao arquivamento do caso sem que se chegasse aos mandantes do crime contra o líder sem-terra.
Porteira da fazenda Santa Elina, onde ocorreu o "massacre de Corumbiara" em 1995
Porteira da fazenda Santa Elina, onde ocorreu o “massacre de Corumbiara” em 1995. Foto: Gerardo Lazzari/Editora Elefante
Sem colher bons resultados em Vista Alegre, fomos até Extrema, outro distrito de Porto Velho, onde Adelino foi atendido após os disparos. “No caminho para Extrema, um carro ficou fechando eles, não deixou correr. Até hoje ninguém soube me dizer que carro que era. Nem a placa”, contou mais tarde um amigo da família que também não conseguiu arrancar informação alguma sobre a morte. A ficha de atendimento é lacônica: óbito provocado por perda de sangue. No posto policial, o boletim de ocorrência sobre Adelino é o maior da unidade: uma pilha de meio metro de papel depositada entre duas cadeiras. Um dos escrivães – são dois no total, respondendo por quatro distritos – não dá esperança de que a investigação avance. São muitos casos para cuidar e a estrutura é extremamente precária.
No começo, não sabíamos se dormiríamos em Vista Alegre. Depois do clima tenso com que nos deparamos, não resta dúvida de que o mais seguro é retornar ao centro de Porto Velho, para decepção do padre irlandês Bernard Leo Dolan, amigo da família de Adelino que esperava retornar com algo mais. É, de fato, um começo de viagem ruim.
Entre 2013 e 2014, quase sempre na companhia do fotógrafo Gerardo Lazzari, percorro Rondônia para tentar entender as histórias que envolvem o chamado “massacre de Corumbiara”, ocorrido em 9 de agosto de 1995 durante uma operação de reintegração de posse na fazenda Santa Elina, no sul do estado. Segundo os números oficiais, 12 pessoas morreram – nove sem-terra, dois policiais e um rapaz não identificado, possivelmente um pistoleiro. Resumindo de maneira simplória, a acusação levou ao julgamento de dois posseiros e de 12 agentes de segurança. Do lado dos ocupantes, saíram condenados Cícero Pereira Leite Neto, seis anos e dois meses de reclusão, e Claudemir Gilberto Ramos, oito anos e meio. Entre os PMs, foram sentenciados os soldados Airton Ramos de Morais, a 18 anos, e Daniel da Silva Furtado, a 16 anos, e o então capitão Vitório Régis Mena Mendes, a 19 anos e meio.
Cicero Pereira Leite Neto, um dos posseiros condenados após o massacre. Foto: Gerardo Lazzari/Editora Elefante
Cicero Pereira Leite Neto, um dos posseiros condenados após o massacre. Foto: Gerardo Lazzari/Editora Elefante
A história de Adelino, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Corumbiara na época, é uma entre várias relacionadas ao caso. Fundador do Movimento Camponês Corumbiara (MCC), de 1995 a 2011 conseguiu assentar muitas famílias, brigou com amigos e inimigos, zanzou Rondônia de sul a norte, escapou da acusação pelas mortes ocorridas na Santa Elina. Em Lábrea, no Amazonas, esperava tocar mais um assentamento. Num lugar improvável. “Não tem condição nenhuma de manter qualquer atividade produtiva. Não tem terra, não tem água, não tem luz. Tem todo tipo de problema de malária, febre amarela, bicho peçonhento”, contou um agente federal.
Nos dias seguintes àquela busca pouco frutífera por informações em Vista Alegre, os gringos ficaram em Porto Velho, enquanto Gerardo e eu fomos a Theobroma, no centro do estado, onde acabaram assentadas entre 1995 e 1996 algumas das famílias do episódio da Santa Elina. O começo da conversa era quase sempre igual: recebiam-nos com desconfiança, cara amarrada, incomodados com o assunto. Parecia que daquele mato não sairia coelho. Até que a pessoa, geralmente homem, começava a se soltar – e a soltar informações. Nossa cabeça de paulista planejava fazer várias entrevistas ao dia, ignorando que na roça o tempo é outro, que é preciso esperar o caboclo escolher o momento certo de falar, criar laços de confiança.
A última parada prometia ser a mais tensa. Havia um misto de curiosidade e receio por chegar ao palco dos acontecimentos. Depois de conhecer Vista Alegre, vislumbrávamos algo parecido em Corumbiara. Não foi o que ocorreu. Ainda que muitos tenham se dado conta de nossa presença, e até mesmo dos motivos dela, os fatos de 1995 eram passado para a maior parte das pessoas.
Nas outras vezes, já sabendo andar sozinhos pela região, vimos situações mais perigosas, mas não para nós. Na época do conflito, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não chegou a desapropriar a Santa Elina, operação que retomou 12 anos mais tarde, abrindo uma disputa pelas terras férteis e simbólicas. A Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia, ex-aliada de Adelino, e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Corumbiara acabaram obrigados a dividir o assentamento. Basicamente, adversários revolucionários e reformistas foram colocados dentro de um mesmo espaço. “O povo que não sofreu o massacre com a gente fica implicando. Tem hora que eu fico revoltado. Ficam pisando na gente. Eu pensava que a gente era tudo amigo”, contou um homem, sob ameaças de morte por desentendimentos mesquinhos.
Cansou de tomar ‘não’ pelo telefone? Veio tomar ‘não’ pessoalmente?”, perguntou, muito irritado.
Sempre deixávamos Rondônia com a sensação de que seria importante voltar. Os relatos dos sem-terra eram interessantes, mas repetitivos e insuficientes. Era necessário entrevistar advogados, promotores, juiz, políticos, integrantes de movimentos sociais.
Poucas passagens foram tão desgastantes quanto a conversa com o ex-secretário-executivo de Valdir Raupp, governador na época do episódio da Santa Elina. Telefonei para Édio Antônio de Carvalho no começo de 2014. Ele avisou que só conversaria pessoalmente. Liguei de novo avisando que embarcaria nos próximos dias para Porto Velho. “O Édio que você está procurando é outro”, respondeu.
Era um sábado de manhã quando peguei o carro e fui ao condomínio onde morava, nas imediações do centro de Porto Velho. Por sorte, o esquema de segurança era frouxo e o rapaz da portaria não anunciou minha chegada. Quando entrei em sua casa, fez uma cara de surpresa indescritível. “Cansou de tomar ‘não’ pelo telefone? Veio tomar ‘não’ pessoalmente?”, perguntou, muito irritado.
Com o passar dos minutos, acalmou-se e começou a narrar sua versão. Uma versão diferente da que está registrada em relatório da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Em 1995, Édio contou a deputados que não se chegou a um desfecho pacífico porque o fazendeiro Antenor Duarte do Valle, vizinho da área ocupada, rejeitou acordo para assentar as famílias. Agora, ele culpava os sem-terra, a quem acusou de intransigência no diálogo, e dizia sofrer de amnésia em relação a pontos incômodos. O ex-secretário-executivo disse ter recebido ordem para prestar todo apoio às famílias, desde que aceitassem deixar a fazenda.
No meio da prosa, criticou o governo do PT, tido como comunista, e afirmou que, no que dependesse de Lula, Evo Morales teria invadido o Brasil. Queixou-se de não conseguir mais contratar empregada devido ao Bolsa Família. Enquanto conversávamos, sua mulher perguntou em que veículo jornalístico eu trabalhava porque queria ler minhas reportagens para saber se eu era de esquerda. Deixou ameaças no ar. Decidi sair dali o quanto antes. Meti-me no centro de Porto Velho e fiquei rodando um tempo, até ter certeza de que não haveria problema.
Em outras oportunidades, momentos de alta tensão se revelaram calmos. Ou viraram frustração. Por duas vezes, tentei conversar com os policiais militares de Vilhena, divisa com o Mato Grosso, sede do batalhão em que atuava a maior parte dos envolvidos no caso da Santa Elina. Na primeira, um PM esperou que eu chegasse à cidade para dizer que havia se arrependido e não queria mais conversar. Outro viajou sem avisar e pediu que aguardasse por uma semana ou dez dias, até a volta.
Na segunda vez, depois de uma entrevista animadora, parecia que andava por bom caminho. A promessa era de que três policiais dariam uma entrevista às 7 horas.
– Oi. O pessoal não apareceu ainda?, perguntou o PM que havia garantido a conversa.
Passei o dia inteiro sentado, à espera de que viessem, sempre com promessas renovadas de que estavam a caminho. Na manhã seguinte, fui ao batalhão. Receberam-me com conversas sobre amenidades, contaram sobre o bem-sucedido esquema de patrulhamento de ruas de Vilhena e me despacharam sem contar nada sobre o que queria ouvir. Durante mais dois dias, busquei por todos os meios conversar com os policiais. Nunca tomei tanto perdido na vida. Saí de lá puto, sabendo que aquela apuração estava encerrada.
Era o fim irritante de um trajeto que começara de maneira tensa. No começo de 2011, entrevistei Claudemir Gilberto Ramos, sem-terra condenado a oito anos e meio de prisão pelas mortes de dois policiais vitimados no caso da Santa Elina. Filho de Adelino, ele se recusava a cumprir a pena, que considerava injusta. Aquela narrativa, tão cheia de lacunas, foi o que me motivou a entender melhor a história, contada no primeiro capítulo do livro, compartilhado agora com os leitores.

Baixe o primeiro capítulo de Corumbiara, caso enterrado, de João Peres.


http://apublica.org/2015/06/em-boca-fechada-nao-entra-bala/

domingo, 9 de fevereiro de 2014

CARTA AOS DEPUTADOS

Senhora deputada,
Senhor deputado,
peço a atenção de Vossa Excelência para uma proposta que se encontra parada no plenário desta Casa. O Projeto de Lei 2.000, de 2011, não renderá votos a ninguém, é verdade, mas tem a virtude de resgatar a dignidade de pessoas envolvidas em um intrincado episódio, ocorrido há quase vinte anos, e que ainda representa um imenso incômodo na vida delas.
O PL 2.000/2011 pede anistia aos trabalhadores rurais condenados pelo episódio conhecido como massacre de Corumbiara, ocorrido a 9 de agosto de 1995 no extremo sul de Rondônia. É uma longa história, que pode ser melhor entendida nas reportagens abaixo, caso haja interesse, mas, para não tomar mais tempo que o necessário, resumo-a aqui: no conflito entre posseiros que haviam ocupado a Santa Elina e os integrantes da Polícia Militar de Rondônia, morreram onze pessoas, segundo a estatística oficial – nove do primeiro grupo e dois do segundo.
A reintegração de posse foi cumprida durante a madrugada, o que viola a legislação brasileira, após romper um acordo firmado entre o comandante da operação e os sem-terra de que seria feita uma nova negociação com o Executivo para saber sobre a possibilidade de que se desapropriasse uma área provisoriamente para permitir um plantio comunitário para as mais de duas mil pessoas que estavam ali, em 624 famílias.
Após o grupo de posseiros ser dominado, a PM de Rondônia agiu com extrema agressividade, fato registrado no inquérito da própria corporação, na peça de acusação do Ministério Público e em análise da Comissão Interamericana de Direitos Humanos concluída em 2004. É neste momento que ocorre a maior parte das mortes de posseiros, até hoje sem autoria conhecida, e em que fica evidente a participação de pistoleiros na cena do crime, uma presença registrada até por policiais.
Para o MP, porém, o que mais despertou vontade foi a denúncia dos sem-terra, e dois deles foram levados a julgamento em agosto de 2000 em Porto Velho. A peça de acusação não traz a autoria das mortes dos policiais e os exames de balística não foram conclusivos a respeito de qual arma partiram os disparos – se dos próprios PMs ou se dos sem-terra. Ainda assim, alegou o promotor responsável pelo caso que, na impossibilidade de saber quem eram os culpados, os líderes do movimento deveriam ser condenados, o que de fato ocorreu contra Claudemir Gilberto Ramos, com pena de oito anos e seis meses, e Cícero Pereira Leite Neto, com reclusão de seis anos e dois meses. Entre os policiais, os jurados declararam culpados os soldados Daniel da Silva Furtado e Airton Ramos de Morais, com penas, respectivamente, de 16 e de 18 anos – tampouco contra eles havia provas, e testemunhas indicam que Furtado nem sequer participou da operação porque estava com um joelho machucado. O capitão Vitório Regis Mena Mendes recebeu sentença de 19 anos e meio de reclusão.
Ao emitir seu relatório, a Comissão Interamericana pediu ao Brasil que promovesse uma nova investigação, não balizada pelo inquérito policial, e procedesse a um novo julgamento, levando à prisão os verdadeiros responsáveis pela operação. Mas, até hoje, nada foi feito. Por considerar injusta a sentença, Claudemir decidiu se transformar em um foragido da justiça, condição que mantém até os dias atuais, já sem esperança de que ocorra um novo julgamento.
A expectativa dele e de sua família é de que o PL 2.000/2011 possa resgatar sua dignidade e a normalidade de sua vida, interrompida pela condenação. Por sugestão do deputado Vieira da Cunha (PDT-RS), ao passar pela Comissão de Constituição e Justiça o projeto ganhou novo texto, passando a oferecer anistia também aos policiais envolvidos, sugestão que foi aceita por este instituto e pelos parentes de Claudemir.
Estamos certos, pois, de vossa compreensão para que se possa finalmente levar adiante a votação do PL 2.000. Esta proposta, afinal, não representa apenas uma mudança na vida dessas pessoas, mas sua aprovação simbolizará o reconhecimento de erros do Estado brasileiro que precisam ser reparados para que se possa revisar essa página de nossa história. Uma página vergonhosa e violenta, em que se confunde direito de sobrevivência e cobrança de direitos com criminalidade.

Gratos,Thiago (INFCAR)

terça-feira, 20 de agosto de 2013

NELINHO MAIS UM MÁRTIR DE CORUMBIARA

Manoel Ribeiro, o grande Nelinho, nasceu no dia 11 de fevereiro de 1965 em Ferruginha,
município de Conselheiro Pena-MG, recém nascido mudou com a família para o estado do Paraná precisamente para cidade de Assis Chateaubriand-PR. Começou a trabalhar muito cedo na roça, em seguida em uma farmácia. Em janeiro de 1981 já na adolescência mudou com a família para Colorado do Oeste em Rondônia e trabalhou por dois anos na farmácia do popular Jô Sato já começando a angariar simpatia da população pelo seu carisma e pela forma com a qual atendia a todos sempre com muita cordialidade e um sorriso no rosto. 
Ainda menor, em meados de 1982 foi convidado para trabalhar na agência do Bradesco em Colorado, atuando diretamente com os colonos principalmente na pasta da carteira agrícola onde conquistou credibilidade e muita confiança. Tinha participação ativa no meio esportivo e no Grupo de Jovens de Colorado. Sua liderança junto aos seus colegas de trabalho ganhava forças. O início da década de 80 em nosso país foi marcante e passava por uma grande transformação social, era a plena ditadura e o povo clamava por mudanças e exigia a democracia, más a repressão era vertente. Esse período ainda era crucial e negro para a luta dos trabalhadores e o setor bancário não era diferente.
A formação do Sindicato dos Bancários em Rondônia foi a chave para que Nelinho se tornasse a liderança máxima da categoria no Cone Sul. Nesse período ingressou no Partido dos Trabalhadores de Colorado do Oeste, já fazendo parte do Diretório Municipal e ampliando seu peso de liderança. Porém, como a luta de esquerda naquele período era tido como subversiva e seus líderes eram implacavelmente perseguidos, mesmo com a queda do militarismo em 1985, e pelo fato do Nelinho ter liderado as grandes greves e inquietando seus superiores pela dita subversão, em 1986 Nelinho foi sumariamente demitido da agência do Bradesco. Montou um pequeno bar em Colorado onde era muito frequentado pelos amigos, mas, esse não era seu dom, preferiu ir pra roça e trabalhar com os pais no então Distrito de Nova Esperança, hoje Corumbiara.
Recomeçava aí uma nova luta, começando pelo Grupo de Jovens da igreja católica, em 1987 aliou-se ao movimento dos professores da Escola São Roque onde o embate com o poder local era fervilhante. Em 1988 começa a sua jornada em busca de um cargo político. Concorreu a uma vaga de vereador representando o Distrito de Nova Esperança e por apenas dois votos não foi eleito, mas, marcou terreno, ficou primeiro suplente.
Liderou as eleições de 1989 onde houve a disputa entre Lula/Collor onde mesmo com a derrota nacional em Nova Esperança Lula saiu vencedor, Nelinho ganhou mais pontos. Veio a emancipação de Nova Esperança em 1992 a qual se passou a chamar-se Corumbiara em homenagem ao rio que corta o município, fundou o PT em Corumbiara e com isso a eleição para a escolha do novo prefeito do recém-criado município.
O PT, em uma aliança com o PDT, lançou o comerciante Daniel Alencar com o vice do PT João Cacau. Nelinho concorreu a vereador e desta vez foi eleito, o único do PT de Corumbiara. Na câmara era basicamente o único que contestava os desmandos e abusos cometidos pela administração municipal da época e pela subserviência dos demais vereadores.
Em 1993 fundou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais juntamente com outros companheiros de luta composta por lideranças dos assentamentos Adriana, Vitória da União e Verde Seringal, que a partir daí esse sindicato tornou-se referência e um dos mais combativos do Estado de Rondônia, passando a somar forças e contribuir com a participação popular nas ações políticas na Câmara Municipal. O sindicato dos trabalhadores rurais, em sua base, enraizada com mais de 60 lideranças distribuídas através das comissões de linha, já em 1995 mobilizou-se para a ocupação da chamada Fazenda Santa Elina onde envolveu mais de 600 famílias, totalizando uma média de duas mil pessoas.
A partir daí entra o período de agonia. A ocupação em 15 de julho, em seguida a resistência e o massacre, ocorrido no dia 09 de agosto de 1995 pelas forças policiais do Estado e por jagunços. Pelos fatores de ter apoiado os sem-terra associado aos embates travados na Câmara Municipal, o vereador Nelinho entrou no rol dos marcados para morrer. Comentava-se que a cabeça de um líder de Santa Elina equivalia de vinte a trinta mil reais.
O assassinato de Nelinho era eminente, questão de dias. Na noite do dia 16 de dezembro de 1995 aconteceu o inevitável, uma tocaia covarde, vários tiros na noite, Nelinho de peito aberto, foi alvejado covardemente, tombou, mas não renegou seu legado de defender os mais humildes. Registrou na história de Corumbiara o exemplo de um guerreiro que não tinha medo da morte.

Fonte: Tirado do Facebook de João Ribeiro da Cidade de Corumbiara –
Autor do texto: JOÃO RIBEIRO DE AMORIM - Irmão de Nelinho
Vereador 2001/2004 – 2005/2008 – Vice-Prefeito 2009/2013
Atualmente Diretor Geral da Câmara Municipal de Corumbiara

Poderá ler também em: http://crabastosbrasil.blogspot.com.br/2013/08/nelinho-mais-um-martir-de-corumbiara.html 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

18 ANOS DE INJUSTIÇA E HUMILHAÇÃO MASSACRE DE CORUMBIARA TEMTÃM EXCLUIR DA HISTORIA BRASILEIRA

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

FETAGRO registra 18 anos do Massacre de Corumbiara e cobra justiça social às vítimas


Registramos com atraso o relato da Fetagro sobre os 18 anos do Massacre de Corumbiara. Nela relatam o testemunho de Genadir Ribeiro, hoje presidente do sindicato de Corumbiara, que já foi conselheiro da CPT RO: "o massacre continua até hoje", diz fazendo referência as vítimas, entre elas irmãos da própria família. O dia 29 de agosto uma audiência pública será celebrada na Assembléia Legislativa para tratar das indenizações às vítimas.

No sindicato de Corumbiara em homenagem ao vereador Nelinho, irmão de Genadir Ribeiro. foto cpt ro

Um dos piores registros da história do Estado de Rondônia completa 18 anos nesta sexta-feira. O Massacre de Corumbiara, conflito agrário ocorrido no dia 9 de agosto de 1995 entre trabalhadores (as) rurais e policiais militares na área da fazenda Santa Elina, no município de Corumbiara, região Sul do Estado, ficou conhecido internacionalmente e marcou a história de luta pela conquista da terra em Rondônia.

Naquele dia, cerca de 600 trabalhadores rurais ocupantes da área, considerada improdutiva, foram surpreendidos durante a madrugada com o ataque de pistoleiros armados e soldados da Polícia Militar. Um violento confronto foi desencadeado, resultando em mortes, torturas, insultos e humilhações aos trabalhadores e trabalhadoras.

Segundo Genadir Ribeiro, presidente do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Corumbiara e irmão de três vítimas do episódio, “o massacre continua até hoje”. “Há muitas pessoas, sobreviventes, que carregam graves seqüelas físicas e psicológicas da tragédia vivida”, relatou. Genadir perdeu um irmão assassinado por defender os acampados e outros dois irmãos, que eram acampados da área, ainda carregam as lembranças do ataque e torturas vividas. “Amanhã é um dia de muita reflexão; de relembrar a morte de trabalhadores que lutavam por dias melhores, por um pedacinho de terra”, disse o dirigente.

Mas estes 18 anos foram, ainda, de muita luta para muitos trabalhadores rurais vítimas da tragédia ocorrida. Lutou-se pela desapropriação da fazenda para fim de reforma agrária e por indenização aos graves danos. Uma conquista foi alcançada no início de 2011, 16 anos após, com o assentamento de 417 famílias, nas áreas denominadas Zé Bentão e Maranatá, terras desmembradas da antiga Fazenda Santa Elina. E apesar da área ter sido adquirida pelo governo federal e destinada à reforma agrária, as famílias ainda aguardam a implantação de infraestrutura como estrada e energia elétrica.

Outra batalha que está sendo enfrentada é pela indenização das famílias das vítimas, e que no próximo dia 29, espera ganhar aliados com a realização de uma Audiência Pública, na Assembléia Legislativa do Estado. A audiência é uma solicitação da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Rondônia (FETAGRO), do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do município de Corumbiara e do presidente da Câmara Municipal de Corumbiara, vereador Valdinei Antônio Coelho (Nenzinho) para tratar sobre o assunto.

A FETAGRO tem estado à frente de ações que façam justiça aos vitimados do massacre, e entre as ações está o pedido de indenização das vítimas, por meio de processo judicial ajuizado em janeiro de 2011, mas que até hoje não foi concluso. Para o presidente da entidade, Fábio Menezes, “um dos desafios dessa audiência pública é fazer com o que o judiciário defina como favorável a instrução e julgamento do processo de indenização e que o estado repare essa enorme divida social”. A Federação intermedeia a ação de indenização para 204 vítimas, que não receberam assistência do poder público e muitas estão impossibilitadas de trabalharem devido as seqüelas de torturas físicas e psicológicas a que foram submetidas.

Fábio Menezes ressalta ainda a necessidade de aplicação da Lei 786, de junho de 1998, que prevê pagamento de pensão mensal as famílias dos assassinados, mas que não tem sido cumprida. “Penso que esta Lei poderia abranger a todas as vítimas e não somente aos que perderam seus familiares, pois tem vítimas que sofreram e sofrem até hoje com seqüelas como problemas psicológicos, pulmonares, cardíacos, após os horrores sofridos. Estaremos pautando essa mudança junto à Assembléia Legislativa”, afirmou.

O vereador Nenzinho destacou a importância de realizar a audiência como um momento de debate e encaminhamentos sobre a situação em que ainda vivem as vítimas do massacre, por acreditar que a retomada da discussão com os poderes, entidades e sociedade pode gerar medidas e ações que assistam às vítimas. “Nossa esperança é de que agora, com a audiência, consigamos agilizar o trâmite do processo de indenização. Não dá mais para esperar. Dezoito anos já se passaram e as famílias ainda estão desassistidas”, protestou.

Para o dirigente Genadir Ribeiro, a expectativa é conseguir sensibilizar as autoridades para a importância e necessidade das indenizações, que poderão contribuir para que as vítimas e familiares vivam em condições melhores. “A indenização não vai reparar o dano causado, mas acreditamos que amenizará um pouco o sofrimento das pessoas”, disse.

Fonte: Assessoria FETAGRO

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ato relembra 18 anos do massacre de Corumbiara Vergonha Para O Brasil,RAUPP Governador da Epoca Hoje senador e nem ai com os Camponeses

Missa em Corumbiara pelas vítimas do Massacre



Transformado em feriado municipal de Corumbiara, nesta sexta feira, dia 09 de Agosto, se celebrará uma missa Na Igreja Matriz, às 09:00 horas da manhá em memória das vítimas. Para o dia 29 de agosto está planejada audiência pública na Câmara Legislativa para tratar sobre as indenizações às vítimas do Massacre

Massacre de Corumbiara: Fotografia divulgada por João Ribeiro.


Recolhemos uma matéria escrita por João Ribeiro de Amorim: "Nesta sexta feira dia 09 de agosto, o município de Corumbiara celebrará os 18 anos do mundialmente conhecido "Massacre de Corumbiara". Esta chacina vitimou vários trabalhadores rurais sem terra. Várias execuções sumárias e torturas cometidas pelo estado em noma da "Lei e da Ordem" ocorreu impunemente. A pequena Vanessa de apenas 06 anos foi transpassada covardemente com um tiro nas costas efetuadas pelos algozes. Torturas físicas e psicológicas que ficarão marcadas para sempre na memória principalmente das vítimas, entre elas várias crianças na época. Porém, até hoje o trauma ainda paira sobre a população corumbiarense. Nenhuma vítima foi indenizada ou reparada pelo Estado pela tamanha barbaridade.... Passaram-se os governos, RAUPP, BIANCO, CASSOL e agora o CONFÚCIO....... E as autoridades insistem em abafar e levar ao esquecimento esta história negra que manchou o estado de Rondônia..... a indenização seria o mínimo que as autoridades pudessem fazer pra minimizar o sofrimento das vítimas, más, infelizmente até agora nada!!!!
Corumbiara jamais esquecerá... !!!
Em Corumbiara, neste dia 09 de agosto acontecerá uma grandiosa missa na Igreja Matriz de Corumbiara, Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a partir das 09:00 horas da manhã, em um ato em memória dessas vítimas".

JOÃO RIBEIRO DE AMORIM, Diretor Geral da Câmara Municipal de Corumbiara


Por outro lado, Audiência Pública será realizada na Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia, para tratar sobre as idenizações das vítimas de Corumbiara será realizada o dia 29 de agosto, em virtude da realização de mais uma edição do “Grito da Terra” que será realizado nos dias 27 e 28 do mês de agosto.
A audiência pública para tratar sobre as indenizações das vitimas do “massacre de Corumbiara”, ocorrido em agosto de 1995, foi solicitação do presidente da Câmara Municipal de Corumbiara, vereador Nenzinho (PT), que destacou a importância de realizar esse momento de debate e encaminhamentos sobre a situação em que ainda vivem as vítimas do massacre, por acreditar que a retomada da discussão com os poderes, entidades e sociedade pode gerar medidas e ações que assistam às vítimas.




Então,

Chegou-se, aliás, chegamos mais uma vez ao dia 09 de agosto. Há 18 Rondônia tornara-se motivo de noticias para o Brasil e o mundo, com o conflito de Corumbiara. O que se pode ver e ouvir, em relação à terra, 18 anos depois?

Sabemos que a violência no campo não cessou. Talvez mudaram-se os métodos de praticar violência, contra os pequenos e pobres, além daqueles que já sabemos: prisões, despejos, emboscadas, mortes.... Hoje, de modo mais formal, a violência é legalizada e institucionalizada (liminares, reintegração de posse, e é claro, sempre em favor do seu senhor).

O esvaziamento do campo, sem dúvidas, configura a legalização da expulsão das famílias com a prática da retirada das Escolas Rurais, seguida de uma “educação” descontextualizada do biossistema amazônico com tudo o que envolve a vida do povo, objetiva e subjetivamente.

A grande chaga da nossa Amazônia continua sendo o problema da terra, não que ela nos falte, mas que cada vez mais torna-se privativa os donos do capital e do poder, em detrimento de quem necessita dela para viver. E as cidades, cada dia mais, vão recebendo dezenas de centenas de famílias sujeitas a toda forma de insultos políticos, sociais, econômicos e culturais.



“Amazônia, amamos você, contigo queremos viver, hoje e sempre! Empresta-nos do teu verde que ainda resta, desta minguada floresta, e tingiremos nossa ponta de esperança. /De Rondônia ao Amapá, do Acre ao Pará, do Tocantins a Roraima, passando pelo Amazonas caminhamos por trilhas e estradas, numa mistura sagrada de gritos e de danças./ Mártires da caminhada por aqui deixaram rastros de sonhos,/ em cada manhã renascem em nós os seus sonhos de uma nova Amazônia possível e necessária, por Carajás e Corumbiara, um Novo Dia irá chegar. Amazônia será livre dos grilos e saques, de emboscadas e ataques de quem não teme a divindade-Criadora que reina em seu solo, suas águas e suas matas. Amazônia das lendas/Amazônia das tendas que armamos aqui,/ assumimos seus “ais”, com os povos tradicionais,/ de aldeias e comunidades, uniremos campo e cidade para que toda a vida possa ressurgir”.

(Zé Aparecido)




Massacre de Corumbiara: Fotografias divulgadas por João Ribeiro.