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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Movimentos sociais.

As noticias de assassinatos de lideres da luta no campo parece uma constante na realidade brasileira. As autoridades, também, continuam não assumindo a causa da terra cujo tratamento mais coerente seria a Reforma Agrária. Mas ainda que esteja na agenda de tantas autoridades constituídas (mais precisamente, no discurso, principalmente, eleitoreiro), não vemos, na sociedade,nenhum caminho positivo em termos de políticas sociais para o campo.Enquanto isso, muitos tombam na luta pelos direitos do uso produtivo da terra e defendendo o meio ambiente.
É uma realidade inegável, só não enxerga quem não está antenado*
E quando o povo se movimenta,ocupa, resiste, aí, é um, bando de baderneiros, oportunistas vagabundos e meliantes. Enfim, criminosos!
Mas, felizmente, os movimentos sociais se firmaram e sempre se valeram do apoio voluntário dos que simpatizam com a causa da luta pelo direito de cultivar a terra. Dessa forma, há uma diferença muito grande entre eles e as organizações partidárias, uma vez que fundam sua ação em uma prática na qual o interesse maior é a causa coletiva e não os benefícios que determinados grupos possam ter através de acordos ou alianças políticas.Ou seja, a essência da luta pelo direito á terra parece continuar vivo e é a mola de todas as ações.

Mas não se pode afirmar,com segurança, o que reivindica um movimento enquanto ele não imponha de maneira clara o que objetiva e, mesmo assim, ocorrem as contradições( o exemplo é o caso de Francisco Julião, líder das Ligas Camponesas durante os governos militares, que, após a anistia retornou do exílio , primeiramente se filiou ao PDT, na época, de esquerda , dirigido por Leonel Brisolla, mas em 1986, na primeira eleição que disputou após a volta do exílio, candidatou-se a deputado federal por Pernambuco, entretanto, tomou totalmente contraditória com seu passado: apoiou o candidato a governador pelo Partido da Frente Liberal – atual Democratas (DEM) – o usineiro José Múcio Monteiro ).
O que se compreende é que o radicalismo do método, por si só( o lema das LIGAS CAMPONESAS era Reforma Agrária na Lei ou na Marra), não assegura a essência da proposta.
Então, os movimentos sociais acabam ficando em uma posição em que podem, estrategicamente, ouvir este ou aquele, escolher e aceitar o apoio deste ou daquele, sem ,entretanto, fazer a composição ideológica , ou seja, o que se percebe nos movimentos sociais é que eles ainda conseguem se livrar disso.Ainda conservam a pureza de sua essência. E que bom!!!
A Reforma Agrária tem a dimensão de uma bandeira avançadora, contudo, se for só assim , sem se desdobrar em uma proposta de cunho revolucionário., corre o risco de virar uma reivindicação de caráter social que não abre mão do sistema capitalista e que procura efetivar-se dentro dele e dessa forma, acaba reforçando-o.Os políticos “envolvidos” com essa bandeira, a despeito de qualquer suposta boa vontade e intenção,, até agora, não assumiram, uma posição de luta pela transformação radical de um sistema cuja estrutura é a geratriz da desigualdade e da exclusão.Os que se destacaram nesse aspecto, no meu entendimento, apesar de se declararem a favor dos movimentos sociais,suas ações tem caráter meramente reformista porque no sistema vigente jamais será feita uma reforma agrária social e disso sabem todas aquelas pessoas que entendem a sociedade sob uma postura mais crítica.
Na verdade, é bem cristalino que a reforma agrária social só será alcançada em uma sociedade sem classes. E jamais uma reforma agrária redistribuitiva dentro do sistema capitalista terá essa característica social pois nesse caso, o capitalismo estaria criando um vazio na sua logica já que para ele o caráter privado da propriedade da riqueza impede a distributividade.
E conclui-se que a única reforma agrária que pode acontecer dentro da estrutura capitalista( que é aquela em que vivemos,que ainda não transformamos) é a que fica sob o controle capitalista , como a que já aconteceu, através do Estatuto da Terra, que eu até já citei em outro artigo como a forma legal oficial que existe, assim como está, também, na Constituição, entretanto, sabemos que ambas as Leis foram feitas pelo sistema capitalista e dentro do sistema capitalista, para servir aos interesses do capitalismo.

Então, acredito que se não podemos transformar radicalmente a sociedade, como aconteceu em Cuba, ou seja ,por meio da revolução armada, da mobilização urbana e camponesa, da união desses setores imprescindíveis na sociedade, precisamos inventar meios para ir ,aos poucos, mostrando a cara e mostrando que realmente queremos transformar e não ,simplesmente, reformar.

Creio que a educação através de métodos voltados para a construção de uma nova sociedade, através de técnicas de vanguarda, como ,por exemplo,a formação do homem do campo, daquele que vai cultivar a terra , como já vem ocorrendo em escolas de assentamentos, com o uso do método Paulo freire, na ENFF, é o grande caminho que se abre á nossa frente.

Talvez a fome no Brasil ainda não tenha atingido os limites alarmantes o suficiente para que suas vitimas reajam radicalmente( um amigo meu diz que como o pão custa 25 a 30 centavos, o mendigo pede a esmola ganha os 30 e vai comprar o pão e depois ,com a fome momentaneamente saciada ,vai parar no bar da esquina e ver o jogo de futebol que está passando- ou seja, ele ainda pode conseguir que lhe dêem o do pão);como ainda , talvez, não estejamos preparados para sermos uma Cuba e não possamos ainda viver um 1 de janeiro de 1959, sabe, aquela entrada em Havana, do Che e do Fidel e seus companheiros, com a revolução vitoriosa,precisamos ir mudando os pensamentos das pessoas,.

Há uma frase que está veiculando na internet, assim: “ Se a Copa é em 2014 e as Olimpíadas ,em 2016, porque não enforcamos 2015?”
Essa frase reflete a mentalidade de tantos brasileiros ou é uma pegadinha da mídia atrelada , já encomendada pelos donos do poder, para distrair as mentes ?
Do nosso modo, através da própria internet usada pela mídia para tentar imbecilizar as mentes das pessoas ou passar para outras mentes que esse é o senso comum, vamos estar aqui sempre,desmentindo isso, escrevendo, participando, dando força aos movimentos sociais que surgem e já se destacam com algum diferencial, como é o caso do MCC com essa vanguarda que é o INFCAR.



O tempo pode passar
E ele vai embora
Sim, certamente
Com toda a força
De sua majestade
Mas nós podemos lutar
Mudar a historia
Com a nossa mente
E toda a força
De sua majestade.




Ninféia G

*Neologismo- significa prestar atenção, com as antenas ligadas.

Um comentário:

  1. Parabéns companheira e e isto mesmo temos que conscientizar aos poco as pessoas mas com clareza Asim como seu lindo texto te admiro muito sabia?Abraço grande companheira minha camarada de luta ATE A VITORIA SEMPRE!!!

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Obrigado por se manifestar