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terça-feira, 16 de abril de 2013

A luta de Adelino Ramos e Claudemir Ramos



A LUTA DE ADELINO RAMOS E CLAUDEMIR RAMOS

Se há uma coisa em que queremos acreditar é que, se formos acusados de um crime, teremos direito a uma audiência justa diante de um tribunal de justiça.
Isso porque ouvimos falar que somos todos iguais perante a lei, quer sejamos ricos ou pobres, e que aqueles que trabalham com a justiça são pessoas responsáveis, dignas de confiança, abertas e transparentes em seu trabalho.

Mas isso não vale para todo mundo. E certamente não vale para Claudemir Ramos e Adelino Ramos e suas famílias. Este documentário é uma pequena amostra de quão diferente é a realidade deles, na floresta amazônica, da realidade daqueles que vivem e trabalham nas grandes cidades. Adelino Ramos e seu filho, Claudemir Ramos, são sobreviventes do massacre de Corumbiara. Esse trágico evento é um marco na história dos sem-terra em nosso país.

Em 14 de julho de 1995, centenas de famílias ocuparam uma pequena parte de uma fazenda chamada Santa Lina, na cidade de Corumbiara, em Rondônia. Vinte e cinco dias depois, na madrugada de 9 de agosto, um verdadeiro inferno se abateu sobre aqueles cujo único sonho tinha sido possuir um pedaço de terra para cultivar, um direito assegurado pela Constituição de 1988.

Corumbiara foi diferente dos outros 440 conflitos de terra que aconteceram no Brasil em 1995. Corumbiara foi diferente dos muitos outros conflitos de terra que aconteceram em Rondônia, em 1995. Foi diferente em função das execuções sumárias e violentas que aconteceram nas primeiras horas daquela manhã fatídica: torturas, espancamentos e atos desumanos foram cometidos pela polícia e por mercenários contratados pelos donos de terra da região.

Até hoje, os responsáveis pelo massacre não foram indiciados. Quem vai pagar pela morte dessa centena de pessoas? Quem vai ser responsabilizado pela destruição de tantas famílias? Quem vai reparar a perda de tantas vidas? Há muitas perguntas sobre Corumbiara que permanecem sem resposta.

O trabalho da professora Helena Angélica de Mesquita talvez seja o melhor relato do que aconteceu, com destaque para o fato de que nenhuma evidência foi apresentada nos tribunais, o que sem dúvida chama a atenção, em especial dos observadores internacionais.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos, em seu relatório de 2004, exigiu que o Estado brasileiro realizasse uma completa, imparcial e efetiva investigação dos fatos acontecidos, por órgãos não-militares, para determinar a responsabilidade sobre as mortes, agressões e outros atos que aconteceram na fazenda Santa Lina, em 9 de agosto de 1995. Decidiu também que o Estado brasileiro deve punir todos os atores, materiais e intelectuais, civis ou militares, além de fazer a adequada reparação às vítimas mencionadas nesse relatório ou seus familiares mais próximos, de acordo com as violações de direitos humanos ali contidas.

Hoje, quase dez anos depois, o Estado brasileiro ainda não cumpriu integralmente as determinações do relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos de 2004. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra, 1.500 pessoas foram mortas pela violência no campo desde 1995, porém, menos de cem pessoas foram condenadas e apenas um dos que ordenaram o massacre de Corumbiara está atrás das grades.

A mesma falta de transparência e responsabilização ocorreu também em Vista Alegre, em Rondônia, em maio de 2011, quando Adelino Ramos foi morto, à queima roupa, diante de suas filhas pequenas e da esposa. Seu assassino, Ozeas Vicente, era conhecido na região como pistoleiro profissional. Contratado para cometer esse crime, ele mesmo foi assassinado, e ambas as mortes precisam ainda ser esclarecidas. Não será fácil descobrir quem ordenou sua morte e a morte de Dinho, como era conhecido Adelino Ramos, pois a morte de Ozeas Vicente ensejou ao juiz arquivar ambos os processos.

Mesmo depois do massacre de Corumbiara, Adelino Ramos continuava a liderar o Movimento Camponês Corumbiara, MCC. Nos 16 anos seguintes, partidário da não-violência, Dinho ajudou trabalhadores a se estabelecerem na terra, seguindo a Constituição de 88 e a política do governo. Foram cerca de 15 mil pessoas, assentadas em 37 locais diferentes. Ao contrário dos grandes fazendeiros, Dinho estava interessado em dar às pessoas no meio da floresta uma chance de trabalho e sobrevivência. Ele reunia grupos de trabalhadores e ensinava sobre o cultivo da terra e o respeito à natureza; como preparar a terra após a colheita, mantendo-a viva e produtiva.

Mas Dinho foi morto. Foi morto por falar abertamente contra o corte ilegal de madeira e a destruição da floresta pelos poderosos, interessados apenas no próprio interesse e no lucro pessoal. Ele recebeu muitas ameaças e recusou vários subornos, até finalmente ser morto. Esses subornos incluíam vastas extensões de terra – quanta terra ele quisesse –, muito dinheiro e mesmo um caríssimo veículo 4 x 4. Em 2010, Dinho denunciou a situação ao Ouvidor Agrário Nacional e à Comissão de Combate à Violência e aos Conflitos no Campo, embora temesse pela própria vida. Ele passou às autoridades informações relevantes sobre essas ameaças, mas nada foi feito a respeito.

Com perguntas ainda sem respostas, em fevereiro de 2013, um grupo de militantes de São Paulo atravessou o país até Porto Velho, sob cuja jurisdição estão Corumbiara e Vista Alegre. Uma vez lá, conversas com diversos políticos e advogados locais deixaram muito clara a debilidade dos sistemas democrático e legal que operam em Rondônia. Não restaram dúvidas de que os sistemas nacional e federal ficam em segundo plano diante dos interesses dos grandes donos de terra. Essa é uma região que alguns, em Brasília, descrevem como território de bandidos.

De Porto Velho, viajamos de carro em direção a oeste, à fronteira da Bolívia, para a cidade em que Dinho foi morto, Vista Alegre do Abunã. Passamos por imensas estradas de uma bela paisagem, em que a derrubada da floresta abriu caminho para o gado. Para alimentar uma única rês é preciso cortar aproximadamente um acre (4 km2) de floresta e transformá-lo em pasto. Pode-se ganhar muito dinheiro com essas fazendas e seus grandes rebanhos. Em todo o trajeto, não conseguimos avistar vilas ou pessoas vivendo e trabalhando nesse vasto território que um dia foi coberto por florestas. Ao contrário, são as estradas, ampliadas e modernizadas em anos recentes, que chamam a nossa atenção.

Seguimos em frente e atravessamos o vasto rio Madeira, maravilhados pela majestade e beleza de um dos grandes tributários do rio Amazonas, com cerca de 3.250 km de extensão. Depois de uma viagem de cerca de 200 km de carro, chegamos a Vista Alegre.
Vista Alegre é um lugar promissor, mas o progresso ainda não chegou lá. É um lugar pouco acolhedor e onde qualquer forasteiro pode ser facilmente identificado. As casas e cercas de madeira atestam que a cidade é muito dependente da indústria madeireira. É um fato que não se pode negar. E quem quiser ignorá-lo, fica por sua conta e risco.

Viemos à cidade de Vista Alegre do Abunã, no estado de Rondônia, para falar com os policiais da delegacia da cidade, que transmitiram as primeiras notícias da morte de Adelino. Eles educadamente disseram que não podiam responder a nenhuma pergunta. Todas as investigações relevantes tinham sido realizadas pela Polícia Federal, que não revelou suas descobertas à Polícia Civil. Nós nos perguntamos onde estava a transparência, a ação conjunta das polícias na investigação de um caso de assassinato ainda em aberto?

Disseram-nos que ao menos duas pessoas em Vista Alegre, nos diriam o que tinha acontecido com Dinho. Fomos entrevistá-los. Um deles se recusou a fazer qualquer declaração que pudesse ser divulgada. Outro negou ser amigo de Dinho e chegou até a dizer que não o conhecia. Ambos pareciam assustados, e ambos forneceram informações falsas sobre o local em que Dinho foi morto. Foi um dia muito triste para a democracia, a solidariedade humana e a justiça brasileira.

Não há nada que assinale o local em que Adelino Ramos, o Dinho, foi morto, em maio de 2011, diante das próprias filhas. É muito conveniente para quem quer que tenha sido o mandante, que sua morte terrível caia no esquecimento. O homem que o matou também está morto. Nenhum nome identifica a estrada de terra. Como o corte ilegal de madeira, este líder dos sem-terra teve sua vida ceifada, e a morte de Dinho clama aos céus por justiça. Esta é uma terra em que a grama cresce e os caminhões carregados de madeira ilegal partem sem que ninguém diga uma palavra.

Mas o filho de Dinho ainda está em busca de justiça para si mesmo e para seu pai.
Claudemir Ramos sempre negou ser responsável pelo que aconteceu em Corumbiara. Ele nega a afirmação de que teve um julgamento justo. Ele se lembra de ter sido torturado, jogado na prisão e ter conseguido escapar. Claudemir Ramos se considera um fugitivo da injustiça e descreve Corumbiara como uma tragédia de morte e tortura para os trabalhadores. Ele já pensou muitas vezes em se entregar, mas se fizer isso, ele sabe que, como seu pai, será morto por aqueles que temem que surjam líderes entre os camponeses para lutar pelo direito à terra. Claudemir rejeita a violência como solução e espera que as urnas eleitorais tragam a mudança e a reforma agrária para o Brasil. Mas, para que isso aconteça, ele acredita que é preciso que o governo tenha mais coragem e trabalhe mais perto do povo do campo, em solidariedade, sem ceder aos poderosos e aos donos de terra.

Muitos homens abastados buscam apenas o próprio interesse. Claudemir afirma que seu pai era um homem que não podia ser comprado pelos latifundiários, e funcionários corruptos do governo, que ele tinha a devida autoridade e documentação das organizações do governo, INCRA e IBAMA, e que foi morto defendendo a floresta do Amazonas e ajudando trabalhadores a se estabelecerem na terra em meio à corrupção. Ele afirma que não há justiça para os pobres, no Brasil, apenas para os ricos. Perguntamos o que ele diria aos europeus que dizem: “Mas isso é o que era de se esperar, no Brasil, não é?” e ele respondeu que é muito triste ouvir que os europeus considerariam que seja normal, em qualquer lugar do mundo, que as pessoas tenham de lutar para ter seus direitos básicos respeitados.

Mais tarde, nos encontramos com a irmã de Claudemir, Célia. Ela disse que sua família foi gravemente afetada por Corumbiara. Seu irmão é perseguido ainda hoje, e é procurado por um crime que não cometeu. Ela compara seu pai, que era líder dos camponeses no tempo de Corumbiara, ao bom pastor, que sacrifica seus interesses pelos interesses dos outros. Ela afirma que ele foi uma luz para os outros, ajudando a estabelecer mais de 15 mil pessoas em 37 assentamentos. Ao perguntarmos se ela achava que o sacrifico de seu pai tinha valido a pena, ela disse que sim. Célia acredita que ele morreu com Deus, que ele deu esperança às pessoas, e mostrou um caminho para o progresso e para uma sociedade mais justa. Quanto ao futuro dos amazonenses, ela espera que haja mudanças. Que uma sociedade mais unida leve a uma reforma constitucional que garanta os direitos humanos para todos. Ela anseia pelo dia em que todas as pessoas no Brasil, ricos e pobres, tenham os mesmos direitos. Por hora, a seu ver, o atual sistema de justiça, libera o culpado e pune o inocente.

O Brasil é um país belo e rico, que tem fartura de alimentos e um povo hospitaleiro. Este ano o Brasil será o anfitrião da Jornada Mundial da Juventude, à qual estará presente o Papa Francisco. Vai sediar a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016. O que faremos com as nossas mazelas? Vamos varrê-las para debaixo do tapete da indiferença?

O Brasil almeja uma cadeira no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Entretanto, enquanto não encarar sua vergonhosa tolerância à injustiça com relação à terra e à igualdade entre as pessoas, não fará por merecer esse papel de liderança.

Até quando seremos conhecidos apenas como o país do futuro? Que legado deixará para o país a nossa geração?


Texto de Derek Indoe
Inglaterra Traduzido por
Suzete
Isso tudo é mesmo uma vergonha para o meu país, (BRASIL






CIDADANIA Deputado espera vencer resistência ruralista para anistiar sem-terra Vieira da Cunha (PDT-RS) considera que parecer que dá liberdade a trabalhadores rurais e a policiais por massacre ocorrido em 1995 em Rondônia tem plena condição de ser aprovado; OAB elogia Por: Redação da Rede Brasil Atual Publicado em 06/04/2013, 10:52 Última atualização às 10:52


Deputado espera vencer resistência ruralista para anistiar sem-terra

Vieira da Cunha acolheu a sugestão do ruralista Moreira Mendes e espera ver o projeto votado.
São Paulo – O deputado federal Vieira da Cunha (PDT-RS) espera que seja votado rapidamente pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara o Projeto de Lei 2.000, de 2011, que concede anistia aos condenados pelo Massacre de Corumbiara, promovido em 1995 por policiais militares e pistoleiros na cidade do leste de Rondônia. Em parecer apresentado no final de março, o parlamentar acolhe a ideia de dar anistia também aos agentes de segurança acusados de participação no episódio, e não apenas aos trabalhadores rurais sem-terra. 
“Apresentamos um parecer favorável à concessão da anistia, mas a anistia se limitava aos trabalhadores rurais envolvidos naquele episódio”, explicou, em entrevista à TVT, na qual manifestou que há um “clima favorável” à aprovação do texto, de autoria do deputado João Paulo Cunha (PT-SP). Foram condenados dois sem-terra, apontados como líderes da ocupação, e três policiais. 
Antes do novo parecer, o deputado Moreira Mendes (PSD-RO) havia apresentado manifestação em separado na qual se colocava contra a anistia argumentando que os policiais agiram em legítima defesa, ao passo que os sem-terra, a quem chama de “posseiros invasores”, infringiram a lei. “Desta feita, à aprovação deste projeto é incentivar a prática de invasão de terras em todo o país, principalmente abrir precedente para que outros membros de ‘Movimentos’ que se unem para invadirem terras pratiquem crimes e depois utilizem desta respeitável Casa de Lei para que sejam anistiados. Ninguém está acima da Lei”, diz o parlamentar, que indagou qual o motivo de não se absolver também os policiais. 
“Nós, então, resolvemos refletir sobre nosso parecer e fizemos uma complementação de voto e apresentamos uma emenda na qual estendemos a anistia a todos os envolvidos”, responde Vieira da Cunha. “Com isso nós entendemos que agora o projeto está em condições de ser aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça, e esperamos que isso ocorra em breve.”
A inclusão dos policiais se deu a pedido da família de um dos sem-terra acusados pelo massacre. Claudemir Ramos considera-se um “foragido da injustiça” porque se recusa a cumprir a pena de oito anos e seis meses de reclusão, que considera um erro do Tribunal de Justiça de Rondônia, ratificado em 2004 pelo Superior Tribunal de Justiça. “Não se prova nada. Ninguém prova que eu estava armado. Fui torturado, saí de lá como morto, no caminhão de defunto”, diz.
Na madrugada de 9 de agosto de 1995, policiais acompanhados de pistoleiros invadiram a Fazenda Santa Elina, quebrando acordo firmado horas antes com os sem-terra, que esperavam uma resposta do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para decidir se deixariam a área. Depois de dominados os trabalhadores rurais, os agentes de segurança passaram a promover torturas, estupros e assassinatos. 
Claudemir foi acusado pelo Ministério Público Estadual de formação de quadrilha e cárcere privado. A promotoria considerou à época que ele e Cícero Pereira Leite, condenado a pena de seis anos e dois meses de prisão, obrigaram as 2.300 pessoas que participavam da ocupação da Fazenda Santa Elina a permanecer no local, privando-as dos documentos pessoais. A acusação tomou como base a investigação promovida pela Polícia Militar, envolvida diretamente no episódio, que teve oficialmente doze mortos – dez trabalhadores e dois policiais. 
O coordenador da Comissão de Direitos Humanos da OAB de São Paulo, Martim de Almeida Sampaio, compartilha da visão do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que em audiência no mês de março afirmou que o projeto de anistia é legal. “O projeto está bem-estruturado. O projeto é bom, é regular, é constitucional. A justificativa articulando a fundamentação dos direitos humanos com o plano nacional e o plano internacional, e a necessidade de não criminalizar o movimento social, foi isso que me chamou mais atenção”, diz. 
“No Brasil só há justiça para pobre, negro, homossexual, e para os grandes empresários não há justiça”, queixa-se Claudemir. Acusado inicialmente de ser o mandante do crime, o fazendeiro Antenor Duarte, dono de uma fazenda vizinha à Santa Elina, não chegou a ser levado a julgamento. Além dos dois sem-terra, os policiais Vitório Regis Mena Mendes, Daniel da Silva Furtado e Airton Ramos acabaram condenados. “Queria me dirigir aos senhores deputados, ao Poder Judiciário, à presidente Dilma, à ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que analisassem mesmo, que pegassem firme porque vão descobrir que no processo de Corumbiara só tem justiça a favor dos fazendeiros”, apela Claudemir, hoje com 40 anos.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos emitiu um relatório no qual afirma que o caso estava repleto de ilegalidades. Porém, como fato, investigação e julgamento se deram antes da entrada do Brasil no sistema interamericano, o processo não pôde ser remetido à Corte Interamericana. “Proceder a uma investigação completa, imparcial e efetiva dos fatos, por entidades que não sejam militares, que determine e puna a responsabilidade de todos os autores materiais e intelectuais, tanto militares como civis”, assinalou o relatório final.http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2013/04/deputado-espera-vencer-resistencia-ruralista-para-anistiar-sem-terra

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Governo pede punição na Justiça de acusados de matar extrativistas


O governo federal divulgou nesta terça-feira (3) uma nota pedindo que sejam punidos "com rigor" os três acusados pelo assassinato de um casal de extrativistas.
O texto, assinado pela ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) e que cita o nome dos réus, diz que a punição evitaria a "perpetuação da impunidade no país".
France Presse
José Cláudio e sua mulher, mortos em maio de 2011
José Cláudio e sua mulher, mortos em maio de 2011
O julgamento começará na quarta-feira (3) em Marabá, no sudeste do Pará.
Os extrativistas José Claudio Ribeiro da Silva, 54, e Maria do Espírito Santo, 53, foram mortos a tiros em uma emboscada, quando andavam de moto num assentamento onde viviam, em Nova Ipixuna, no interior do Estado, em maio de 2011.
Editoria de Arte/Folhapress
"A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República espera que os jurados tenham a sensibilidade e a firmeza em defender os direitos humanos e tornar esse caso um exemplo na consolidação da Justiça e um marco na proteção dos defensores de direitos humanos", afirma a ministra.
Logo depois do crime, a presidente Dilma Rousseff determinou que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, mobilizasse a Polícia Federal para investigar a morte.
O Ministério Público denunciou o agricultor José Rodrigues Moreira, como o mandante do crime, seu irmão Lindonjonson Silva Rocha, como autor dos disparos, e Alberto Lopes do Nascimento, como coautor do assassinato. Os três estão presos desde 2011.
A motivação do crime, segundo a denúncia, foi a disputa pela posse de uma área rural dentro do assentamento Praialta-Piranheira, onde José Claudio Silva e Maria do Espírito Santo moravam.
Em 2012, como a Folha revelou, o Incra (órgão federal da reforma agrária) assentou a mulher de Moreira, Antonia Nery de Souza, no assentamento Praialta-Piranheira.
benefício à mulher do acusado de ser o mandate do assassinato poderá ser revista pela autarquia federal.
O advogado Wandergleisson Fernandes Silva, que defende os irmãos José Rodrigues Moreira e Lindonjonson Silva Rocha, afirma que eles negam envolvimento no crime.
O advogado Erivaldo Santis, que defende o acusado Alberto Lopes do Nascimento, não foi localizado.
Leia a nota
A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) vem a público manifestar-se sobre o julgamento de José Rodrigues Moreira, Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento, acusados pelo assassinato dos extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, em maio de 2011, em um assentamento em Nova Ipixuna (PA). O júri popular se reúne nesta quarta-feira (3), no Fórum de Marabá (PA), para analisar o processo e dar o veredicto.
Diante disso, a SDH/PR espera que os jurados tenham a sensibilidade e a firmeza em defender os direitos humanos e tornar esse caso um exemplo na consolidação da Justiça e um marco na proteção dos defensores de direitos humanos. Que os assassinos sejam punidos com rigor, evitando a perpetuação da impunidade no país.
A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República se manterá atenta no combate à violação dos Direitos Humanos de pessoas que lutam por causas justas. Mais do que isso, cuidaremos para que o debate em torno da Reforma Agrária no país seja construído dentro dos limites de civilidade, em busca de um país mais paritário para todos os brasileiros e brasileiras.
Ministra Maria do Rosário Nunes
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

quinta-feira, 28 de março de 2013

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA – CCJC PROJETO DE LEI Nº 2000, DE 2011

PROJETO DE LEI Nº 2000, DE 2011
“Concede anistia aos trabalhadores 
rurais de Rondônia punidos no episódio 
conhecido como “Massacre de Corumbiara”.
Autor: Deputado João Paulo Cunha – PT/SP
Relator: Deputado Vieira da Cunha – PDT/RS
COMPLEMENTAÇÃO DE VOTO
I – Relatório
Em relatório já elaborado no ano de 2012, destaquei que o vertente
Projeto de Lei, de autoria do ilustre Deputado João Paulo Cunha, objetiva a concessão
de anistia para todos os trabalhadores rurais do Estado de Rondônia, punidos pela
participação no episódio conhecido como o “Massacre de Corumbiara”, alcançando,
inclusive, os crimes definidos no Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940
(Código Penal), e nas legislações especiais.
É o resumo do relatório, já anteriormente apresentado.
II – Complementação de Voto
Estando a proposição na pauta desta Comissão de Constituição e Justiça
e de Cidadania – CCJC, pronta para votação, passei a refletir melhor sobre o voto
inicialmente proferido.
Contribuiu para minha reflexão o Voto em Separado do colega Deputado
Moreira Mendes, que questionou este relator com a seguinte pergunta: “Por que não
anistiar também os policiais envolvidos no incidente?” No mesmo sentido, sustentou o
Deputado Marcos Rogério, também representante nesta Casa do Estado de Rondônia,
argumentando que os policiais são trabalhadores e que agiram em cumprimento de
seus deveres funcionais.Entendo que não cabe a este Relator entrar no mérito de uma causa que
já foi decidida pelo Judiciário. O que cabe é me posicionar, à luz da Constituição e do
Direito, sobre uma proposta de Anistia formalizada pelo colega Deputado João Paulo
Cunha.
Ora, o instituto da Anistia, a partir dos postulados que lancei na
fundamentação do voto antes proferido, principalmente no que diz respeito ao seu
alcance e objetivos, está umbilicalmente ligado ao perdão e ao esquecimento. Imbuído
desse espírito, penso que o Projeto de Lei efetivamente deve caminhar no sentido de
abranger todos os personagens que de alguma forma foram levados a escrever, com
suas condutas, esse triste capítulo da história da luta pela terra no Brasil.
Em outras palavras, a Anistia aqui positivada, como um instrumento de
resgate da cidadania e dos direitos fundamentais violados nesse episódio, deve
contemplar também os policiais militares condenados, além dos trabalhadores rurais,
pelos crimes ocorridos durante o massacre.
Assim, a presente complementação de voto visa a incluir, dentre as
pessoas anistiadas, também os policiais militares condenados.
Ante o exposto, voto pela constitucionalidade, juridicidade e adequada
técnica legislativa do PL 2000, de 2011, retiro a emenda anteriormente anexada e
apresento uma nova ao art. 1º do PL, onde positivo a complementação do voto, e, no
mérito, voto pela aprovação do Projeto com a Emenda ora oferecida em anexo.
Sala da Comissão, em 27 de março de 2013
Deputado VIEIRA DA CUNHA
Relator

sexta-feira, 22 de março de 2013

Quarta, 20 de Março de 2013 Ministro diz a João Paulo que apoia projeto de anistia aos sobreviventes do Massacre de Corumbiara.


O deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) foi recebido pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, na terça-feira, 19 de março, em Brasília. O parlamentar solicitou ao ministro apoio ao Projeto de Lei 2000/2011, que pede anistia política aos trabalhadores rurais Claudemir Gilberto Ramos e Cícero Parreira, sobreviventes do “Massacre de Corumbiara”, ocorrido em Rondônia, em 1995. Também participaram da audiência os deputados federais Anselmo de Jesus (PT-RO), Padre Ton (PT-RO) e Vieira da Cunha (PDT-RS).
 
De acordo com o PL 2000/2011, as condenações de Claudemir e Cícero foram injustas e precisam ser reparadas pelo estado brasileiro. “A anistia é o último recurso destes condenados que, de forma indevida, pagam por lutar pela reforma agrária”, afirmou João Paulo, autor do projeto. Os dois foram condenados por homicídio.
 
Em um dos trechos do PL, o deputado diz que a chacina “impôs uma nódoa indelével na história dos direitos humanos e na luta pelo acesso a terra no país, e ainda hoje continua vitimando inocentes e perpetuando as arbitrariedades e injustiças praticadas pelos agentes públicos do Estado brasileiro.”
 
Após solicitar apoio, João Paulo entregou ao ministro uma pasta contendo o pedido de revisão criminal do processo encaminhado ao Tribunal de Justiça de Rondônia; o parecer favorável à anistia da Secretaria Nacional de Direitos Humanos; o parecer da Organização dos Estados Americanos (OEA) que aponta irregularidades neste julgamento; o Projeto de Lei que tramita na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados; e o parecer favorável do deputado Vieira da Cunha, relator deste PL na CCJC.
 
Durante a audiência, o ministro afirmou que é favorável ao projeto. Segundo o parecer do ministério, “o Projeto de Lei não apresenta quaisquer vícios, uma vez que compete à União a concessão de anistia.” Quanto à constitucionalidade, o projeto está fundamentado em “princípios basilares”, voltados à construção de uma sociedade livre, justa e solidária em que prevalecem os direitos humanos.
 
Para o deputado Anselmo de Jesus (PT-RO), o violento massacre causou danos que precisam ser reparados. Já Padre Ton afirmou que o massacre marcou negativamente a população do município de Corumbiara. Segundo ele, a anistia será uma resposta aos que ainda sofrem com as lembranças deste episódio. Vieira da Cunha, relator do PL na CCJC, disse que buscará todos os meios pra aprovar o projeto.
 
Para o coordenador do Movimento de Solidariedade Corumbiara, Padre Leo Dolan, que também participou da audiência, os dois trabalhadores precisam ao menos ter a liberdade devolvida. Ele ainda advertiu que o massacre desencadeou uma série de eventos violentos em Rondônia.
 
A audiência ainda foi acompanhada por Cimar Gebrin, do Movimento Massacre dos Corumbiaras; e Celi Ramos, irmã de Claudemir. Recentemente, Adelino Ramos, pai dos irmãos, foi assassinado por buscar justiça no campo. Celi pediu a federalização do processo que apura os responsáveis pelo massacre.
 
Relembre o caso
A ocupação da Fazenda Santa Elina, no município de Corumbiara, em Rondônia, foi um dos 440 conflitos por terra que ocorreram no Brasil, em 1995. O local foi escolhido pela coordenação do movimento por tratar-se de uma área não regularizada e, em grande parte, improdutiva. A forma como a justiça do Estado cumpriu o mandato de reintegração de posse chocou o país pela violência imposta contra os camponeses. O “Massacre do Corumbiara” passou a ser lembrado como um dos episódios mais sangrentos da luta por terra no Brasil. A responsabilidade pelo conflito que deixou mortos, feridos e muitos desaparecidos recaiu sobre os camponeses.
 
No dia 14 de julho de 1995, centenas de famílias de trabalhadores rurais sem terra ocuparam uma pequena parte dos 20 mil hectares da Fazenda Santa Elina, em Rondônia. Cinco dias depois, em 19 de julho, a Justiça expediu a liminar de reintegração de posse. Um grupo de policiais chegou ao acampamento para cumprimento da ordem. Neste dia, um posseiro foi ferido à bala pelas costas, gerando o primeiro conflito. Para intermediar as negociações foi formada uma comissão que tinha entre seus integrantes o vereador Manuel Ribeiro, o Nelinho do PT (assassinado quatro messes depois).
 
Na madrugada do dia 09 de agosto, 194 policiais e jagunços fortemente armados cercaram o acampamento e deram início àquele que seria um dos episódios mais tristes da luta pela terra no Brasil: o Massacre de Corumbiara. O acampamento foi atacado de madrugada com bombas de gás por policiais militares e jagunços que, segundo testemunhas, foram contratados por fazendeiros. Eles entraram atirando contra uma multidão de quase 400 pessoas, incluindo mulheres e crianças. Entre os sem terra mortos estava Vanessa, de apenas seis anos de idade.
 
Segundo versão dos sobreviventes, dezenas de camponeses foram mortos, mas os corpos nunca apareceram. Além disso, 355 pessoas foram presas e torturadas por mais de vinte e quatro horas seguidas. O acampamento foi totalmente destruído e incendiado.
 
A versão oficial fala em onze mortes. Nove camponeses e dois policiais. Na apuração dos fatos, nos processos judiciais e no júri ficou evidenciado que os camponeses é que pagaram pelo sonho do acesso a terra. O processo transitou em julgado em 15 de maio de 2005 e transferiu para as vítimas a responsabilidade por um dos piores massacres do país.
http://www.joaopaulo.org.br/mandato/noticias-do-mandato/4735-ministro-diz-a-joao-paulo-que-apoia-projeto-de-anistia-aos-sobreviventes-do-massacre-de-corumbiara

quinta-feira, 21 de março de 2013

NOTÍCIAS 21/03/13 - 15h21 Ministro da Justiça apoia anistia a trabalhadores punidos pelo Massacre de Corumbiara






O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, manifestou apoio ao Projeto de Lei (PL 2000/2011) de autoria do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que concede anistia aos trabalhadores rurais punidos no julgamento do “Massacre de Corumbiara”, ocorrido em agosto de 1995.


Segundo o deputado Padre Ton (PT-RO), que esteve com o ministro juntamente com o autor e o relator da proposta, deputado Vieira da Cunha (PDT-RS) e o deputado Anselmo de Jesus (PT-RO), o projeto tramita na Comissão de Constituição e Justiça e sofrerá pequena mudança para ter o acolhimento dos integrantes da CCJ e posteriormente do Plenário.
Além da anistia aos trabalhadores Claudemir Gilberto Ramos e Cícero Pereira Leite Neto, condenados injustamente por homicídio num processo com mais de 10 mil páginas “em que a verdade real dos fatos não chegou à tona”, lembra Padre Ton, será concedida, de comum acordo com representante do Movimento Camponês de Corumbiara, anistia aos policiais que também foram condenados.
Parecer do Ministério da Justiça sobre o projeto conclui que não há qualquer vício ou inconstitucionalidade na matéria, registrando que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA estabelece a necessidade do Estado brasileiro “de adotar medidas que coíbam novos confrontos como o ocorrido e que reparem os danos causados às vitimas, sob pena de incorrer em responsabilidade internacional quando seus órgãos judiciais não investigam com seriedade crimes que firam direitos humanos”.
“Um estudo de uma professora da Universidade de Barcelona aponta que de 14 de julho até 8 de agosto a ocupação da fazenda Santa Elina era mais um dos 440 conflitos de terra que aconteceram no Brasil em 1995 e um dos15 que aconteceram em Rondônia só naquele ano. Então, essa é uma tragédia semelhante a muitas outras e lamentavelmente a realidade fundiária e social no campo continua do mesmo jeito do estudo feito pela professora”, diz Padre Ton.
Para o deputado, o episódio de Corumbiara marca de forma negativa e dolorida a população do município, e a anistia é uma resposta, embora ainda falte a indenização reivindicada pelas famílias das vítimas assassinadas e sobretudo a “justa distribuição de terra no país”.
O coordenador do Movimento de Solidariedade Corumbiara, padre Leo Dolan, diz que a luta do grupo é para incluir no projeto de anistia as vítimas do conflito.
“Nós queremos justiça para todos, trabalhadores e militares”, afirma o religioso.
(Assessoria Parlamentar)
http://www.pt.org.br/noticias/view/ministro_da_justica_apoia_anistia_a_trabalhadores_punidos_pelo_massacre_de

terça-feira, 5 de março de 2013

CENÁRIO HISTÓRICO DE CONFLITOS AGRÁRIOS NO RIO


Desde 2006, seis pessoas foram assassinadas no município por disputas na área rural
Cenário da morte de dois sem-terra neste ano, Campos de Goytacazes, no Norte Fluminense, é o município que historicamente apresenta o maior número de conflitos agrários no Rio de Janeiro. A cidade, onde vivem hoje cerca de 1.500 famílias em 14 assentamentos de terra, engrossa, nos últimos anos, o saldo de mortes no meio rural. Segundos dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), desde 2006, seis pessoas foram assassinadas no município em decorrência de disputas agrárias. No ano passado, outros dois sem-terra de um acampamento rural de cortadores de cana de açúcar, localizado na cidade fluminense, foram mortos próximo à BR-356, que liga Campos a Itaperuna. Antônio Carlos Biazini, de 45 anos, líder do acampamento rural, e Joais da Silva Rocha, de 25 anos, foram baleados quando deixavam o local.
O município, o mais extenso territorialmente do estado, apresenta a maior concentração de unidades latifundiárias, sobretudo de tradição canavieira, e de trabalhadores rurais no Rio de Janeiro, fatores que transformaram o local em um caldeirão de conflitos. Para a coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) no Rio de Janeiro, Marina dos Santos, a demora do governo federal em desapropriar algumas propriedades improdutivas e a ausência do poder público na região contribuem para o quadro de tensão rural. Em Campos dos Goytacazes, concentra-se o maior número de ocupações realizadas pelo movimento dos sem-terra na Região Norte do Rio de Janeiro.
- É uma região marcada pela concentração da terra e pela ausência do poder público. Há ainda uma cultura de organização de pistolagem e de jagunçagem. A não presença do poder público deixa esses grupos muito à vontade para atuar - afirmou.
Outra região que historicamente figura quase todos os anos nos dados da Comissão Pastoral da Terra é a do entorno da Baía de Guanabara. Nos últimos quatro anos, quatro pessoas das comunidades locais de pescadores foram assassinadas em conflitos por territórios. No ano passado, em junho, um dia após o encerramento da conferência Rio+20, duas pessoas foram mortas. Uma delas foi João Luiz Telles Penetra, de 40 anos, que estava na lista de ameaçados da CPT. A outra foi Almir Nogueira de Amorim, de 45 anos, outro líder ambiental da região. Os dois faziam parte da Associação Homens do Mar (Ahomar), entidade contrária a empreendimentos que prejudiquem a pesca artesanal na Baía de Guanabara. Segundo pescadores, nos últimos meses, aumentou o número de homens armados que circulam pelo local. (Gustavo Uribe)
Fonte: 

Campos: cenário histórico de conflitos agrários no Rio — Portal ...
Campos: cenário histórico de conflitos agrários no Rio ... desde 2006, seis pessoas foram assassinadas no município em decorrência de disputas agrárias.
https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2013/3/4/campos-cenario-historico-de-conflitos-agrarios-no-rio
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A tensão causada pela disputa por terras tem se agravado e elevado o número de mortos em conflitos agrários no Brasil. No ano passado, o total de líderes ...Painel » Conflitos agrários em Campos no cenário nacional
Conflitos agrários em Campos no cenário nacional. Por Saulo Pessanha, em 04- 03-2013 - 9h38. Por conta do cenário da morte de dois sem-terra neste ano, ...Delegacia de Conflitos Agrários prende três em Anapu ... - Portal ORM
Delegacia de Conflitos Agrários prende três em Anapu, sudeste paraense - Pará - Armas e munições foram apreendidas.
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Ministério Público é o órgão Estatal que tem como função principal zelar pela boa aplicação da lei, pela ordem jurídica e pelo estado democrático de direito e ...

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Fetaema denuncia conflitos agrários na cidade de Codó


15 de novembro de 2012 às 09:05
A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Maranhão (Fetaema) apresentou na manhã desta quarta-feira (14), em entrevista coletiva, informes sobre várias denúncias de conflitos por terra no município de Codó (a 291 quilômetros de São Luís).
Segundo dados da Fetaema, existem 12 comunidades vivendo conflitos agrários em Codó:
Lagoa do Leme, Santa Joana, Puraquê, Santa Maria dos Moreiras, Três Irmãos, Monte Barro, Queimadas, Mata Virgem, Vergel, Santa Rita dos Moisés, Matões dos Moreiras e Buriti Corrente.
Cerca de 654 famílias (quase três mil pessoas) estão ameaçadas.
O descaso por parte dos órgãos públicos quanto à regularização de terra no Maranhão foi um tema que mereceu destaque durante a entrevista coletiva.
'O governo estadual, por meio do Instituto de Terras do Maranhão (Iterma), e o federal, representado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), têm de acompanhar com um olhar mais humano os problemas pelos grandes latifundiários do agronegócio', denunciou Maria Lúcia Vieira, diretora de Política Agrária da Fetaema.
Outros pontos, como a situação dos quilombolas codoenses, do trabalho escravo, da grilagem de terra, das constantes ameaças, também foram abordados pela Fetaema.
'Não podemos permitir o desrespeito às comunidades tradicionais e aos quilombolas. Temos imagens de jagunços armados ameaçando as famílias em Codó. Não é possível cruzarmos os braços e observarmos essa realidade como se estivesse longe de nós, pois ela acontece bem debaixo dos nossos olhos. Muitas vezes, a própria polícia, que deveria proteger os cidadãos do campo, é justamente quem aterroriza as comunidades, a mando dos grandes ‘coronéis’ locais', disse Maria Lúcia Vieira. Na coletiva também estiveram presentes, representantes de duas comunidades de Codó.
No rosto de cada um deles, estava estampado o medo do terror que assola estes povoados. 'Ouvimos muito o lamento das mães quanto à ameaça de perderem seus filhos ou maridos. Temos medo de perder nossa terra. Muitos deixaram de andar sozinhos', afirmou Mário Sérgio, trabalhador rural do povoado Bom Jesus.
Pedro da Silva, presidente da Associação Quilombola de Santa Maria dos Moreiras, declarou que, apesar das constantes ameaças, vai resistir às pressões dos latifundiários do agronegócio.
'Vamos continuar na luta. Quero acompanhar meus filhos crescerem. Quero abraçar meus netos, dentro da terra que vem dos meus avós. Nossas famílias estão unidas e confiantes de que a justiça será feita', disse o trabalhador rural.
No próximo domingo (18), representantes da Fetaema vão a Codó, onde participam de uma grande reunião com trabalhadores rurais de várias comunidades envolvidas em conflitos agrários no município.
http://www.jornalpequeno.com.br/2012/11/15/fetaema-denuncia-conflitos-agrarios-na-cidade-de-codo-236528.htm

'Maranhão corre o risco de virar um dos estados mais violentos do país'


DEPUTADO ADVERTE:
POR MANOEL SANTOS NETO
O líder da Oposição na Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Tavares (PSB), adverte que o Maranhão corre o risco de se transformar em um dos estados mais violentos do Brasil. O alerta foi dado na sessão da última quarta-feira (14), durante a votação de um requerimento do deputado Bira do Pindaré (PT), solicitando a convocação do secretário de Estado da Segurança Pública, Aluísio Mendes, para que prestasse esclarecimentos sobre as razões do aumento da criminalidade em São Luís.
Com o voto unânime da bancada governista, o requerimento foi rejeitado pelo Plenário. Durante a sessão, tomando por base levantamentos realizados pela Redação do Jornal Pequeno, os deputados Marcelo Tavares e Bira do Pindaré argumentaram que a cidade de São Luís chegou ao fatídico número de 572 homicídios neste ano. Em São Paulo, no mesmo período, foram 1.064, o que representa proporcionalmente cinco vezes mais incidência de homicídios na capital maranhense.
Para o líder oposicionista, cabe ao governo do Estado a culpa pelo aumento da violência no Maranhão. 'A maior responsável por essa situação é a governadora Roseana, que faz um governo omisso, fraco e que quebrou o Estado. Essa é que é a verdade: o Maranhão hoje está quebrado novamente e a governadora está endividando o Maranhão em mais R$ 4 bilhões e mais uma vez não resolve os problemas da segurança pública do estado. São cada vez menores os recursos destinados à área da prevenção e do combate à criminalidade', declarou Marcelo Tavares.
Ele fez questão de frisar que a bancada da oposição não trabalha com o sentido de criar um ambiente de terra arrasada no Maranhão. Tanto Marcelo Tavares quanto Bira do Pindaré foram à Secretaria de Segurança Pública, junto com outros deputados, para conhecer de perto o Sistema de Videomonitoramento da Região Metropolitana de São Luís recém-implantado nas principais avenidas da capital.
'Durante esta visita', afirmou Marcelo Tavares, 'nós conhecemos o sistema de câmeras, e eu pessoalmente até elogiei a iniciativa para mostrar que nós da oposição não queremos a política da terra arrasada. Nós queremos um estado mais seguro para os maranhenses, mas não é isso que a governadora Roseana quer. Por essa razão, o Maranhão caminha irremediavelmente para se tornar o estado mais violento do Brasil'.
Marcelo Tavares lembrou que a governadora Roseana, ao tomar posse, fizera a promessa de que as pessoas poderiam voltar a sentar nas portas das suas casas, pois o sistema de segurança pública do Estado iria melhorar.
'Infelizmente, não foi isso que aconteceu. A situação se agrava, cada vez mais, e nós da oposição queremos é ajudar, nós queremos nos somar a qualquer iniciativa que possa dar mais segurança ao povo do Maranhão. Nos preocupa que o Maranhão se aproxima de ser o estado mais violento do Brasil. Isto é muito ruim para todos nós, porque não sabemos quando a violência pode bater à nossa porta, já que pode bater à porta de qualquer pessoa', ressaltou Marcelo Tavares.
http://www.jornalpequeno.com.br/2012/11/18/maranhao-corre-o-risco-de-virar-um-dos-estados-mais-violentos-do-pais-236672.htm

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Queremos Justiça!!! ao Companheiro João Paulo (INFCAR)


Deputado João Paulo Cunha é conhecido e respeitado por mim  por  sua dedicação ao povo pobre,nos últimos 30 anos. João ajudou os pobres camponeses, quando os outros apenas falaram; e viraram as costas.
Os camponeses de Rondônia e Amazonas, como as favelas de Osasco conhecem João. Paulo e gostam de ter a presença dele em seu meio. Os outros; gostam dos pobres na hora das eleições, critica os camponeses dizendo: “precisa acabar com os sem terras ou os sem terra acabam com Brasil" Nos sabemos que as vítimas do massacre do Corumbiara, foram abandonadas pela justiça, judiciário e governo. João Paulo assumiu a luta dos camponeses de Corumbiara. Mas não tem ninguém mais cego do que  aquele  que não quer ver e; nosso governo não gosta de saber o que aconteceu no massacre. Claudemir  Ramos foi preso sem arma, foi torturado com outros. Este rapaz de 20 anos foi obrigado comer terra ensopado com o sangue dele. Bateram nele e deixaram lhe como morto; foi jogado no caminhão com os outros mortos. Talvez o pior fosse ver um amigo  forçado  comer os miolos do amigo dele...abriram a cabeça com moto serra. A criança assassinada pelas costas 07 anos, pequena Vanessa, morreu e os grandes fizeram nada. Mulheres abusadas etc e etc. João Paulo Auxiliou com a abertura do processo simplesmente com a intenção de ajudar sem exigir nada em troca.  Mas, ter poder em Rondônia não esta na lei.  O julgamento foi uma farsa Tudo isso foi julgado pela Organização dos Estados Americano, Brasil participe, mas não aceitou o pedido dos advogados deles. O caso da Irma Dorothy em Pará foi outra coisa que não podemos entender. O assassino foi condenado e o mandante pegou 20 ou 30 anos. Menos do que um ano ele esta na rua graças ao STF  Osias que matou Adelino Ramos pai do Claudemir  ficou preso mas depois de 6 meses voltou para Rua para morrer, Ozias foi assassinado mas o mandante ficou livre para dar risada na cara da família e continuar a destruição da  floresta.
 Claudemir Ramos foi preso sem arma, só maquina fotográfica barata (fotografar) para registrar o massacre no campo, mas quebraram a máquina na cabeça dele. Condenado, ele achou melhor fugir do que passar o tempo na  penitenciária Urso branco em Porto Velho.....nosso ministro da justiça sabe os mortos naquele inferno? Agora ele é fugitivo da Injustiça e morte do Urso Branco, Porto Velho, o caso dele esta na Comissão de Constituição Justiça e  Cidadania pedindo a anistia para ele e os outras vítimas da terra. João Paulo Cunha fez muito por nós. Estamos esperando justiça, você deve estudar o caso (Ver. abaixo).
Nos, do Instituto Adelino Ramos, sempre pedimos conforme a Lei do Pais.Em 26/ 10/2007 pedimos segurança para os camponeses, mas nada foi feito,O movimento Camponês Corumbiara pediu varias vezes. Dois anos atrás os madeireiros com os pistoleiros Luiz,Ozias,Ceará popó e etc,  falaram  bem claro que o lugar da gente não era lá ,até o tenente da força tarefa que foi  vistoriar o floresta da Parque Curuquetê avisou ao grupo. Adelino Ramos( Dinho) estava em Manaus.Procurei ajuda,  mas foi João Paulo que salvou a gente lá.  Pouco  depois, Adelino Ramos foi morto  pelo Ozias. Eu agradeço João Paulo  Cunha pela ajuda de salvar nosso pequeno grupo no Curuquetê no  município de Lábrea Sul do Amazonas. Muito pessoas não sabe oque está acontecendo no campo, na floresta na cadeia. Acho; uma pessoa que quer ser juiz, diretor do Ibama, do Incra,  da Igreja, deve ficar pelo menos 6 meses morando com as pessoas que eles querem servir. A lei do livro é uma coisa, mas a lei da vivência é outra.  Obrigado João Paulo ,obrigado Adelino, Obrigado Claudemir que sofreram pelo nosso país. Mais fatos     1)helena@wgo.com.br    http:www.cidh.org   Comissao internacional dos direitos humanos  0.E.A./ser/1/V/II-119-11/marco 2004  Relatorio No.32/04 -caso11111.556-Corumbiara-Brasil-marco 2004.

Osasco 22/11/2012 

Pe Bernard Leo Dolan
Do Instituto Adelino Ramos e                             
 Presidente do Comitê Nac. Solidário aos camponês amazonas 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

QUEREMOS JUSTIÇA !!!

Nosso querido!!! padre Leo esta em Brasilia, no congresso nacional fazendo uma visita aos deputados federais em cada gabinete, levando a verdade do massacre de Corumbiara e pedindo aos deputados que façam justiça com seu voto ao projeto de lei 2000/2011 que se aprovado, dará anistia aos sobreviventes do massacre de Corumbiara vamos torcer e pedir a Deus que de tudo de certo, Padre Leo es um profeta de verdade que defende seu povo um verdadeiro missionário de Jesus cristo Que Deus de muita saúde e força! missionário igual padre leo de mil tira um obrigado Padre leo por defender esta causa o Sr, nunca mediu esforços pela causa do povo sofrido,explorado,massacrado neste Brasil dos capitalistas .

sábado, 17 de novembro de 2012

ESTA É PARA VOCÊ QUE VIBROU COM A AÇÃO DO STF NO "JULGAMENTO" DO "MENSALÃO DO PT".QUE NÃO VIU POLITIZAÇÃO NO "JULGAMENTO"

QUE É UMA PESSOA ÉTICA, HONESTA... JUSTA. QUE CLAMA POR JUSTIÇA!
A missionária católica americana Dorothy Stang, 73, foi assassinada com seis tiros no município de Anapu (PA). Ela trabalhava havia mais de 20 anos no Estado e defendia causas ambientais e trabalhadores sem-terra.antes de receber os disparos que lhe ceifaram a vida, ao ser indagada se estava armada, Ir. Dorothy afirmou «eis a minha arma!» e mostrou a Bíblia. O fazendeiro Vitalmiro Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do crime, havia sido condenado a 30 anos de prisão.


Carbono 14

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

“CARTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE O MASSACRE DE CORUMBIARA” PREZADOS (as) DEPUTADOS (as):

 Nós do Instituto Adelino Ramos, viemos por meio desta, repudiar as inverdades de fatos inexistentes exposto em seu voto em separado do projeto de lei 2000/2011. Moreira Mendes não condiz com a verdade, em colocar números desconhecidos. Ex: fala em 500 famílias quando na verdade eram 624 famílias. Fala de 194 soldados e 46 agentes da COE (Comando de Operações Especiais do estado de RO)
Quando havia mais de 600 homens fardados. Sendo oficialmente soldados e agentes um Total de 240 homens. Considerando que eram somente 600 homens fardados, se eram 240 da corporação, 360 homens vieram de onde? Isso claramente caracteriza o que já sabemos, existiam jagunços fardados. No dia do massacre em 09 de agosto de 1995, podemos dizer com propriedade que a maioria dos fardados estavam calçando com. Ki chutes, botas carrapetas e tênis. Enquanto uma minoria usava coturnos. Sabemos ainda que existiu uma pequena quantidade de soldados que foram de fato obrigados a cumprir a "ordem" e até consideramos os soldados condenados vítimas, por exercício de seu dever, neste sentido Claro que o comando sim que deveria responder por este ato vergonhoso, considerado um dos maiores massacres que já se viu na história deste País. Deputado Moreira Mendes, perguntamos: estava ou esteve no local para falar com tanta propriedade no assunto? Ainda com fatos inverídicos? Quem lhe passou tais informações? No dia 17 de julho daquele mesmo ano o senhor coloca que houve o primeiro "confronto" entre sem terras e policia militar, mas contradiz ao mesmo tempo em que confirma o ocorrido afirmando uma verdade RESULTA UM SEM TERRA FERIDO A BALA, Fala que em 20 de Julho de 1995, o Juiz determinou que a polícia militar.Providenciasse um maior grupo de agentes para o cumprimento da liminar e que a medida fosse cumprida com "PONDERAÇÃO E CAUTELA” a fim de que fosse evitado um novo "confronto". No dia 09 de agosto o acampamento de sem terras foi atacado as 02h00min da manhã e isto é Arbitrário, pois não pode, Durante a noite antes das 06h00mn da manha, a polícia apenas pode entrar em caso de emergência. Não podem ser  sem consentimento, está cometendo o crime de invasão. E os Sem terra foram atacados o que é ainda pior. Sem direito de defesa e o Senhor ainda fala que foi ação de legitima defesa, de quem? Os sem terras foram rendidos, amarrados, torturados, massacrados e Humilhados. Crianças que assistiram seus pais submetidos a todas as barbáries... Vanessa criança de 07 anos que foi assassinada com tiro pelas costas. Mulheres que foram estupradas, usadas como cavalinhos para carregar fardados nas costas, grávida que sofreu tortura,homem obrigado a comer miolo de seu companheiro morto e cabeça aberta com motosserras,outros obrigado a comer sangue com terra, .pessoas desaparecidas que até hoje não foram encontradas,exame de balística que não feito em todos.O senhor ainda fala que:a legítima defesa quando a posse é ameaçada;desforço imediato quando a posse é perdida.que legitima defesa é esta? Que ataca sem direito de defesa enquanto crianças, homens e mulheres dormem? E ainda fala que esta respeitável casa de lei esta sendo usada para que criminosos sejam anistiados que ninguém está acima da lei. De fato este senhor deputado Moreira Mendes defendendo a impunidade deste ato Hediondo, manipulando e omitindo fatos. Realmente aparenta estar acima da lei. Não temos a intenção de causar atritos ou Discórdias, estamos apenas buscando justiça de direito e para que tenham maior conhecimento dos fatos verdadeiros do MASSACRE DE CORUMBIARA através do relatório de Helena mesquita e vários depoimentos gravados em vídeo pelas vítimas e algumas que inclusive morreram por sequelas das torturas. Relatório Helena mesquita segue em anexo.
Link Helena mesquita http://www.ub.edu/geocrit/sn/sn119-41.htm Histórico na integra do Massacre.

Osasco, 08 de novembro de 2012- SP
                                 
Clauceli T Ramos                                                              Pe Bernard Leo Dolan
Presidenta do Instituto Adelino Ramos.                             Presidente do Comitê Nac. Solidário