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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Nada fica por debaixo do tapete por muito Tempo

"O que é o coração de uma mãe, sabendo que o filho está morto, sem saber onde está"

Saiu o segundo mini-doc sobre o livro-reportagemCorumbiara, caso enterrado

Compartilhe e convide seus amigos a conhecer mais sobre o lançamento da Editora Elefante, que passa a limpo o chamado 'massacre de Corumbiara'.

O trabalho tem roteiro e edição de Pedro Watanabe, edição de som e som adicional por Rafael Veríssimo, imagens e fotos de Gerardo Lazzari e locução de Paulo Noviello.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Negativa de Raupp em prestar informações a 'Corumbiara, caso enterrado' é tema de entrevista Em conversa na Caiari AM, autor do livro diz também que ideia principal foi respeitar as diferentes versões da história, permitindo ao leitor formar sua própria opinião

9725281290_d91ed9ae44_kO autor do livro Corumbiara, caso enterrado comentou em entrevista à Rádio Caiari AM, de Porto Velho, a recusa do ex-governador de Rondônia Valdir Raupp (PMDB) em prestar informações. Em conversa com o radialista Edson Santos, o jornalista João Peres reiterou que o hoje senador se negou a comentar as questões relacionadas ao episódio conhecido como “massacre de Corumbiara”.
No decorrer da apuração, Raupp foi procurado diversas vezes para que esclarecesse pontos em aberto, mas seu assessor informou que o cliente se reserva o direito de comentar apenas questões que lhe sejam positivas para a imagem. Com isso, resta uma dúvida sobre qual o nível de informação com que o político contava quando do cumprimento do mandado de reintegração de posse da fazenda Santa Elina, em Corumbiara, no sul do estado.
Na noite de 8 de agosto de 1995, o comandante da operação, o então major José Ventura Pereira, disse a jornalistas que buscaria mais duas negociações com os líderes da ocupação antes entrar à força no acampamento dos posseiros. Mas, na madrugada do dia 9, decidiu iniciar a operação da Polícia Militar, que chegou ao fim com um saldo oficial de nove mortes de sem-terra, duas de policiais e uma de um rapaz não identificado.
Na entrevista à Rádio Caiari AM, o autor do lançamento da Editora Elefante foi perguntado também sobre outras questões que estão em aberto neste caso. Ele contou que a ideia do livro é trazer à tona as diferentes versões sobre o episódio, respeitando divergências e semelhanças, de modo a permitir que o leitor tire suas próprias conclusões sobre o caso.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

20 ANOS DO MASSACRE DE CORUMBIARA-RO 09 de AGOSTO 1995


Editora Elefante abre pré-venda de "Corumbiara, caso enterrado" Livro-reportagem sobre vinte anos de conflito agrário em Rondônia será lançado no dia 20 de julho, em São Paulo. Mas já é possível reservar um exemplar em qualquer parte do país

 BY Editora Elefante abriu pré-venda de seu terceiro título. Corumbiara, caso enterrado será lançado no dia 20 de julho, em São Paulo. Mas, devido à procura, decidimos oferecer a reserva do livro diretamente em nosso saite. Os exemplares serão enviados aos leitores de todo o país nas vésperas do lançamento. É possível realizar a compra por dois sistemas, PayPal e PagSeguro, e optar por pagar com boleto ou cartão de crédito.
Como nos demais lançamentos da Editora Elefante, reduzimos nossa margem de retorno ao mínimo necessário para arcar com os custos. Isso garante ao leitor um preço camarada, de R$ 30, mais R$ 7 de frete. É importante salientar que temos um acordo comercial com os escritores na contramão do tradicionalmente firmado por editoras: o autor sempre fica com a maior parte das vendas.
Leia também:
Corumbiara, caso enterrado, do jornalista João Peres, busca lançar luzes sobre um capítulo obscuro da história brasileira pós-ditadura. O livro-reportagem propõe-se a passar a limpo a narrativa sobre o chamado “massacre de Corumbiara”, episódio prestes a completar vinte anos, ainda com muitas dúvidas e questões em aberto.
Em julho de 1995, famílias do sul de Rondônia em busca de terras ocuparam a fazenda Santa Elina, em Corumbiara, um gigante de 18 mil hectares. No cumprimento do mandado de reintegração de posse, ocorreu um conflito que deixou doze mortos. Cinco anos mais tarde, três policiais e dois sem-terra foram condenados. Esse resumo pode ser encontrado em qualquer reportagem sobre os fatos.
O essencial de Corumbiara, caso enterrado é cavocar além das aparências, dos números, da superfície. O jornalista João Peres, autor do livro, entrevista sem-terra, policiais, políticos, advogados, integrantes de movimentos sociais, promotores e juiz. Revisa processos e documentos. Promove o cruzamento de dados para tentar oferecer ao leitor um conjunto que permita formar a própria opinião. Busca romper a dicotomia empobrecedora que tenta a tudo enquadrar: bons e maus, amigos e inimigos.
Se ficou com vontade de saber mais antes de comprar, há várias maneiras. Confira o vídeo abaixo, com roteiro e edição por Pedro Watanabe, som a cargo de Rafael Veríssimo e locução por Paulo Noviello. Ou baixe, gratuitamente, o primeiro capítulo. Por fim, você pode ler reportagens sobre Corumbiara, caso enterrado.
Se estiver em São Paulo, não perca o lançamento. É dia 20 de julho, às 19h, no Ateliê do Gervásio, um simpático casarão e espaço cultural localizado na Rua Conselheiro Ramalho, 945, no Bixiga

Assista ao trailer de "

http://editoraelefante.com.br/?p=250

4/jul/2015, 16h13min Confronto entre sem-terra e policiais esquecido pela mídia é tema de livro-reportagem


Livro sobre o "massacre de Corumbiara" será lançado no dia 20 de julho, em São Paulo | Foto: Divulgação
Livro sobre o “massacre de Corumbiara” será lançado no dia 20 de julho, em São Paulo | Foto: Divulgação
Luís Eduardo Gomes
Um dos mais violentos conflitos entre sem-terra e latifundiários. Doze mortes, mas quase ou nenhuma informação. Para sanar esta lacuna e ir além do superficial, o jornalista João Peres lança, no próximo dia 20 de julho, o livro-reportagem “Corumbiara, caso enterrado” (304 pg), pela Editora Elefante, e com fotos de Gerardo Lazzari.
As mortes resultaram de confronto entre famílias sem-terra que ocupavam a fazenda Santa Elina, no sul de Rondônia, e policiais militares que cumpriam uma reintegração de posse. Passados 20 anos, ainda discute-se se o que ocorreu foi um massacre ou a reação a uma postura violenta e intransigente por parte dos agricultores.
João Peres conta que começou a investigar o caso há quatro anos, quando trabalhava no site Rede Brasil Atuale recebeu uma sugestão de pauta sobre o tema. “Tinha surgido uma pauta para conversar com um rapaz que tinha sido condenado por esse caso e estava foragido porque considerava a pena injusta”, diz Peres. “Eram 12 mortes, mas um caso pouco conhecido”.
O foragido em questão era Claudemir Gilberto Ramos, condenado a oito anos e meio de prisão por ser considerado o líder dos sem-terra envolvidos em um conflito com policiais militares que resultou na morte de 12 pessoas – nove sem-terra, dois policiais e um jovem não identificado. Ele não tinha sido um personagem central para a primeira matéria que Peres publicou sobre o massacre, mas eles voltariam a se falar.
“No começo de 2013, Claudemir pediu que o procurassem porque ele queria se entregar”, conta Peres, explicando que, após estas conversas, decidiu ir para Rondônia buscar a opinião de outras pessoas envolvidas e tentar preencher as lacunas sobre a história.
cicero pereira leite neto
Cícero Pereira Leite Neto foi um dos condenados pelo massacre | Foto: Gerardo Lazzari
Foram três viagens a Rondônia: no início de 2013, na metade do mesmo ano e no início de 2014. Ele conversou com sem-terra, policiais, políticos, advogados, integrantes de movimentos sociais, promotores e juiz. Revisou processos, documentos e cruzou dados. “Não havia muito material sobre Corumbiara. Eldorado de Carajás (massacre de 19 sem-terra nesta cidade paraense em 1997) tem livros, documentários, e esse caso não”, afirma Peres.
Ele acredita que a falta de um trabalho que sistematizasse o que ocorreu naquele julho de 1995 passa pelo fato de os sem-terra mortos ali não pertencerem a um movimento de projeção nacional. “O pessoal que ocupou a fazenda Santa Elina não estava ligado a nenhum movimento da reforma agrária, como o MST”, afirma.
Além de Claudemir, outro líder local, Cícero Pereira Leite Neto, foi condenado a oito anos e dois meses de prisão. Três policiais militares também foram condenados.
Peres, contudo, explica que o seu livro não traz uma conclusão definitiva sobre quem é o culpado pelo massacre. “O livro deixa para o leitor chegar a algumas conclusões. Se você procurar de um lado ou de outro, vai achar elementos para a condenção e absolvição”, diz. “Existe também, dentro de movimentos sociais, uma debate sobre se o que ocorreu foi um massacre ou uma batalha e em torno da condeção”, completa.
Ligação com a ditadura
Peres afirma que um dos aspectos que lhe chamaram a atenção na investigação sobre o massacre de Corumbiara foi o contexto de conflito social criado no norte do país devido a uma política do regime militar brasileiro.
“Durante a ditadura, houve uma política dupla: concederam muita terra para muita gente – um dos casos é a gleba Corumbiara, de 1,1 milhão de hectares – e, ao mesmo tempo, se fez uma política de atração de nordestinos em situação de pobreza para a região amazônica, para evitar que essas pessoas fossem para São Paulo e Rio de Janeiro”, afirma Peres. “Então, você encontra uma situação de pessoas muito pobres, desguarnecidas pelo estado, com fazendeiros com histórico de violência”.
| Foto: Gerardo Lazzari
Corumbiara abriga fazendas de milhares de hectares demarcadas no período da ditadura | Foto: Gerardo Lazzari
SERVIÇO:
O quê? Lançamento do Livro “Corumbiara, caso enterrado”
Onde? Ateliê do Gervásio – Rua Conselheiro Ramalho, 945, Bixiga, São Paulo – SP
Quando? 20 de julho, 19h
Entrada gratuita
http://www.sul21.com.br/jornal/confronto-entre-sem-terra-e-policiais-esquecido-pela-midia-e-tema-de-livro-reportagem/

Um comentário para “Confronto entre sem-terra e policiais esquecido pela mídia é tema de livro-reportagem”


  1. Adão disse:
    No confronto entre a polícia e o MST, ambos são vítimas. Demonizar os policiais, trabalhadores da área da segurança (que não gostam de cumprirem reintegração de posse, pergunte a qualquer policial). É o confronto de trabalhador contra trabalhador. Quem se mija (desculpem a expressão, mas é literalmente o que ocorre) com isso são os graúdos, latifundiários, que pagam ITR (imposto territorial rural) mais baixo do planeta e se dizem cumpridores das leis, mas quando outros trabalhadores (fiscais do Ministério do Trabalho e do INCRA) fiscalizam suas propriedades, são impedidos, agredidos e até mortos. A inexistência de reforma agrária no país não é culpa da polícia, mas dos governos e dos latifundiários.

sábado, 4 de julho de 2015

Celebração e ato Em memoria aos 20 Anos Do Massacre Corumbiara e 4 Anos Do Assassinato De Adelino Ramos E a vera também Lançamento do Livro-Corumbiara Caso Enterrado

https://www.facebook.com/events/118211368516476/


Parte do texto extraído da Tese de Doutorado de Helena Angélica de Mesquita intitulado de: Corumbiara: o Massacre dos Camponeses. Rondônia, 1995. 2001. Tese (Doutorado em Geografia Humana) FFCLH/USP. São Paulo.

 

O Conflito da Fazenda Santa Elina

 

No dia 14 de julho de 1995, centenas de famílias de trabalhadores rurais sem terra ocuparam uma pequena parte dos 20.000 hectares da Fazenda Santa Elina, no município de Corumbiara. Ao amanhecer do dia 15 de julho o acampamento era uma realidade. Nascia rapidamente um espaço de esperança. Como era uma área de mata, os camponeses construíram os barracos sob as árvores mais altas para proteger a pequena cidade de lona dos constantes voos de intimidação praticados por fazendeiros e policiais. O acampamento ficava separado do Assentamento Adriana por um riacho de águas límpidas. Neste assentamento os camponeses encontraram apoio e solidariedade, e lá pretendiam se refugiar em caso de cerco ao acampamento. Cuidados vãos, pois não tiveram a mínima chance; o cerco aconteceu de madrugada, quando todos estavam desmobilizados. A ocupação da Fazenda Santa Elina foi mais um dos 440 conflitos por terra que ocorreram no Brasil em 1995 e um dos 15 que aconteceram só em Rondônia naquele ano (dados da Comissão Pastoral da Terra).

No processo de reintegração de posse e no “despejo” dos posseiros, no dia 9 de agosto de 1995, os posseiros foram sistematicamente torturados. Sabe-se que o crime de tortura é inafiançável e imprescritível, no entanto tal crime não foi tema considerado no processo, assim como não o foi também no júri. Os policiais só foram a júri responsabilizados por três mortes, pois o juiz de Colorado do Oeste, na sentença de pronúncia, achou que não poderia imputar a ninguém a responsabilidade pelas mortes que ocorreram em “fogo cruzado”. Entretanto, este mesmo juiz mandou a júri os dois sem terra acusados da morte dos dois policiais que também morreram no fogo cruzado. Para fazer cumprir a liminar de manutenção de posse, a polícia teve o financiamento dos fazendeiros Antenor Duarte do Vale e Hélio Pereira de Morais, o último, proprietário da fazenda Santa Elina. Eles forneceram homens, veículos, alimentação, transporte de tropas e armas. Foi uma empreitada privada, feita de forma intempestiva, inconsequente e criminosa e que, no final, quem acabou sofrendo as piores consequências foram os próprios camponeses sendo, inclusive, condenados pelo júri.

 

A sociedade brasileira não encontrará a paz enquanto a violência continuar impune. Mas os camponeses não se calarão enquanto as elites continuarem intransigentes com relação à terra. Por isso mesmo, nem um ano depois, outra Corumbiara aconteceu no governo social democrata (na verdade neoliberal) de FHC: Eldorado dos Carajás.
  • às 18:00 - 22:00
  • Rua Genaral Labatute 19 JD-piratininga Osasco SP,Paroquia NS,Aaparecida


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Livro sobre Massacre de Corumbiara repercute na mídia nacional

Livro Corumbiara
Previsto para ser lançado no próximo dia 20, em São Paulo, o livro “Corumbiara, caso enterrado” (capa do livro na imagem principal desta matéria) deve promover o resgate de um dos episódios mais trágicos da história do Cone Sul de Rondônia. O conflito entre sem-terra e policiais militares na zona rural de Corumbiara resultando na morte de 12 pessoas aconteceu em agosto de 1994, e até hoje seu desfecho ainda é motivo de questionamentos, os quais são potencializados por uma espécie de “lei do silêncio” que paira sobre o caso.


Mas graças ao trabalho do jornalista paulistano João Peres (de óculos no centro da imagem em preto e branco) o episódio deve voltar a ser debatido. Fruto de um intenso trabalho de pesquisas feitas pelo repórter, que entre 2.013 e 2.014 esteve várias vezes em Rondônia para ouvir pessoas que tiveram relação com o caso, o livro já começa a causar repercussão antes mesmo do lançamento. A obra está sendo lançada pela Editora Elefante.
No último dia 29 o próprio autor do livro-documentário produziu matéria relatando os bastidores de sua empreitada no site Agência Pública (referência de reportagens e jornalismo investigativo), a qual foi reproduzida ontem (quinta-feira 02) na página eletrônica da Carta Capital, uma das mais respeitáveis revistas de notícias do país.
No texto, Peres descreve a dificuldade que enfrentou para quebrar o silêncio de vários implicados no ocorrido, e o clima de tensão que paira sobre a comunidade em geral quando o assunto diz respeito a questão fundiária. Além da matéria, ilustrada com várias fotos, o autor também disponibilizou aos interessados o primeiro capítulo de seu livro na íntegra.
Confira nos links abaixo as duas reportagens:
Leia o primeiro capítulo de “Corumbiara, caso enterrado”:
http://www.extraderondonia.com.br/2015/07/03/livro-sobre-massacre-de-corumbiara-repercute-na-midia-nacional/

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Corumbiara Massacre Nunca Mais.



Breve Doc Em Vídeo Corumbiara Caso Enterrado Link do Vídeo Abaixo

Saiu o primeiro mini-doc sobre Corumbiara, caso enterrado, livro que a Editora Elefante lança em 20 de julho!
O trabalho tem roteiro e edição de Pedro Watanabe, edição de som e som adicional por Rafael Veríssimo, imagens e fotos de Gerardo Lazzari e locução de Paulo Noviello.
A parte do vídeo sobre Adelino Ramos foi extraída do documentário "Corumbiara, nunca mais".


 https://www.facebook.com/EditoraElefante/videos/716714855099093/

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Lançamento do livro "Corumbiara, caso enterrado"

                                             Segunda, 20 de julho
às 19:00 - 22:00 

    Rua Conselheiro Ramalho, 945. Bixiga. São Paulo - SP
Massacre ou batalha? A história mal contada de um dos piores conflitos agrários do Brasil pós-ditadura ganha uma nova chance de se conciliar com a realidade em "Corumbiara, caso enterrado". O livro-reportagem, lançamento da Editora Elefante, propõe-se a passar a limpo a narrativa sobre o chamado “massacre de Corumbiara”, episódio prestes a completar vinte anos, ainda com muitas dúvidas e questões em aberto.

Em boca fechada não entra bala,Silêncio, chá de sumiço, amnésia seletiva e ameaças veladas no caminho de ‘Corumbiara, caso enterrado’, livro sobre um dos piores conflitos agrários pós-ditadura por João Peres | 29 de junho de 2015


Acima, queimadas à beira da BR 364 em agosto de 2013, durante a apuração do livro-reportagem. Foto: Gerardo Lazzari/Editora Elefante.
Todos lançam olhares inquisidores sobre o carro. As cabeças descrevem o movimento exato do automóvel ao passar pelas ruas, ansiosas por saber quem são os forasteiros. Um repórter barbudo, um fotógrafo argentino, um padre irlandês de rosto vermelho e um missionário inglês enorme formariam um grupo exótico em quase todos os lugares do mundo. Em Vista Alegre do Abunã, um distrito minúsculo de Porto Velho, em Rondônia, são uma aberração.
A tensão que acompanha jornalistas em apurações sobre questões agrárias na Amazônia é grande. No geral, vai-se a locais com baixa presença institucional do Estado e com uma cultura de violência e ajustiçamento. O Brasil é um dos países com piores índices de assassinato de profissionais de imprensa, segundo ranking elaborado anualmente pela organização Repórteres Sem Fronteiras. Ter escolhido um caso ocorrido numa frente nova de desmatamento para começar a apuração que resultaria no livro Corumbiara, caso enterrado (Editora Elefante, 2015) não foi uma decisão prudente.
O distrito de Vista Alegre do Abunã, onde foi morto Adelino Ramos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Corumbiara na época do massacre. Foto: Gerardo Lazzari/Editora Elefante
O distrito de Vista Alegre do Abunã, onde foi morto Adelino Ramos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Corumbiara na época do massacre. Foto: Gerardo Lazzari/Editora Elefante
Na realidade, qualquer um que chegasse de fora chamaria atenção. Qualquer um que viesse querendo saber desse assunto. Faz quase dois anos que tudo ocorreu. A cerca por onde escorreu o sangue de Adelino Ramos é a única testemunha dos fatos. Ninguém quer abrir a boca. Ao longo do dia, jogam-nos de um lado para o outro, sem fornecer informações sobre quem pode ter encomendado a morte de Dinho. Líder do Projeto de Assentamento Florestal (PAF) Curuquetê, a poucos e pedregosos quilômetros daqui, no sul do Amazonas, ele foi assassinado num domingo do final de maio de 2011.
Cerca de um mês antes, havíamos conversado por telefone, num intervalo de poucos minutos em que havia sinal de celular. “A gente defendeu um projeto inovador no país, que é o assentamento florestal comunitário, e é esse em que a gente está. Então, onde há matança de gente, onde há roubo de barreiras, no estado do Amazonas… tudo que sai do Amazonas sai para Rondônia”, contou. Adelino já estava encrencado.
Agora, em fevereiro de 2013, sob o calor abrasador do noroeste rondoniense, espreitávamos sabendo que éramos espreitados. Vista Alegre é um dos muitos distritos de Porto Velho, uma das maiores capitais do país. Como vários dos povoados de Rondônia, tem um só caminho para entrar, sair ou fugir, especialmente se não se está a bordo de uma picape. Dali a dez quilômetros, em linha reta para o Norte, está o Amazonas, e dali a quinze, para o Sul, fica a divisa com a Bolívia. Entre um lado e outro, madeira nobre sendo transportada à luz do dia, em cinco mil viagens de enormes caminhões em direção ao Sudeste, segundo contabilidade apreendida em poder dos “donos” da área.
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigavam havia quase três anos um esquema de loteamento ilegal de terras da União convertidas em área de desmatamento. “É terra sobre terra. Ninguém é dono. Com a instalação do assentamento Curuquetê, isso começou a criar um impasse entre o pessoal que já estava lá. Como ninguém tem título, o assentamento era um risco para eles”, contou um agente federal envolvido na investigação. “A gente percebia que aquela situação estava insustentável e poderia desaguar em alguma outra coisa. Não achava que podia desaguar em crimes contra a vida.” Só depois da morte de Adelino a Justiça Federal autorizou que se realizasse uma operação contra o corte ilegal da floresta.
Logo após o crime, a Polícia Civil anunciou a prisão de Osias Vicente, envolvido com madeireiros locais, acusado de matar Adelino. Mas, até o fim do ano, o Ministério Público Estadual não havia oferecido denúncia. Uma história sem um pingo de originalidade: o Judiciário libertou o suposto matador, que um mês depois acabou assassinado, o que levou ao arquivamento do caso sem que se chegasse aos mandantes do crime contra o líder sem-terra.
Porteira da fazenda Santa Elina, onde ocorreu o "massacre de Corumbiara" em 1995
Porteira da fazenda Santa Elina, onde ocorreu o “massacre de Corumbiara” em 1995. Foto: Gerardo Lazzari/Editora Elefante
Sem colher bons resultados em Vista Alegre, fomos até Extrema, outro distrito de Porto Velho, onde Adelino foi atendido após os disparos. “No caminho para Extrema, um carro ficou fechando eles, não deixou correr. Até hoje ninguém soube me dizer que carro que era. Nem a placa”, contou mais tarde um amigo da família que também não conseguiu arrancar informação alguma sobre a morte. A ficha de atendimento é lacônica: óbito provocado por perda de sangue. No posto policial, o boletim de ocorrência sobre Adelino é o maior da unidade: uma pilha de meio metro de papel depositada entre duas cadeiras. Um dos escrivães – são dois no total, respondendo por quatro distritos – não dá esperança de que a investigação avance. São muitos casos para cuidar e a estrutura é extremamente precária.
No começo, não sabíamos se dormiríamos em Vista Alegre. Depois do clima tenso com que nos deparamos, não resta dúvida de que o mais seguro é retornar ao centro de Porto Velho, para decepção do padre irlandês Bernard Leo Dolan, amigo da família de Adelino que esperava retornar com algo mais. É, de fato, um começo de viagem ruim.
Entre 2013 e 2014, quase sempre na companhia do fotógrafo Gerardo Lazzari, percorro Rondônia para tentar entender as histórias que envolvem o chamado “massacre de Corumbiara”, ocorrido em 9 de agosto de 1995 durante uma operação de reintegração de posse na fazenda Santa Elina, no sul do estado. Segundo os números oficiais, 12 pessoas morreram – nove sem-terra, dois policiais e um rapaz não identificado, possivelmente um pistoleiro. Resumindo de maneira simplória, a acusação levou ao julgamento de dois posseiros e de 12 agentes de segurança. Do lado dos ocupantes, saíram condenados Cícero Pereira Leite Neto, seis anos e dois meses de reclusão, e Claudemir Gilberto Ramos, oito anos e meio. Entre os PMs, foram sentenciados os soldados Airton Ramos de Morais, a 18 anos, e Daniel da Silva Furtado, a 16 anos, e o então capitão Vitório Régis Mena Mendes, a 19 anos e meio.
Cicero Pereira Leite Neto, um dos posseiros condenados após o massacre. Foto: Gerardo Lazzari/Editora Elefante
Cicero Pereira Leite Neto, um dos posseiros condenados após o massacre. Foto: Gerardo Lazzari/Editora Elefante
A história de Adelino, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Corumbiara na época, é uma entre várias relacionadas ao caso. Fundador do Movimento Camponês Corumbiara (MCC), de 1995 a 2011 conseguiu assentar muitas famílias, brigou com amigos e inimigos, zanzou Rondônia de sul a norte, escapou da acusação pelas mortes ocorridas na Santa Elina. Em Lábrea, no Amazonas, esperava tocar mais um assentamento. Num lugar improvável. “Não tem condição nenhuma de manter qualquer atividade produtiva. Não tem terra, não tem água, não tem luz. Tem todo tipo de problema de malária, febre amarela, bicho peçonhento”, contou um agente federal.
Nos dias seguintes àquela busca pouco frutífera por informações em Vista Alegre, os gringos ficaram em Porto Velho, enquanto Gerardo e eu fomos a Theobroma, no centro do estado, onde acabaram assentadas entre 1995 e 1996 algumas das famílias do episódio da Santa Elina. O começo da conversa era quase sempre igual: recebiam-nos com desconfiança, cara amarrada, incomodados com o assunto. Parecia que daquele mato não sairia coelho. Até que a pessoa, geralmente homem, começava a se soltar – e a soltar informações. Nossa cabeça de paulista planejava fazer várias entrevistas ao dia, ignorando que na roça o tempo é outro, que é preciso esperar o caboclo escolher o momento certo de falar, criar laços de confiança.
A última parada prometia ser a mais tensa. Havia um misto de curiosidade e receio por chegar ao palco dos acontecimentos. Depois de conhecer Vista Alegre, vislumbrávamos algo parecido em Corumbiara. Não foi o que ocorreu. Ainda que muitos tenham se dado conta de nossa presença, e até mesmo dos motivos dela, os fatos de 1995 eram passado para a maior parte das pessoas.
Nas outras vezes, já sabendo andar sozinhos pela região, vimos situações mais perigosas, mas não para nós. Na época do conflito, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não chegou a desapropriar a Santa Elina, operação que retomou 12 anos mais tarde, abrindo uma disputa pelas terras férteis e simbólicas. A Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia, ex-aliada de Adelino, e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Corumbiara acabaram obrigados a dividir o assentamento. Basicamente, adversários revolucionários e reformistas foram colocados dentro de um mesmo espaço. “O povo que não sofreu o massacre com a gente fica implicando. Tem hora que eu fico revoltado. Ficam pisando na gente. Eu pensava que a gente era tudo amigo”, contou um homem, sob ameaças de morte por desentendimentos mesquinhos.
Cansou de tomar ‘não’ pelo telefone? Veio tomar ‘não’ pessoalmente?”, perguntou, muito irritado.
Sempre deixávamos Rondônia com a sensação de que seria importante voltar. Os relatos dos sem-terra eram interessantes, mas repetitivos e insuficientes. Era necessário entrevistar advogados, promotores, juiz, políticos, integrantes de movimentos sociais.
Poucas passagens foram tão desgastantes quanto a conversa com o ex-secretário-executivo de Valdir Raupp, governador na época do episódio da Santa Elina. Telefonei para Édio Antônio de Carvalho no começo de 2014. Ele avisou que só conversaria pessoalmente. Liguei de novo avisando que embarcaria nos próximos dias para Porto Velho. “O Édio que você está procurando é outro”, respondeu.
Era um sábado de manhã quando peguei o carro e fui ao condomínio onde morava, nas imediações do centro de Porto Velho. Por sorte, o esquema de segurança era frouxo e o rapaz da portaria não anunciou minha chegada. Quando entrei em sua casa, fez uma cara de surpresa indescritível. “Cansou de tomar ‘não’ pelo telefone? Veio tomar ‘não’ pessoalmente?”, perguntou, muito irritado.
Com o passar dos minutos, acalmou-se e começou a narrar sua versão. Uma versão diferente da que está registrada em relatório da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Em 1995, Édio contou a deputados que não se chegou a um desfecho pacífico porque o fazendeiro Antenor Duarte do Valle, vizinho da área ocupada, rejeitou acordo para assentar as famílias. Agora, ele culpava os sem-terra, a quem acusou de intransigência no diálogo, e dizia sofrer de amnésia em relação a pontos incômodos. O ex-secretário-executivo disse ter recebido ordem para prestar todo apoio às famílias, desde que aceitassem deixar a fazenda.
No meio da prosa, criticou o governo do PT, tido como comunista, e afirmou que, no que dependesse de Lula, Evo Morales teria invadido o Brasil. Queixou-se de não conseguir mais contratar empregada devido ao Bolsa Família. Enquanto conversávamos, sua mulher perguntou em que veículo jornalístico eu trabalhava porque queria ler minhas reportagens para saber se eu era de esquerda. Deixou ameaças no ar. Decidi sair dali o quanto antes. Meti-me no centro de Porto Velho e fiquei rodando um tempo, até ter certeza de que não haveria problema.
Em outras oportunidades, momentos de alta tensão se revelaram calmos. Ou viraram frustração. Por duas vezes, tentei conversar com os policiais militares de Vilhena, divisa com o Mato Grosso, sede do batalhão em que atuava a maior parte dos envolvidos no caso da Santa Elina. Na primeira, um PM esperou que eu chegasse à cidade para dizer que havia se arrependido e não queria mais conversar. Outro viajou sem avisar e pediu que aguardasse por uma semana ou dez dias, até a volta.
Na segunda vez, depois de uma entrevista animadora, parecia que andava por bom caminho. A promessa era de que três policiais dariam uma entrevista às 7 horas.
– Oi. O pessoal não apareceu ainda?, perguntou o PM que havia garantido a conversa.
Passei o dia inteiro sentado, à espera de que viessem, sempre com promessas renovadas de que estavam a caminho. Na manhã seguinte, fui ao batalhão. Receberam-me com conversas sobre amenidades, contaram sobre o bem-sucedido esquema de patrulhamento de ruas de Vilhena e me despacharam sem contar nada sobre o que queria ouvir. Durante mais dois dias, busquei por todos os meios conversar com os policiais. Nunca tomei tanto perdido na vida. Saí de lá puto, sabendo que aquela apuração estava encerrada.
Era o fim irritante de um trajeto que começara de maneira tensa. No começo de 2011, entrevistei Claudemir Gilberto Ramos, sem-terra condenado a oito anos e meio de prisão pelas mortes de dois policiais vitimados no caso da Santa Elina. Filho de Adelino, ele se recusava a cumprir a pena, que considerava injusta. Aquela narrativa, tão cheia de lacunas, foi o que me motivou a entender melhor a história, contada no primeiro capítulo do livro, compartilhado agora com os leitores.

Baixe o primeiro capítulo de Corumbiara, caso enterrado, de João Peres.


http://apublica.org/2015/06/em-boca-fechada-nao-entra-bala/